Véspera dos 37 anos da REBIO Tinguá destaca patrimônio vivo da Baixada

Rebio - Tinguá

A Reserva Biológica do Tinguá completa 37 anos nesta sexta-feira (22) consolidada como um dos mais importantes patrimônios ambientais da Baixada Fluminense e do estado do Rio de Janeiro. Criada pelo Decreto nº 97.780, em 23 de maio de 1989, a unidade federal de proteção integral nasceu com a missão de preservar uma das áreas mais importantes da Mata Atlântica fluminense, protegendo fauna, flora, mananciais e ecossistemas fundamentais para o abastecimento hídrico da região.

Com 24.812,90 hectares, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a REBIO Tinguá ocupa áreas de Nova Iguaçu e municípios do entorno da Serra do Mar, formando um dos maiores remanescentes contínuos de Mata Atlântica no estado. A reserva abriga rios, nascentes, cachoeiras e áreas de floresta densa que desempenham papel estratégico para milhões de pessoas que vivem na Baixada Fluminense.

Ao longo das últimas décadas, a unidade passou a ser reconhecida não apenas como território de preservação ambiental, mas também como espaço de memória coletiva, identidade regional e proteção climática. Em uma região historicamente marcada pela expansão urbana desordenada, pela degradação ambiental e pela precariedade do saneamento básico, a preservação de Tinguá tornou-se elemento central para o equilíbrio ecológico da Baixada.

A importância hídrica da reserva é um de seus principais símbolos. Diversas captações de água localizadas na área abastecem municípios da região, fazendo com que a floresta seja frequentemente chamada de “caixa d’água da Baixada”. A proteção da cobertura vegetal ajuda a manter nascentes, reduzir processos de erosão, preservar a qualidade da água e regular o clima em uma região cada vez mais impactada pelo aumento das temperaturas e pelos efeitos das mudanças climáticas.

Especialistas e ambientalistas alertam que a preservação da Mata Atlântica tem relação direta com a prevenção de desastres ambientais, enchentes, deslizamentos e crises hídricas. Em um cenário de eventos climáticos extremos mais frequentes, áreas protegidas como a REBIO Tinguá assumem papel estratégico para a segurança ambiental e urbana da população.

A reserva também possui relevância científica internacional. O território abriga espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção, além de servir como espaço de pesquisa, monitoramento ambiental e educação ecológica. A biodiversidade preservada na unidade contribui para a manutenção de corredores ecológicos fundamentais para a sobrevivência de espécies típicas da Mata Atlântica.

Além da dimensão ambiental, Tinguá carrega forte significado histórico e cultural. O território guarda memórias ligadas à ocupação da Serra do Mar, antigas rotas ferroviárias, caminhos históricos do período imperial e modos de vida tradicionais relacionados à floresta e aos recursos naturais. Comunidades do entorno mantêm relação histórica com o território, seja através da agricultura, da cultura popular, do turismo ecológico ou das lutas em defesa do meio ambiente.

O reconhecimento dessa importância ganhou novo capítulo em 2025, quando a Reserva Biológica do Tinguá foi declarada Patrimônio Paisagístico, Turístico e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro pela Lei Estadual nº 11.043/2025. A medida ampliou o reconhecimento oficial sobre o valor ambiental, simbólico e cultural da unidade para o estado.

A celebração dos 37 anos da reserva também ocorre em meio aos desafios permanentes de conservação. Apesar do status de proteção integral, a região ainda enfrenta ameaças relacionadas a ocupações irregulares, queimadas, caça ilegal, descarte irregular de resíduos, pressão urbana e crimes ambientais. Organizações ambientais e moradores defendem ampliação da fiscalização, fortalecimento das políticas de conservação e maior investimento em educação ambiental.

A criação da REBIO Tinguá, em 1989, ocorreu em um contexto de avanço das políticas de preservação ambiental após a Constituição Federal de 1988, que consolidou o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito coletivo. Desde então, a unidade tornou-se referência na defesa da Mata Atlântica em uma das regiões mais populosas do país.

Às vésperas de completar quase quatro décadas de existência, a Reserva Biológica do Tinguá segue como símbolo da relação entre floresta, água, clima e vida na Baixada Fluminense. Mais do que uma área protegida, o território representa um patrimônio vivo que conecta biodiversidade, memória ambiental e futuro sustentável para a região.

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