Lei torna ensino do ECA obrigatório nas escolas do Rio e fortalece direitos da infância

ECA

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) agora será conteúdo obrigatório nas escolas do Rio de Janeiro. A medida foi aprovada por iniciativa do vereador Leniel Borel, que comemorou a conquista nas redes sociais com a frase: “Educar é proteger. Com o ECA na sala de aula, garantimos que nossas crianças conheçam seus direitos desde cedo. Essa conquista muda vidas, porque transforma a realidade das nossas crianças e adolescentes.”

A nova lei representa um avanço histórico na formação cidadã de crianças e adolescentes, promovendo o acesso à informação sobre seus direitos e deveres, e fortalecendo o combate à violência, ao abuso e à negligência. Para o autor da proposta, a iniciativa muda vidas porque contribui para transformar realidades vulneráveis e construir futuras gerações mais conscientes, protegidas e engajadas.

Criado em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente não é apenas um marco legal — é uma bússola ética e política para um país que ainda convive com desigualdades estruturais. Ao longo das últimas três décadas, o ECA promoveu transformações profundas em várias áreas. Na saúde, a cobertura vacinal infantil superou 95%, reduzindo drasticamente a mortalidade infantil. Na educação, o ensino fundamental tornou-se obrigatório, alcançando quase toda a população em idade escolar. O trabalho infantil caiu de 8,4 milhões em 1992 para cerca de 1,7 milhão em 2023. No campo da proteção, foram criados canais e estruturas como o Disque 100, a Lei Menino Bernardo, delegacias especializadas e conselhos tutelares. No processo de adoção, o Cadastro Nacional tornou os trâmites mais transparentes e passou a priorizar grupos de irmãos.

Apesar desses avanços, o Brasil ainda convive com graves violações de direitos. A violência letal afeta de forma desproporcional a juventude negra: a cada quatro adolescentes assassinados, três são negros. A exploração sexual online teve um crescimento alarmante de 216% nas denúncias nos últimos cinco anos. O sistema socioeducativo enfrenta superlotação e altas taxas de reincidência, revelando falhas estruturais. Na educação, mais de 1,5 milhão de crianças e adolescentes estão fora da escola, segundo o UNICEF. E o orçamento destinado diretamente à infância e adolescência representa apenas 0,5% do total federal.

Com a inclusão do ECA no currículo escolar, o município do Rio de Janeiro dá um passo decisivo para formar cidadãos mais conscientes e capazes de defender seus direitos. A medida amplia o alcance da legislação e fortalece a rede de proteção à infância, colocando a educação como ferramenta de prevenção e transformação social.

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