Na data em que se comemora a independência do Brasil, as ruas do centro do Rio de Janeiro ecoaram outro tipo de grito: o clamor por democracia verdadeira, justiça social e responsabilização pelos ataques ao Estado Democrático de Direito. Neste 7 de setembro de 2025, cerca de 10 mil pessoas se reuniram no Grito dos Excluídos e Excluídas, um dos maiores atos de mobilização popular do país, que acontece anualmente desde 1995 e ganha contornos ainda mais urgentes diante do cenário político atual.
Entre bandeiras, cartazes e palavras de ordem, o povo tomou a Avenida Presidente Vargas para dizer em alto e bom som: não haverá reconciliação sem justiça, nem democracia sem povo nas ruas. A mobilização foi marcada por uma forte presença de movimentos sociais, pastorais sociais, sindicatos, coletivos culturais, comunidades de base, grupos periféricos, entidades de direitos humanos e organizações da sociedade civil.
A ComCausa – Defesa da Vida esteve presente reafirmando sua trajetória de décadas em defesa dos direitos humanos, da soberania popular e do Estado Democrático de Direito. Para a entidade, participar de um ato como o Grito dos Excluídos é mais do que se posicionar publicamente: é se colocar historicamente ao lado dos que constroem um Brasil mais justo, inclusivo e democrático desde baixo, desde os territórios esquecidos.
“Não estamos nas ruas apenas para lembrar as injustiças: estamos para reafirmar que o povo brasileiro não aceitará retrocessos. A tentativa de golpe de 2023 não ficará impune. A democracia precisa ser protegida por quem mais luta por ela todos os dias: o povo das periferias, das comunidades tradicionais, dos movimentos populares. Este é o grito que a ComCausa amplifica com orgulho e compromisso”, afirmou Adriano Dias, fundador da ComCausa.
A edição deste ano do Grito dos Excluídos também teve como pano de fundo o julgamento em curso dos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, quando o país viveu um dos mais graves ataques à institucionalidade democrática desde o fim da ditadura militar. A presença massiva nas ruas foi uma resposta direta à escalada autoritária e à impunidade que ainda ronda setores ligados à violência política.
Durante o percurso, as manifestações denunciaram a criminalização dos movimentos sociais, exigiram valorização dos serviços públicos, combate à fome, direito à moradia digna, enfrentamento ao racismo estrutural, defesa dos povos indígenas e quilombolas, e proteção aos direitos das mulheres, da população LGBTQIA+ e das juventudes periféricas.
A ComCausa levou ao ato suas bandeiras históricas, como a luta pelos desaparecidos e desaparecidas no Brasil, pela cultura de paz, pela memória dos territórios, pela democratização da comunicação, além da articulação de ações permanentes com jovens, mães, famílias e comunidades da Baixada Fluminense e outras regiões do estado.
“A defesa da democracia não se faz apenas nas urnas, mas na presença contínua e vigilante do povo nas ruas. E é essa pedagogia da participação popular que o Grito dos Excluídos ensina há 31 anos. Seguiremos lado a lado dos que não têm voz, porque o nosso compromisso é com a vida e com a transformação real do país”, concluiu Adriano Dias.
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