Dia Mundial do doador de medula óssea

Todo terceiro sabádo de setembro comemora-se o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, uma importante data para lembrar que a chance de se identificar

Mobilização pelo Dia Mundial do Doador de Medula Óssea reforça importância do cadastro, da atualização dos dados e da ampliação da diversidade de voluntários no REDOME

A doação de medula óssea pode significar uma nova possibilidade de vida para pessoas que enfrentam leucemias, linfomas, aplasia de medula, imunodeficiências e outras doenças graves do sangue. Neste sábado, 19 de setembro, terceiro sábado do mês, ações de conscientização em diferentes partes do Brasil chamam atenção para a importância dos doadores voluntários e para a necessidade de ampliar e manter atualizado o cadastro nacional. A rede HU Brasil, do Governo Federal, destaca em 2026 o dia 19 de setembro dentro das mobilizações pelo Dia Mundial do Doador de Medula Óssea.

No Brasil, os potenciais doadores são reunidos no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), vinculado ao Ministério da Saúde e coordenado com participação do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Atualmente, são mais de 6 milhões de pessoas cadastradas, o que faz do REDOME o terceiro maior registro de doadores voluntários de medula óssea do mundo.

O tamanho e, principalmente, a diversidade desse cadastro são fundamentais porque encontrar duas pessoas geneticamente compatíveis pode ser um processo complexo.

Compatibilidade é um dos maiores desafios

A compatibilidade entre doador e paciente é determinada principalmente pelas características genéticas do sistema HLA — Antígeno Leucocitário Humano. É por isso que ter o mesmo tipo sanguíneo não significa, por si só, ser compatível para um transplante de medula óssea.

Quando um paciente precisa de transplante, a busca começa normalmente entre familiares. Entre irmãos do mesmo pai e da mesma mãe, a possibilidade de encontrar um irmão geneticamente compatível gira em torno de 25%, segundo informações do Ministério da Saúde. Quando não existe um doador familiar adequado, a busca passa pelos registros de voluntários brasileiros e, quando necessário, por bancos internacionais.

Dados divulgados pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, a busca no registro pode identificar um potencial doador compatível em até 88% dos casos na etapa preliminar. Ao final de todo o processo de confirmação, aproximadamente 64% dos pacientes chegam a ter um doador compatível confirmado.

É importante entender que esses percentuais se referem ao processo de busca realizado para os pacientes e não significam que uma pessoa cadastrada tenha 88% de chance de ser compatível com qualquer paciente.

Quanto maior e mais geneticamente diverso for o cadastro, maiores são as possibilidades de encontrar combinações adequadas.

Quem pode se cadastrar como doador?

Atualmente, para realizar um novo cadastro no REDOME, é necessário:

ter entre 18 e 35 anos de idade;
estar em bom estado geral de saúde;
apresentar documento oficial de identificação com foto;
não possuir condições de saúde que impeçam o cadastro ou a doação.

Entre as situações que podem impedir a doação estão determinadas doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, doenças neoplásicas, como alguns tipos de câncer, doenças hematológicas e determinadas doenças autoimunes. A avaliação deve seguir os critérios definidos pelo REDOME e pelo Ministério da Saúde.

Uma informação importante: 35 anos é a idade máxima para entrar no cadastro, e não para efetivamente doar. Depois de inscrita, a pessoa permanece ativa no REDOME e pode ser chamada para uma eventual doação até completar 60 anos.

Cadastro começa com uma pequena amostra de sangue

Quem deseja fazer parte do REDOME deve procurar um dos hemocentros responsáveis pelo cadastramento.

O voluntário preenche seus dados pessoais e assina o termo de consentimento. Em seguida, é coletada uma pequena amostra, geralmente 5 ml de sangue, utilizada para realizar a tipificação HLA e identificar as características genéticas do possível doador.

Esses dados são incluídos no REDOME e passam a ser comparados com os dados de pacientes que necessitam de transplante.

O cadastro, portanto, não significa que a pessoa fará uma doação naquele momento. Um voluntário pode permanecer anos no registro sem ser chamado ou até nunca apresentar compatibilidade com um paciente.

Caso surja uma possível combinação, o REDOME entra em contato para novos exames e para confirmar a compatibilidade.

Manter telefone e endereço atualizados também salva vidas

Por esse motivo, não basta apenas se cadastrar. É fundamental manter telefone, e-mail e demais informações atualizados.

A localização rápida de um potencial doador pode fazer diferença em situações nas quais o transplante precisa ocorrer com urgência. O REDOME dispõe de aplicativo e ferramentas próprias para acompanhamento e atualização cadastral.

Como acontece a doação?

Há duas formas principais de obtenção das células-tronco hematopoéticas de um doador adulto.

Na coleta diretamente da medula óssea, as células são retiradas por meio de punções nos ossos da região da bacia. O procedimento é realizado com anestesia e não envolve a medula espinhal.

Outra possibilidade é a coleta por aférese, semelhante a alguns procedimentos de doação de componentes do sangue. Nesse caso, o doador recebe previamente uma medicação que estimula a passagem das células-tronco da medula para a corrente sanguínea. Depois, o sangue circula por uma máquina que separa as células necessárias e devolve os demais componentes ao organismo.

A definição do método utilizado considera as características e necessidades do paciente, além da avaliação da equipe responsável pelo transplante.

A medula se recupera

A medula óssea possui capacidade de regeneração. Materiais de orientação do Ministério da Saúde informam que a quantidade retirada pode ser recomposta pelo organismo em aproximadamente 15 dias. Após a coleta direta, pode existir desconforto temporário na região da bacia, e a recuperação é acompanhada pela equipe de saúde.

Uma pessoa também pode ser chamada novamente para doar. A política de proteção ao doador do REDOME prevê critérios específicos para uma nova coleta, incluindo intervalo mínimo de 45 dias entre procedimentos, nova avaliação clínica e laboratorial e o direito do voluntário de decidir se deseja realizar uma nova doação.

Mais de 44 milhões de pessoas cadastradas no mundo

A solidariedade ultrapassa fronteiras. Atualmente, registros internacionais reúnem mais de 44 milhões de potenciais doadores de células-tronco hematopoéticas. Esse sistema permite que um brasileiro possa encontrar um doador localizado em outro país — ou que uma pessoa cadastrada no Brasil possa ser compatível com alguém que vive do outro lado do mundo.

Por isso, cada novo cadastro importa. Mais do que ampliar números, incorporar pessoas de diferentes origens e características genéticas contribui para aumentar as possibilidades de compatibilidade.

Informação também faz parte da defesa da vida

A ComCausa – Defesa da Vida, por meio do Projeto Comunicando ComCausa, reforça nesta mobilização a importância da circulação de informações confiáveis sobre doação, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde e do incentivo à solidariedade.

Ainda existem dúvidas e informações equivocadas sobre o procedimento. Uma das mais comuns é confundir a medula óssea com a medula espinhal. A doação não é realizada na coluna nem envolve a retirada da medula espinhal. Na coleta convencional, as células são retiradas dos ossos da bacia.

Para quem tem entre 18 e 35 anos, está em boas condições de saúde e deseja se cadastrar, o caminho é procurar um hemocentro habilitado para inscrição no REDOME.

Para quem já faz parte do registro, existe outra atitude igualmente importante: manter os dados de contato atualizados.

Um cadastro realizado hoje pode permanecer durante anos sem apresentar compatibilidade. Mas, quando ela aparece, aquele voluntário pode representar justamente a possibilidade que uma pessoa e sua família estavam esperando.

Doar medula pode representar uma nova possibilidade de vida.

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