Seis pessoas morreram em um ataque a tiros ao “Boteco Du Mi”, no bairro Ponto Chic, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na noite de domingo (9). Entre os mortos está Júlio César Ornelas de Lemos, de 53 anos, filho do diretor-presidente do jornal Hora H. Outras cinco vítimas também foram baleadas e morreram, incluindo uma mulher que passava pelo local no momento do crime.
As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que apura a autoria e a motivação do ataque. Até o momento, não há informações confirmadas sobre prisões relacionadas ao caso.
Quem são as vítimas
As vítimas fatais identificadas são:
- Júlio César Ornelas de Lemos, 53 anos
- Fagner Ribeiro de Paiva, 43 anos
- Ramon Nunes Toledo, 21 anos
- Lucas Omena Oliveira, 21 anos
- Flávio Alves de Lemos, 58 anos
- Ana Cristina dos Santos, 57 anos
Segundo a Polícia Militar, Ana Cristina dos Santos chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Geral do município, mas não resistiu. Ainda de acordo com a PM, Jéssica Lorena Sampaio, de 34 anos, foi atingida na perna por bala perdida, recebeu atendimento médico e teve alta.
Prisão em 2019 e suspeita de homicídio em 2017
O caso também chama atenção pelo histórico atribuído a Júlio. Em 2019, ele chegou a ser preso enquanto trabalhava como gerente de um hotel em Porto Seguro, no sul da Bahia. Na ocasião, era suspeito de ter matado um casal em Nova Iguaçu, em 2017. O material repassado não informa o desfecho judicial desse episódio.
Execução do irmão em 2013 e menção a milícia em denúncia do MP
Outro ponto citado no histórico familiar é a morte de José Roberto Ornelas de Lemos, o Betinho, irmão de Júlio. Em 2013, Betinho foi executado com pelo menos 44 tiros. Ele foi baleado em uma padaria na Rua Eduardo Pacheco Vilena, no bairro Corumbá, também em Nova Iguaçu, e levado por amigos ao Hospital da Posse. O caso foi registrado na 58ª DP (Posse).
Betinho era diretor financeiro do Hora H e, segundo o material informado, já havia sido preso sob suspeita de chefiar um grupo de extermínio acusado de executar, em 2002, Kenedi Jaime de Souza, então subsecretário de Governo e presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura de São João de Meriti. Ele negou participação e obteve na Justiça o direito de responder em liberdade.
Ainda segundo denúncia do Ministério Público mencionada no conteúdo enviado, o assassinato de Betinho teria ocorrido porque ele não permitia a expansão de uma milícia no bairro Corumbá e ameaçava denunciar, no jornal, crimes atribuídos à organização criminosa. Os acusados foram presos em 2015. Não há, até aqui, confirmação de relação entre esse histórico e o ataque atual, e a DHBF investiga a motivação do massacre.
O que falta esclarecer
A polícia busca entender se o ataque teve alvo específico, se houve execução direcionada ou se as vítimas foram atingidas de forma indiscriminada, além de identificar os autores e a dinâmica do crime. Informações como velório e sepultamento das vítimas também não constam como confirmadas no material repassado.
Nota pública da ComCausa – Pela paz e pela vida na Baixada Fluminense
A ComCausa manifesta profunda solidariedade às famílias e pessoas afetadas pelo ataque a tiros ocorrido em Nova Iguaçu, que resultou na morte de seis pessoas e deixou outras feridas. Cada vida perdida representa uma ruptura irreparável e reforça a urgência de enfrentar a violência armada que atinge, de forma recorrente, a Baixada Fluminense.
O massacre evidencia a vulnerabilidade cotidiana de quem vive e circula pelo território e expõe falhas históricas na garantia de segurança pública, prevenção da violência e proteção da vida. A naturalização de chacinas e execuções não pode ser aceita como parte do cotidiano.
A ComCausa defende que a resposta a crimes dessa gravidade deve ir além da investigação pontual. É fundamental assegurar apuração rigorosa, transparência e responsabilização dos autores, ao mesmo tempo em que se fortalecem políticas públicas de prevenção, inteligência, controle de armas e cuidado com as populações mais expostas à violência.
Reafirmamos nosso compromisso com a Defesa da Vida, com os direitos humanos e com a construção de uma cultura de paz. A Baixada Fluminense precisa de investimento social, presença do Estado que proteja — e não apenas reprima — e ações contínuas que interrompam ciclos de violência.
Não há desenvolvimento possível sem segurança, não há segurança sem justiça, e não há justiça sem a centralidade da vida.
ComCausa
Pela vida. Pela paz. Pela Baixada Fluminense.
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