Caso Kaleb: Família se despede de menino de 2 anos que morreu devido a trauma abdominal no Rio

menino kaleb - crianças com direitos

No último sábado (20), o corpo do pequeno Kaleb Gabriel da Cruz Lisboa, de apenas 2 anos, foi sepultado no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A causa da morte foi um traumatismo no abdômen com lesão no pâncreas por ação contundente, um trauma grave na região da barriga.

A morte de Kaleb deixou uma família desolada e cheia de perguntas. A mãe e o padrasto alegam que o menino caiu da cama, mas o legista responsável pela autópsia afirmou que a lesão não é compatível com esse tipo de acidente. A polícia abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da tragédia.

Durante o velório, a avó do menino, visivelmente abalada, foi amparada por familiares enquanto lamentava a perda do neto. “Perdi meu netinho, perdi meu Kaleb. Era para meu neto estar vivo”, gritava ela, expressando a dor profunda que sentia.

A mãe de Kaleb, Aline Júlia da Cruz Conceição, e o padrasto, Matheus Pereira Rufino Isidoro, não compareceram ao velório. Parentes afirmaram que ambos estão com medo de ameaças e evitam sair às ruas. A avó do menino também não compareceu ao enterro por se sentir ameaçada.

A família paterna de Kaleb levantou suspeitas de maus-tratos, afirmando que ele e seus irmãos eram vítimas de agressões. A tia paterna do menino registrou um boletim de ocorrência por maus-tratos, reforçando a necessidade de uma investigação rigorosa para esclarecer o que realmente aconteceu.

Beatriz Lisboa, prima paterna de Kaleb, destacou a importância da investigação. “Queremos apenas que a investigação seja conduzida e que quem for o culpado pague por isso. Em momento nenhum acusamos alguém com certeza. Só queremos descobrir o que aconteceu”, afirmou.

Segundo o laudo do legista, o pâncreas de Kaleb estava rompido, uma lesão que dificilmente seria causada por uma simples queda da cama. O menino não apresentava ferimentos na cabeça, o que reforça a dúvida sobre a versão do acidente doméstico. A criança foi levada inicialmente à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Ricardo de Albuquerque e, em seguida, ao Hospital Municipal Albert Schweitzer.

A mãe alegou falta de médicos e equipamentos na UPA, enquanto a família afirmou que o hospital não realizou os exames necessários e deu alta para Kaleb, que faleceu horas depois. Por isso, o padrasto registrou um boletim de ocorrência contra o hospital por negligência.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o caso, considerando duas hipóteses principais: morte por maus-tratos ou negligência médica. A perícia no corpo da criança será anexada à investigação da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), responsável pelo caso.

Mãe e padrasto negam maus-tratos

Na manhã desta quinta (18), a mãe e o padrasto de Kaleb estiveram no IML e negaram as acusações dos familiares.

“Eu, como mãe, não ia aceitar ninguém maltratando os meus filhos, ninguém. Nem pai, nem padrasto, nem tia, nem vó, ninguém. Porque eu carreguei nove meses e só eu sei a dor que eu estou sentindo agora”, afirmou Aline.

O padrasto disse que o menino estava normal antes de dormir e pela manhã estava com o corpo frio e não respondia a estímulos. No hospital os médicos teriam dito que não seria necessário fazer raio-x porque a criança já estava morta.

A família do pai da criança soube da morte pelas redes sociais, através de post da mãe da criança. O pai de Kaleb morreu assassinado há 5 meses.

“Não sei se ele foi agredido ou não. Mas, não entra na minha cabeça que uma criança morreu porque caiu da cama. O irmão dela (mãe do Kaleb) disse que a cama era baixa e que ele não acreditava também que ele havia caído. Só pedimos que a polícia investigue o que aconteceu”, disse a tia.

O que dizem as unidades de saúde

Em nota, a direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer informou que o paciente deu entrada na unidade por volta das 19h de terça-feira (16), com relato de queda da cama. O menino apresentava edema na face esquerda e episódios de vômitos.

“Kaleb ficou em observação por cerca de 4 horas, foi medicado para enjoo e realizou exame de imagem que não apresentou alterações. Após estabilização do quadro, o paciente recebeu alta com as devidas orientações”, explicou a direção do hospital.

A direção da UPA Ricardo de Albuquerque informou que o Kaleb deu entrada na unidade na terça-feira, levado pela mãe e o padrasto.

“Após relato de queda e vômito feito pelos responsáveis, eles foram orientados a permanecer na unidade para que a criança fosse encaminhada com prioridade para exame de tomografia, mas optaram por sair à revelia, ou seja, por conta própria, sem alta dada pela equipe médica. No dia seguinte, a criança retornou à UPA já em óbito. De acordo com o protocolo para esses casos, o corpo foi encaminhado ao IML para análise da causa do óbito”, diz a nota.

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