A Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro é uma das principais mobilizações do calendário antirracista e feminista fluminense. Realizada anualmente no último domingo de julho, a marcha reúne coletivos, lideranças comunitárias, organizações sociais, mulheres de terreiro, quilombolas, moradoras de favelas, mães vítimas da violência de Estado, juventudes negras e defensoras de direitos humanos em torno de uma pauta comum: enfrentar o racismo, denunciar as desigualdades e afirmar o direito ao Bem Viver.
Em 2025, a 11ª Marcha das Mulheres Negras do Rio ocupou a orla de Copacabana, com concentração na Praça do Lido, sob o lema “Contra o racismo, por justiça e Bem Viver”. A mobilização aconteceu no dia 27 de julho, data simbólica também por marcar o aniversário de nascimento de Marielle Franco, vereadora negra assassinada em 2018 e transformada em referência nacional e internacional de resistência política.
Para 2026, a data oficial da edição no Rio de Janeiro ainda não foi confirmada publicamente. Considerando a tradição informada pelas mobilizações anteriores — realização no último domingo de julho — a expectativa é que o ato possa ocorrer em torno de 26 de julho de 2026, mas a confirmação deve ser feita pelos canais oficiais das organizadoras.
Mais do que uma caminhada, a Marcha das Mulheres Negras é um ato político, cultural e de memória. Ela denuncia a violência racial e de gênero, cobra políticas públicas de reparação histórica e exige que o Estado brasileiro reconheça o papel das mulheres negras na construção do país. A agenda dialoga com a mobilização nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que teve grande marco em 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras marcharam em Brasília contra o racismo e a violência.
A pauta da reparação ganhou ainda mais força após a Marcha Nacional de 2025, em Brasília, que colocou no centro do debate temas como a PEC da Reparação, a ampliação da participação política de mulheres negras, o enfrentamento à violência de Estado, a valorização dos territórios negros e a construção de políticas públicas voltadas à dignidade, renda, moradia, saúde, educação e segurança.
No Rio, a marcha também carrega uma dimensão própria: a denúncia contra o genocídio da população negra, a violência policial nas favelas e periferias, o racismo religioso, a desigualdade no acesso à cidade e a invisibilização das mulheres negras nos espaços de decisão. Em 2025, o ato reuniu caravanas, coletivos culturais, movimentos sociais e lideranças de diferentes regiões do estado, transformando Copacabana em território de afirmação, memória e resistência.
Enquanto a data de 2026 não é oficialmente divulgada, movimentos e organizações seguem em articulação. A expectativa é que a próxima edição mantenha o chamado por justiça racial, reparação histórica e Bem Viver, fortalecendo a presença das mulheres negras nas ruas, nas políticas públicas e nos espaços de poder.
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