Ondas de calor são eventos climáticos caracterizados por temperaturas extremamente altas, que superam os níveis esperados para uma determinada região e época do ano. Esses períodos de calor intenso podem durar dias ou semanas e são exacerbados pelo aquecimento global, que tem aumentado tanto a frequência quanto a intensidade do calor em diversas partes do mundo. No Brasil, essas ondas são particularmente perigosas em áreas urbanas devido ao efeito de “ilha de calor”, no qual a concentração de concreto, asfalto e construções irregulares retém mais calor, elevando ainda mais as temperaturas.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um novo alerta de onda de calor para o país, com previsão de temperaturas acima da média em quase todas as regiões. Algumas cidades podem registrar mais de 40°C, especialmente na região central do Brasil. Além das altas temperaturas, os baixos índices de umidade relativa do ar agravam os riscos à saúde.
Favelas e periferias: quando o calor é ainda mais extremo
Embora as altas temperaturas afetem toda a população, moradores de favelas e regiões periféricas enfrentam uma realidade ainda mais dura. Estudos apontam que essas áreas podem registrar até 10°C a mais do que bairros nobres, devido à ausência de áreas verdes, alta densidade de construções e uso de materiais inadequados, como telhados de zinco, que intensificam a absorção e retenção de calor.
De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), a temperatura em favelas da Região Metropolitana de São Paulo chegou a 39°C durante ondas de calor, enquanto em bairros arborizados a máxima não passou de 29°C. O fenômeno também é observado no Rio de Janeiro, onde regiões como Complexo da Maré e Rocinha frequentemente registram temperaturas mais elevadas do que bairros da Zona Sul, como Leblon e Ipanema.
“A ausência de vegetação e o excesso de concreto são determinantes para o agravamento das ilhas de calor. As políticas públicas precisam levar isso em consideração e priorizar soluções sustentáveis para essas regiões”, afirma o professor José Maurício Nogueira, do IAG/USP.
Quem mais sofre com o calor extremo?
O calor extremo afeta mais gravemente idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que possuem menor capacidade de regular a temperatura corporal e maior risco de desidratação. Outros grupos vulneráveis incluem trabalhadores expostos ao sol, como carteiros, vendedores ambulantes e operários da construção civil, e pessoas em situação de rua, que têm acesso limitado a água e locais frescos.
A exposição prolongada ao calor pode desencadear diversas doenças, como insolção, desidratação, golpe de calor, câimbras e agravamento de doenças cardíacas e renais.
Medidas emergenciais para enfrentar o calor
Desde junho de 2024, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) implementou um protocolo de monitoramento do calor, categorizando os níveis de risco de 1 a 5. Caso o Rio atinja o Nível 4, medidas emergenciais serão tomadas, como:
Abertura de 58 pontos de resfriamento em toda a cidade;
Parada obrigatória para hidratação de trabalhadores expostos ao sol;
Mobilização da rede municipal de saúde para o aumento da demanda de atendimentos.
Somente em janeiro de 2025, mais de 3 mil pessoas buscaram atendimento médico na rede municipal do Rio de Janeiro por complicações relacionadas ao calor excessivo.
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