Seminário Tambores da Baixada celebra ancestralidade e resistência cultural em Duque de Caxias

Tambores Maracatu

O município de Duque de Caxias recebe, nesta sexta-feira (9) e no sábado (10) de outubro de 2026, o Seminário Tambores da Baixada – Sons, Afetos e Identidades, encontro dedicado à valorização das ancestralidades, da memória coletiva e das manifestações culturais que ajudam a construir a identidade da Baixada Fluminense. A programação será realizada na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FEBF/UERJ) e no CIEP 201, reunindo palestras, mesas de debate, apresentações artísticas, oficinas e atividades de integração cultural. Com curadoria de Nielson Bezerra e coordenação de Marta Ferreira, o seminário propõe um espaço de encontro, escuta e partilha entre mestres de tradição, educadores, pesquisadores, artistas, coletivos culturais e comunidades. A proposta é reconhecer os tambores não apenas como instrumentos musicais, mas como expressões de memória, comunicação, resistência, cuidado e organização da vida coletiva.

A iniciativa parte do reconhecimento de que a Baixada Fluminense é um território marcado por múltiplas ancestralidades, cujos saberes continuam presentes nas práticas religiosas, nas manifestações artísticas, nas celebrações populares e nas relações comunitárias. Ao reunir diferentes experiências e gerações, o encontro procura demonstrar como essas tradições permanecem vivas e continuam produzindo conhecimentos, fortalecendo vínculos e criando novas formas de pertencimento.

Abertura terá Carolina Rocha e atividades culturais na FEBF/UERJ

A programação começa nesta sexta-feira, 9 de outubro, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ), localizada na Rua Manuel Rabelo, s/n, Vila São Luís, em Duque de Caxias. Entre 18h e 21h, o público poderá acompanhar a palestra de abertura com Carolina Rocha, apresentada como Dindara Suburbana, além de apresentações culturais, lançamento de livros e um coquetel de recepção. A participação de Carolina Rocha integra a proposta de abrir um espaço de reflexão sobre ancestralidade, identidade e cultura popular, aproximando diferentes trajetórias de produção de conhecimento. A presença de artistas e pesquisadores na universidade também evidencia a importância da articulação entre os saberes acadêmicos e as experiências construídas nas comunidades, especialmente quando o tema envolve práticas culturais transmitidas ao longo de gerações.

Samba e periferia estarão no centro dos debates

No sábado, 10 de outubro, a programação será realizada no CIEP 201, na Avenida General Carlos de Medeiros, 82, em São Bento/Parque Fluminense, Duque de Caxias. Um dos destaques será a participação de Alessandra Tavares, convidada para abordar o tema “Samba e periferia: um movimento social em ritmo de tambor”, em atividade anunciada para as 9h30. A discussão coloca em evidência o samba como uma manifestação que ultrapassa sua dimensão musical. Ao longo da história brasileira, rodas de samba, agremiações carnavalescas e encontros comunitários também se constituíram como espaços de sociabilidade, preservação da memória e construção de identidades coletivas.

Nas periferias urbanas, essas experiências culturais frequentemente representam formas de organização popular, criação artística e afirmação de pertencimento territorial. O debate proposto pelo seminário possibilita refletir sobre o papel dos tambores na formação dessas expressões e sobre a maneira como o samba se relaciona com a história das populações negras, com os territórios populares e com diferentes movimentos sociais. Essa abordagem também ajuda a compreender a importância das manifestações culturais para o fortalecimento de vínculos comunitários e a valorização das histórias que nem sempre encontram espaço nas narrativas oficiais.

Gabriel Gomes abordará as relações indígenas e africanas no samba

Também no sábado, às 9h30, está anunciada a participação de Gabriel Gomes, com o tema “Relações indígenas e africanas nas formas culturais do samba”. A atividade pretende ampliar a reflexão sobre as diferentes matrizes que contribuíram para a formação das expressões musicais brasileiras, destacando o encontro de saberes, ritmos, práticas e tradições culturais. O samba brasileiro está ligado a processos históricos complexos, especialmente às experiências das populações negras e às transformações sociais e culturais ocorridas ao longo dos séculos.

A discussão sobre as relações indígenas e africanas permite observar como diferentes referências culturais participaram da construção de práticas artísticas e formas de sociabilidade que continuam presentes no cotidiano brasileiro. Ao tratar dessas influências, o seminário também destaca a necessidade de reconhecer os conhecimentos tradicionais e a contribuição histórica de povos frequentemente invisibilizados. Os cartazes divulgados anunciam Alessandra Tavares e Gabriel Gomes para o mesmo horário, sem especificar a ordem das participações ou se as atividades ocorrerão simultaneamente.

Oficinas vão reunir Umbanda, Candomblé, Jongo, Samba, Funk, Maracatu e Capoeira

Além das palestras e mesas de debate, a programação de sábado contará com oficinas que relacionam os tambores a diferentes manifestações culturais e religiosas. Estão previstas atividades sobre os tambores e a Umbanda, o Candomblé, o Jongo, o Samba, o Funk, o Maracatu e a Capoeira. A diversidade dos temas permite compreender como instrumentos de percussão assumem diferentes significados, dependendo do contexto cultural, histórico e comunitário em que estão inseridos. Nas religiões de matriz africana, por exemplo, os tambores integram práticas rituais e formas de transmissão de conhecimentos, desempenhando funções que ultrapassam o acompanhamento musical.

No jongo, os tambores estão associados ao canto, à dança e à memória das populações negras, mantendo vínculos com experiências históricas de resistência cultural. Já no samba, no maracatu e na capoeira, a percussão participa da construção de linguagens artísticas e formas coletivas de expressão que atravessam gerações. O funk também integra a programação, ampliando a discussão para as manifestações culturais contemporâneas das periferias. Suas bases rítmicas e práticas de criação musical mostram como novas gerações continuam produzindo identidades e formas de expressão a partir de suas experiências territoriais. A aproximação entre essas diferentes tradições reforça um dos principais objetivos do seminário: reconhecer os tambores como elementos capazes de conectar pessoas, histórias, comunidades e tempos distintos.

Patrimônio cultural e memória das populações negras

A programação dialoga com o reconhecimento institucional de diferentes manifestações culturais afro-brasileiras como parte do patrimônio cultural do país. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro, o Jongo no Sudeste, a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira integram o conjunto de bens culturais registrados como patrimônio imaterial brasileiro. O Jongo no Sudeste recebeu o registro de Patrimônio Cultural do Brasil em 2005, reconhecimento posteriormente revalidado em setembro de 2024. A manifestação reúne percussão, dança coletiva, cantos e saberes transmitidos entre gerações, mantendo uma relação direta com a memória das populações negras. Esse reconhecimento demonstra a importância da preservação das práticas culturais tradicionais e da participação das próprias comunidades nos processos de valorização de seu patrimônio. Ao promover debates e oficinas sobre diferentes manifestações, o Seminário Tambores da Baixada contribui para ampliar o acesso a essas discussões e fortalecer o diálogo entre a produção acadêmica e os conhecimentos populares.

Baixada Fluminense como território de produção cultural

A realização do seminário em Duque de Caxias também chama atenção para a importância da Baixada Fluminense como território de produção cultural, pesquisa histórica e preservação de memórias comunitárias. A região reúne manifestações que se expressam em rodas de samba, grupos de capoeira, terreiros, coletivos artísticos, movimentos culturais e iniciativas comunitárias. Essas experiências revelam que a produção de conhecimento não está restrita às instituições formais de ensino. Ela também acontece nos quintais, nas ruas, nas celebrações, nos encontros entre gerações e nos espaços de convivência coletiva. Nesse sentido, aproximar universidades, artistas, pesquisadores e comunidades representa uma oportunidade de reconhecer diferentes maneiras de produzir e transmitir saberes. A proposta do Seminário Tambores da Baixada é justamente estimular esse encontro, valorizando tanto a pesquisa acadêmica quanto as experiências de pessoas e grupos que mantêm vivas tradições culturais em seus territórios. O diálogo também contribui para enfrentar preconceitos históricos relacionados às manifestações afro-brasileiras e às expressões culturais das periferias.

Programação inclui apresentações culturais e encontro de tambores

O segundo dia do seminário terá atividades das 8h às 18h. A programação anunciada prevê café da manhã, apresentações culturais, mesa-redonda, oficinas, almoço e um encontro de tambores, que marcará o encerramento das atividades. O encontro de tambores previsto para o encerramento representa um dos momentos de integração da programação, reunindo diferentes manifestações culturais em torno da musicalidade, da memória e da celebração das ancestralidades. Mais do que apresentar ritmos e tradições, a proposta do evento é estimular o reconhecimento das histórias e dos conhecimentos que continuam presentes nas comunidades da Baixada Fluminense.

Organização e instituições apoiadoras

O Seminário Tambores da Baixada tem curadoria de Nielson Bezerra e coordenação de Marta Ferreira. A realização conta com A Cor da Baixada e uma organização cultural identificada nos materiais de divulgação como parceira realizadora. Entre os apoios apresentados estão o Departamento de História (DEPHIS), a Varanda Cultural Abolição, a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ), o Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação (PPGECC) e outros coletivos e iniciativas culturais.

A articulação entre essas instituições contribui para fortalecer espaços dedicados à pesquisa, ao reconhecimento das identidades culturais e à preservação das memórias de diferentes comunidades. Ao promover o encontro entre tradição e contemporaneidade, o seminário reafirma que as ancestralidades não pertencem apenas ao passado. Elas continuam presentes na música, nos corpos, nos territórios e nas formas de organização coletiva. Na Baixada Fluminense, os tambores permanecem como expressões de identidade, comunicação e resistência, conectando histórias, fortalecendo pertencimentos e contribuindo para a construção de novos caminhos culturais.

Serviço

Sexta-feira — 9 de outubro

Horário: 18h às 21h

Local: FEBF/UERJ — Rua Manuel Rabelo, s/n, Vila São Luís, Duque de Caxias.

Programação: palestra com Carolina Rocha (Dindara Suburbana), apresentações culturais, lançamento de livros e coquetel de abertura.

Sábado — 10 de outubro

Horário: 8h às 18h

Local: CIEP 201 — Avenida General Carlos de Medeiros, 82, São Bento/Parque Fluminense, Duque de Caxias.

Programação: palestras com Alessandra Tavares e Gabriel Gomes, mesas de debate, apresentações culturais, oficinas, feijoada e encontro de tambores.

Inscrições

Link disponível na biografia do perfil @gpec_acordabaixada no Instagram.

 

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