O longa-metragem “O Deserto de Luiza”, escrito e dirigido pelo cineasta Alan Minas, chega ao Festival do Rio 2026 depois de realizar sua estreia mundial no 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. No evento carioca, o filme integra a Première Brasil – Competição Novos Rumos e terá sua première latino-americana, segundo informações divulgadas pelo Festival do Rio .
A produção terá três exibições entre os dias 4 e 6 de outubro, em salas da Gávea e de Botafogo, no Rio de Janeiro. A sessão de segunda-feira (5), às 16h15, no Estação Claro Rio 5, será seguida de debate, ampliando a conversa com o público sobre a realização do filme e os temas presentes na história.
A venda virtual dos ingressos avulsos começa na quarta-feira, 30 de setembro, às 14h, pelo site do Festival do Rio e pela plataforma Ingresso.com . A data, segundo a organização, corrige uma informação divulgada anteriormente sobre o início da comercialização.
Adolescência atravessada por mudanças
Com 101 minutos de duração, “O Deserto de Luiza” acompanha a vida de Luiza, uma adolescente carioca de 15 anos que encontra no desenho uma de suas principais formas de expressão.
Tímida, ela passa a integrar um grupo de grafite da escola e, aos poucos, descobre novas possibilidades de convivência e de criação. Nesse ambiente, também se aproxima de Tomaz enquanto experimenta afetos, conflitos e transformações próprios da adolescência.
A arte ocupa um lugar importante no desenvolvimento da personagem. Mais do que um interesse pessoal, o desenho e o grafite aparecem ligados à maneira como Luiza observa o mundo, constrói vínculos e busca espaço para expressar sentimentos que nem sempre consegue colocar em palavras.
Esse processo de descoberta, no entanto, é atravessado por uma crise dentro de casa.
A rotina da adolescente muda quando sua mãe, Soraia, sofre um surto psicótico que altera profundamente a organização da família. Com o pai cada vez mais ausente e a irmã mais nova indo morar com uma tia, Luiza passa a assumir responsabilidades que antes não pertenciam ao seu cotidiano.
A jovem deixa de enfrentar apenas os dilemas comuns à sua idade e passa a lidar também com tarefas de cuidado e com as consequências emocionais da situação vivida pela mãe.
Quando filha também passa a cuidar
A mudança na dinâmica familiar coloca Luiza diante de uma inversão de papéis. Enquanto ainda tenta entender os próprios sentimentos e construir sua autonomia, a adolescente precisa lidar com problemas que exigem dela uma responsabilidade incomum para sua idade.
O filme acompanha essa transformação sem abandonar o ponto de vista da protagonista. A crise familiar interfere em suas amizades, nos afetos, na relação com a própria juventude e na maneira como ela passa a enxergar o futuro.
Medo, solidão e preconceito aparecem entre os conflitos enfrentados pela personagem. Ao mesmo tempo, Luiza busca preservar espaços em que ainda possa ser apenas uma adolescente, experimentar novas relações e descobrir quem deseja ser.
Nesse percurso, a arte funciona como parte de sua construção de identidade. O grafite e o desenho ajudam a estabelecer um contraste entre as pressões do ambiente familiar e a possibilidade de criar algo próprio.
Saúde mental também atravessa a protagonista
Além da condição vivida pela mãe, a história aborda os impactos que uma situação de sofrimento psíquico pode produzir nas relações familiares.
De acordo com a apresentação internacional do longa citada no material de divulgação, Luiza passa a temer que possa enfrentar os mesmos problemas de saúde mental da mãe. A possibilidade provoca insegurança e contribui para uma crise emocional da personagem.
O conflito amplia o alcance da narrativa. A saúde mental não aparece somente como uma experiência individual de Soraia, mas como uma questão que modifica relações, responsabilidades e expectativas dentro da família.
O longa também coloca no centro da história o olhar de uma adolescente que tenta compreender uma realidade para a qual nem sempre encontra respostas.
Sem abandonar seus desejos, Luiza precisa encontrar formas de conviver com o medo e com as mudanças ao redor enquanto continua seu próprio processo de formação.
De Xangai para as telas do Rio
Antes da apresentação ao público brasileiro, “O Deserto de Luiza” teve
sua estreia mundial no 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, realizado na China em 2026.
A participação no evento internacional antecede agora a première latino-americana do longa no Festival do Rio , onde a produção integra uma das mostras competitivas dedicadas ao cinema brasileiro.
Na programação carioca, o filme participa da Competição Novos Rumos da Première Brasil, ao lado de outros longas nacionais.
A chegada ao Rio representa também o encontro da produção com o público da cidade onde se passa a trajetória de sua personagem principal.
Produção reúne nomes do cinema brasileiro
“O Deserto de Luiza” é uma produção da Caraminhola Filmes. Daniela Vitorino responde pela produção e pela produção executiva, enquanto Alan Minas assina roteiro e direção.
A equipe técnica reúne Bernardo Ritcher na direção de fotografia, Alexandre Taira na montagem, Oswaldo Eduardo Lioi na direção de arte e Clower Curtis na música.
No elenco estão Nina Prado, Daniela Fontan, André Luiz Miranda, Thelmo Fernandes e Veronica Debom, conforme as informações divulgadas sobre o longa.
A combinação entre uma história de formação, os conflitos familiares e o papel da arte estrutura a narrativa conduzida por Minas.
Alan Minas retoma temas de sua filmografia
“O Deserto de Luiza” também dialoga com temas presentes em outros trabalhos do diretor.
Alan Minas escreveu e dirigiu “A Família Dionti”, lançado em 2015. O longa acompanha dois irmãos e o pai em uma narrativa que combina relações familiares, primeiro amor e elementos de realismo fantástico.
“A Família Dionti” recebeu o prêmio do Júri Popular de Melhor Longa-Metragem no Festival de Brasília de 2015, reconhecimento definido pela votação do público, segundo informação do Correio Braziliense citada no material encaminhado.
Outro trabalho do cineasta, o documentário “Você Não Sabia de Mim”, de 2021, aproxima sua trajetória das discussões sobre saúde mental.
A obra acompanha personagens a partir de memórias e reflexões relacionadas ao sofrimento mental, ao amor, à solidão e à invisibilidade.
Em “O Deserto de Luiza”, alguns desses temas retornam sob outra perspectiva. Desta vez, o público acompanha uma adolescente que observa a transformação da mãe e, ao mesmo tempo, percebe mudanças em sua própria vida.
O conflito familiar não funciona apenas como cenário. Ele interfere diretamente na autonomia de Luiza, nas relações afetivas e na maneira como a jovem constrói a própria identidade.
Três sessões no Festival do Rio
A primeira exibição de “O Deserto de Luiza” no festival está marcada para domingo, 4 de outubro, às 18h45, no Estação Claro Gávea.
Segundo a programação informada pelo Festival do Rio , a apresentação contará com presença de convidados.
Na segunda-feira, 5 de outubro, o filme será exibido às 16h15 no Estação Claro Rio 5, na Rua Voluntários da Pátria, 35, em Botafogo. A sessão será seguida de debate.
A conversa após a exibição oferece ao público a possibilidade de aprofundar questões relacionadas à produção e aos temas abordados na obra.
Uma terceira sessão está prevista para terça-feira, 6 de outubro, às 13h45, no Cinesystem Belas Artes Botafogo 5. Essa exibição consta no material de divulgação encaminhado pela produção.
Venda de ingressos começa em 30 de setembro
Quem pretende acompanhar as sessões deve observar a abertura da venda de ingressos avulsos.
A comercialização pela internet começa na quarta-feira, 30 de setembro, a partir das 14h, pelo site do Festival do Rio e pelo site e aplicativo da Ingresso.com
As bilheterias dos cinemas participantes também começam a vender ingressos avulsos no mesmo dia. A exceção informada pela organização é o Cine Odeon, cuja venda presencial está prevista para começar em 2 de outubro.
Os ingressos individuais custam R$ 32 a inteira e R$ 16 a meia-entrada, conforme os valores divulgados pelo Festival do Rio. Nas compras realizadas pela internet pode haver cobrança de taxa.
Os pacotes de quatro e oito ingressos começaram a ser vendidos anteriormente. Os códigos desses pacotes poderão ser utilizados para a escolha das sessões a partir de 30 de setembro, de acordo com a disponibilidade de lugares.
O Festival do Rio 2026 acontece de 1º a 11 de outubro e reúne produções brasileiras e internacionais, além de estreias, debates e atividades especiais em diferentes salas da cidade.
Serviço
O Deserto de Luiza – Festival do Rio 2026
4 de outubro às 18h45 — Estação Claro Gávea
5 de outubro às 16h15 — Estação Claro Rio 5 — sessão seguida de debate
6 de outubro às 13h45 — Cinesystem Belas Artes Botafogo 5 — sessão informada pelo material de divulgação da produção
Venda virtual de ingressos avulsos: 30 de setembro a partir das 14h
Onde comprar: site do Festival do Rio e site ou aplicativo da Ingresso.com
Valores informados: R$ 32 inteira e R$ 16 meia-entrada
Festival do Rio 2026: 1º a 11 de outubro
imagem do próprio cineasta Alan Minas.
Matéria por: Julha Chaves
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