Na noite de 2 para 3 de agosto de 1944, o chamado campo familiar cigano — setor BIIe de Auschwitz-Birkenau — foi liquidado. Naquele momento, cerca de 2.897 homens, mulheres, crianças e adolescentes Roma e Sinti foram levados às câmaras de gás e assassinados. Pouco antes, aproximadamente 1.408 prisioneiros haviam sido transferidos para Buchenwald.
O Memorial de Auschwitz aponta que o total de vítimas dessa última ação nazista contra os prisioneiros ciganos do campo pode chegar a 4.300 mortos, encerrando a presença Romani em Auschwitz-Birkenau.
O genocídio Romani — Porajmos ou Samudaripen
O genocídio contra Roma e Sinti é conhecido como Porajmos (em romani, “devorar”) ou Samudaripen (“assassinato em massa”). Pesquisadores estimam que entre 150 mil e 500 mil pessoas foram mortas pelos nazistas e seus aliados — alguns estudos sugerem números ainda maiores. As vítimas foram alvo de políticas raciais que incluíram deportações em massa, esterilizações forçadas, execuções sumárias, trabalhos forçados e extermínio em campos de concentração.
O “Decreto de Auschwitz” de 1942 determinou a deportação sistemática de famílias ciganas para campos, consolidando a perseguição que já vinha de décadas de discriminação legal e social na Europa.
Resistência e coragem
Apesar do horror, houve resistência. Um episódio marcante ocorreu em 16 de maio de 1944, quando prisioneiros Roma e Sinti de Auschwitz, informados de que seriam exterminados, se recusaram a sair dos barracões, improvisando barricadas com ferramentas e paus. Embora a execução tenha sido adiada, a repressão foi inevitável semanas depois.
Reconhecimento e memória internacional
O sofrimento e o extermínio Romani durante a Segunda Guerra Mundial foram por muito tempo invisibilizados. Somente em 2015, o Parlamento Europeu reconheceu oficialmente o genocídio de Roma e declarou 2 de agosto como Dia Europeu de Memória do Holocausto Roma.
A OSCE/ODIHR (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa / Escritório para Instituições Democráticas e Direitos Humanos) destaca anualmente que lembrar o Porajmos é fundamental para combater o antigitanismo, o racismo e a intolerância religiosa que ainda afetam comunidades Roma e Sinti em todo o mundo.
Lembrar para nunca mais repetir
A data de 2 de agosto não é apenas um marco histórico — é um alerta. Em tempos de crescente intolerância, reconhecer a memória das vítimas é também lutar pela dignidade e pelos direitos humanos.
O Porajmos nos lembra que genocídios começam com discriminação, desumanização e silêncio. Romper esse silêncio é um dever coletivo. Nunca mais deve significar para todos os povos, em todos os tempos.
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