Dia Mundial do Refugiado

Dia do Refugiado Africano

Neste 20 de junho de 2025, o mundo lembra mais um Dia Mundial do Refugiado sob o impacto de números alarmantes. Segundo o relatório anual do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), o total de pessoas forçadas a deixar suas casas ultrapassou 117 milhões no primeiro semestre deste ano – o maior número já registrado na história. Desse total, 43,4 milhões são refugiados, ou seja, pessoas que cruzaram fronteiras internacionais em busca de proteção.

A data foi estabelecida pela ONU em 2001, em comemoração aos 50 anos da Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados, que define como refugiado aquele que, “temendo ser perseguido por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social específico ou opiniões políticas, encontra-se fora do país de sua nacionalidade e não pode ou não quer buscar proteção em seu país de origem”.

Além dos refugiados, o cenário global inclui internamente deslocados (IDPs, na sigla em inglês), que somam cerca de 68,3 milhões de pessoas, forçadas a fugir sem cruzar fronteiras internacionais. Existem ainda mais de 5,4 milhões de solicitantes de asilo e 4,4 milhões de apátridas, pessoas que não possuem nacionalidade reconhecida por nenhum Estado.

Principais países de origem

A Síria segue como a principal fonte de refugiados no mundo, com cerca de 6,5 milhões de pessoas vivendo fora de seu território nacional, consequência de um conflito que já dura 14 anos. O Afeganistão aparece em segundo lugar, com 6,1 milhões de deslocados, seguido pela Ucrânia, com 6 milhões, desde o início da guerra com a Rússia em 2022. O Venezuela é o quarto maior país de origem, com 6 milhões de deslocados externos e cerca de 7,7 milhões no total, incluindo migrantes e requerentes de proteção internacional.

Outros países com altos índices de deslocamento incluem Sudão (1,8 milhão de refugiados), Sudão do Sul (2,3 milhões), Mianmar (1,2 milhão), Somália (1,1 milhão) e República Democrática do Congo (mais de 900 mil refugiados e milhões de deslocados internos).

Países que mais acolhem

A Turquia segue sendo o país que mais acolhe refugiados no mundo, com 3,4 milhões de pessoas, principalmente vindas da Síria. Em seguida aparecem:

  • Irã – 3,2 milhões (Afeganistão e Síria)
  • Colômbia – 2,5 milhões (majoritariamente venezuelanos)
  • Alemanha – 2,2 milhões (sírios, afegãos, ucranianos)
  • Paquistão – 1,7 milhão (em sua maioria afegãos)
  • Uganda – 1,6 milhão (Sudão do Sul, RDC, Burundi)
  • Etiópia – 930 mil
  • Bangladesh – 925 mil (rohingyas de Mianmar)
  • Sudão – 910 mil
  • Polônia – 850 mil (ucranianos)

América Latina em destaque

A América Latina enfrenta uma das maiores crises migratórias do planeta devido ao êxodo venezuelano. Além da Colômbia, que acolhe a maior parte, países como Peru (1,5 milhão), Equador (470 mil), Chile (444 mil) e Brasil (mais de 438 mil refugiados e solicitantes de refúgio) continuam sendo destinos principais, ainda que enfrentem dificuldades institucionais e orçamentárias para garantir políticas adequadas de acolhimento.

Crises emergentes

O relatório de 2025 também alerta para novas ondas de deslocamento em razão de conflitos intensificados no Sudão, nas regiões de Darfur e Cartum, onde mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas somente no último ano. A região do Sahel africano também registra crescimento dos fluxos migratórios devido à atuação de grupos armados, golpes de Estado e mudanças climáticas.

Na Faixa de Gaza, os bombardeios de 2023 e 2024 causaram mais de 1 milhão de deslocamentos internos e o bloqueio contínuo agrava a crise humanitária na região.

Já no Sudeste Asiático, o povo rohingya continua sendo alvo de perseguição e deslocamentos forçados, principalmente rumo a campos de refugiados no Bangladesh.

Políticas e desafios

Apesar dos esforços internacionais, o mundo ainda falha em garantir proteção efetiva a milhões de pessoas. Muitos países têm adotado políticas restritivas, fechado fronteiras ou promovido deportações em massa. O endurecimento das legislações migratórias em países europeus, nos Estados Unidos e em regiões da Ásia acentuam a vulnerabilidade de populações já fragilizadas.

Por outro lado, há também experiências bem-sucedidas de integração e acolhimento, como o caso de Uganda, que permite que refugiados trabalhem, estudem e adquiram terras. No Brasil, programas como o “Acolhida Cidadã”, em parceria com ONGs e agências da ONU, têm promovido interiorização e apoio psicossocial a refugiados.

Solidariedade e responsabilidade compartilhada

Neste Dia Mundial do Refugiado, o ACNUR reforça a importância da solidariedade internacional e da responsabilidade compartilhada entre os países para garantir acolhimento digno, seguro e com acesso pleno a direitos. Mais do que números, cada refugiado representa uma história de perda, resiliência e esperança.

Diante dos dados alarmantes de 2025, a mensagem é clara: proteger pessoas forçadas a fugir é um dever humano e legal. É urgente que governos, instituições e a sociedade civil se mobilizem para enfrentar essa crise de forma humanitária, sustentável e solidária.

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