Artista Plástico de São João de Meriti luta pelas causas sociais

Morador do morro do Conceito, em São João de Meriti, Marcondes, o Mestre de Capoeira do Grupo Capoeira do Coração, sentia que ainda faltava algo em sua vida. Foi o primeiro de sua família a se formar em uma Universidade Pública (UFRRJ), cursou Educação Física e posteriormente Ensino da Arte.

Atualmente atua como professor no Centro Cultural Meritiense dando aulas de pintura. Seu portfólio ultrapassa 400 quadros, que foram vendidos para países como Alemanha, Portugal e Luxemburgo. Para ele, suas conquistas fogem muito da realidade da maioria dos homens pretos de sua região.

FOTO/DIVULGAÇÃO: No ano passado, estreou no museu da Maré a exposição Tempos de Marielle, retratando a trajetória da vereadora que foi brutalmente assassinada em 2018. “Aquilo foi tudo pra mim. Mudei radicalmente de vida, percebi que a arte me renovou, me fez ser mais humano. Já pintei mais de 10, 20 quadros dela”, disse.

“A minha arte nunca foi decorativa, sempre teve função. Ela é somente uma estratégia para que eu tenha acesso ao palco e possa dar voz sobre o que a população preta, pobre, das periferias sofre dentro dessa sociedade desigual. Uma das formas de protesto e ao mesmo tempo de solidariedade com as famílias destruídas pela violência é a homenagem através da pintura das vítimas. Eu sempre irei priorizar a crítica social contra qualquer tipo de discriminação e irei defender os direitos humanos”, contou MRocco

Por acreditar que não tinha coordenação motora, começou a pintar com os dedos no início de sua carreira artística. Seu sucesso começou logo no primeiro mês, quando suas pinturas chamaram a atenção do artista plástico José Luiz Carlomagno, quem lhe ensinou a usar os pincéis. Rocco ganhou bolsa de especialização no Museu de Artes Modernas (MAM) de São Paulo e no Parque Lage, no Jardim Botânico. Hoje ele é o único artista do Brasil que utiliza a técnica da tela preta, a qual o artista não desenha antes de pintar.

Por se dedicar à causas sociais, desde o início da pandemia, Marcondes distribui kits com detergente, sabonete e álcool em gel em comunidades de Meriti com a ajuda de amigos e ONGs. Posteriormente, com uma colaboração maior, fez um garimpo na região. Identificou famílias em vulnerabilidade e realizou entregas de cestas básicas, cerca de 250, acompanhadas de um livro para incentivar a leitura e trazer um pouco de alegria a essas famílias.

“Hoje me considero um fenômeno no campo das artes em São João de Meriti, represento a cultura no município. Sabemos que a Baixada Fluminense é uma região do Rio de Janeiro carente no campo da educação, saúde, mobilidade urbana, acesso à cultura e representatividade. Através da minha arte inspiro outras crianças, jovens pretos e moradores de comunidades a acreditar que é possível desenvolver os seus talentos e alcançar esse lugar”, finalizou o artista plástico Marcondes Rocco.

Portal C3 – Comunicação de interesse público – ComCausa

Emanoelle Cavalcanti

Jornalista social e acadêmica de psicologia.

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