Caso Maria Luísa: ex-síndica confirma problema anterior em pilar que matou criança no RJ

Maria Luísa - Foto Reprodução

Uma tragédia que poderia ter sido evitada. A morte da menina Maria Luísa, de 7 anos, após ser atingida por um pilar de rede em um condomínio na Zona Oeste do Rio de Janeiro, revelou não apenas falhas técnicas graves, mas também alertas ignorados. A ex-síndica do local, Rosângela Menezes dos Santos, admitiu em depoimento à polícia que uma estrutura semelhante havia apresentado problema já em 2019, quando ela atuava como gerente predial. À época, um dos pilares do redário chegou a tombar com um morador, sem chegar a cair.

Apesar do histórico, a estrutura que caiu em março de 2025 sobre Maria Luísa foi reconstruída em 2020 fora dos padrões técnicos, sem projeto, fiscalização ou responsabilidade de profissional habilitado. Segundo a polícia, a obra foi feita por dois funcionários do condomínio, sem capacitação adequada, a mando de Rosângela.

A investigação conduzida pela 42ª DP (Recreio) confirmou que o pilar não fazia parte da estrutura original do prédio e foi erguido sem qualquer observância às normas de engenharia. A perícia técnica e a análise da nota fiscal de compra dos materiais — destinados ao “espaço zen” do condomínio — foram determinantes para o indiciamento da ex-síndica e dos dois funcionários.

O delegado Alan Luxardo foi enfático ao denunciar a negligência. “Qualquer obra estrutural precisa ser feita por um engenheiro ou arquiteto habilitado. Infelizmente, muitos condomínios ignoram isso, e as consequências são trágicas.”

Os três indiciados — Rosângela Menezes dos Santos, Allan Dias Botelho da Silva e Pedro Fernandes da Silva — responderão por homicídio culposo, com aumento de pena devido ao descumprimento de normas técnicas. A pena pode chegar a um terço a mais do previsto na lei.

Enquanto isso, a dor da família da menina, que brincava com amigas na hora do acidente, se transforma em clamor por responsabilização e prevenção para que tragédias como essa não voltem a acontecer.

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