ComCausa terá reunião na Prefeitura de São João de Meriti para fortalecer pauta do Museu João Cândido

Inauguração Museu João Cândido

Após ser recebida no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — IPHAN, a ComCausa dará continuidade à articulação pelo fortalecimento do Museu Municipal Marinheiro João Cândido, em São João de Meriti. O próximo passo será uma reunião na Prefeitura de São João de Meriti para tratar da importância histórica, cultural, patrimonial e social do espaço dedicado à memória do Almirante Negro.

O encontro contará com a presença de uma arquiteta da Prefeitura de Meriti, que estará aguardando a equipe para dialogar sobre aspectos técnicos relacionados ao museu, e também com a participação do coordenador de Igualdade Racial, Frei Tatá. A presença da área de Igualdade Racial reforça que a pauta não se limita à preservação de um prédio ou equipamento cultural, mas envolve uma agenda mais ampla de memória negra, reparação histórica, enfrentamento ao racismo e valorização da população afro-brasileira.

A reunião na Prefeitura representa um momento importante porque aproxima a articulação nacional, iniciada com o IPHAN, da realidade local do território onde o museu está instalado. Para a ComCausa, qualquer proposta de fortalecimento do Museu João Cândido precisa ser construída com diálogo institucional, participação social e envolvimento direto do município.

Um museu com valor histórico e simbólico

O Museu Marinheiro João Cândido, localizado no Morro do Embaixador, no bairro Vila São José, foi inaugurado em 6 de dezembro de 2024 e apresentado como o primeiro museu municipal de São João de Meriti dedicado à preservação da memória do Almirante Negro e à valorização da cultura afro-brasileira. Mais do que um equipamento cultural, o espaço representa um marco de pertencimento, reconhecimento, reparação e futuro para a Baixada Fluminense.

João Cândido Felisberto liderou, em 1910, a Revolta da Chibata, movimento protagonizado por marinheiros majoritariamente negros, pobres e oriundos das camadas populares, que se insurgiram contra os castigos corporais, as chibatadas, as condições degradantes de trabalho e práticas de violência herdadas do período escravista dentro da Marinha brasileira.

Por isso, preservar sua memória é também reconhecer uma parte fundamental da história brasileira que, durante muito tempo, foi apagada, marginalizada ou tratada de forma secundária pelas narrativas oficiais.

São João de Meriti como território de memória

A importância da reunião na Prefeitura também está ligada ao fato de que São João de Meriti não é apenas o local onde o museu foi instalado. O município faz parte da trajetória de João Cândido. O Almirante Negro viveu por décadas em São João de Meriti até sua morte, em 1969, tornando a cidade parte concreta de sua biografia, de sua resistência e de sua memória social.

Essa relação dá ao município uma responsabilidade histórica especial. Ao cuidar da memória de João Cândido, São João de Meriti fortalece sua própria identidade como território de resistência, cultura, população negra, memória popular e luta por dignidade.

A Baixada Fluminense, muitas vezes retratada apenas por seus problemas sociais, também é espaço de produção cultural, organização comunitária, religiosidade, movimentos sociais, juventude criativa e comunicação popular. O Museu João Cândido ajuda a deslocar essa narrativa, mostrando a Baixada como território de potência, história, cultura e protagonismo negro.

Educação patrimonial e igualdade racial

A presença do coordenador de Igualdade Racial, Frei Tatá, tem significado importante nesse processo. A memória de João Cândido dialoga diretamente com políticas de promoção da igualdade racial, educação antirracista e combate ao apagamento histórico de lideranças negras.

A proposta defendida pela ComCausa é que o museu seja fortalecido como espaço vivo, capaz de receber estudantes, professores, pesquisadores, movimentos sociais, jovens, agentes culturais e moradores da Baixada. O local pode se tornar referência para visitas escolares, rodas de conversa, exposições, oficinas, produção audiovisual, formação de educadores e ações de educação patrimonial.

Esse caminho transforma o museu em instrumento pedagógico. Ele deixa de ser apenas um lugar de lembrança e passa a ser um espaço de formação cidadã, onde novas gerações podem aprender sobre a Revolta da Chibata, o pós-abolição, o racismo institucional, a luta por direitos e a contribuição da população negra para a história do Brasil.

Reparação histórica e política pública

Para a ComCausa, fortalecer o Museu João Cândido é também avançar em uma agenda de reparação histórica. João Cândido foi perseguido, preso, marginalizado e submetido ao apagamento depois de liderar uma luta por dignidade e contra práticas violentas herdadas da escravidão.

O reconhecimento de sua memória não pode ficar restrito a homenagens pontuais ou datas comemorativas. É necessário criar condições para que essa história seja preservada, ensinada, difundida e incorporada às políticas públicas de cultura, educação, patrimônio e igualdade racial.

A ação da ComCausa nessa pauta se insere em um processo mais amplo de comunicação comunitária, mobilização social, educação patrimonial, produção de conteúdos, campanhas públicas e articulação com movimentos sociais e instituições. Segundo documento de qualificação da ação, a iniciativa contribui para consolidar o Museu Marinheiro João Cândido como espaço de memória, educação, cultura e reparação histórica na Baixada Fluminense.

Próximos encaminhamentos

Durante a reunião na Prefeitura de São João de Meriti, a expectativa é avançar no levantamento de informações sobre a situação do museu, suas necessidades técnicas, possibilidades de preservação, ações educativas e formas de cooperação institucional.

A ComCausa também pretende reunir elementos para a elaboração de uma proposta formal ao IPHAN, incluindo apoio técnico, preservação do espaço, organização de acervo, digitalização de documentos, construção de inventário de memória, ações com escolas e articulação com movimentos sociais, pesquisadores e instituições públicas.

O encontro marca mais uma etapa de uma construção que une memória, território e política pública. Ao aproximar Prefeitura, IPHAN, ComCausa, área de Igualdade Racial e atores locais, a pauta do Museu João Cândido ganha força para se transformar em uma agenda permanente de valorização da história negra brasileira.

Mais do que preservar o passado, fortalecer o Museu João Cândido significa afirmar um compromisso com o presente e com o futuro: reconhecer a dignidade de quem lutou contra a violência, enfrentar o apagamento histórico e fazer da Baixada Fluminense uma referência nacional de memória, cultura, educação patrimonial e reparação histórica.

Imagem de capa ilustrativa: acervo ComCausa

Leia também

Justiça condena Marinha por ataques à memória de João Cândido

| Fale conosco! | Nos conheça

| Projeto Comunicando ComCausa

| Portal C3 | Instagram C3 Oficial

______________________

Comunicando ComCausa Pêmio Periferia Viva Ministério Cidades 2025

______________________

Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

Pix ComCausa

______________________

Compartilhe: