Almirante negro é homenageado no teatro

Após estrear o espetáculo Turmalina 18 – 50 em Encruzilhada do Sul (RS), cidade natal de João Cândido Felisberto, a Cia. Cerne chega ao Rio de Janeiro com a montagem. O projeto marca o cinquentenário da morte do principal líder da Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910 (e que resultou no fim dos castigos corporais na Marinha de Guerra), resgata a sua memória e ainda destaca o tempo em que Almirante Negro, como era conhecido, viveu em São João de Meriti (RJ), cidade sede da companhia. As apresentações acontecem no SESC (R$10,00 – inteira) e na Praça da Matriz em São João de Meriti (aberto ao público), no Paço Imperial (Centro – Rio de Janeiro – aberto ao público) e no Gomeia Galpão Criativo (Duque de Caxias – R$30,00 – inteira). Turmalina foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018 e durante o processo de criação contou com mesas de debates sobre a temática.

Tendo como título o último endereço onde viveu João Cândido Felisberto – Rua Turmalina, Lote 18 Quadra 50 – o espetáculo refaz os caminhos percorridos pelo líder como forma de celebrar sua história e combater o apagamento de sua memória. Sua relação com as águas é tratada de maneira poética e simbólica, evocando a marinha, a pesca, os portos e também São João Batista, santidade católica que instituiu o batismo pelas águas e que margeia a vida dele, nascido no dia consagrado ao santo e residente a maior parte de sua vida em uma cidade cujo nome é em homenagem ao padroeiro: são João do Meriti, no Rio de Janeiro.

Outra relação traçada pela peça são as possibilidades de caminhos dadas pelas encruzilhadas, em uma referência direta a sua terra natal, na região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. O espetáculo relembra os abusos sofridos pelos marinheiros negros até a primeira década do século passado, exalta a Revolta da Chibata, marco na luta por igualdade racial no país, denuncia o esquecimento intencional a que esta revolta e suas consequências foram submetidas e apresenta os últimos dias de João Cândido, um herói nacional pobre e esquecido.

Lei estadual reconhece marinheiro negro João Cândido como Herói do Rio após 109 anos. A pedido dos movimentos sociais, o presidente da Alerj – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, André Ceciliano, no início deste ano propos a indicação que foi agora sancionada a lei 8263/19 que marca a luta de João Cândido, líder da revolta da Chibata, iniciada em 1910, contra os castigos físicos e humilhações impostos aos marinheiros à época. Agora ele é herói do estado do Rio de Janeiro e em breve será do Brasil

Morto em 1969, apenas em 2008 teve anistia concedida pelo governo brasileiro, mesmo ano em que se inaugurou uma estátua em sua homenagem na Praça XV, na capital carioca. De acordo com a Companhia, o feito não foi aprovado pela Marinha, que exigiu que a homenagem não ficasse em frente da Escola Naval, situada ali perto. Desta forma, celebrar sua história é também ação de reparação histórica consigo e com o próprio país.

De Cia. Cerne: Turmalina 18 – 50

20 DE NOVEMBRO – SESC São João de Meriti, 19h – Av. Automóvel Clube, 66 – Centro, São João de Meriti – Ingresso: R$10,00 (inteira);

  • 21 DE NOVEMBRO – Praça da Matriz, 16h – Centro, São João de Meriti – Aberta ao público;
  • 22 DE NOVEMBRO – Paço Imperial, 18h30 – Praça Quinze de Novembro, 48 – Centro, Rio de Janeiro – Aberta ao público;
  • 7 e 8 DE DEZEMBRO – Gomeia Galpão Criativo, 19h30 – R. Dr. Lauro Neiva, 32 – Jardim Vinte e Cinco de Agosto, Duque de Caxias – Ingresso: R$30,00 (inteira).

Veja também ComCausa.net/joaocandido

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa

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