Começa nesta segunda-feira, 27 de outubro de 2025, o júri popular de um caso que há quase uma década choca o país: o assassinato do menino Andrei, de 12 anos, em Porto Alegre. No banco dos réus está o próprio tio da vítima, acusado de homicídio qualificado e estupro de vulnerável.
A sessão teve início às 9h30, no plenário dos grandes júris, no 2º andar do Foro Central I da Capital, sob a condução da juíza Anna Alice da Rosa Schuh, titular da 1ª Vara do Júri. Atuando na acusação estão a promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari e o promotor Eugênio Paes Amorim, com o apoio do assistente de acusação Marcos Vinícius Barrios. A defesa do réu é feita pelo advogado Edson Perlin.
Um crime que abalou a confiança familiar
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime ocorreu em novembro de 2016, dentro da casa da família. O menino foi encontrado com um tiro na cabeça, e o tio é acusado de matá-lo para esconder o estupro. A investigação aponta que o homem tentou simular um suicídio para despistar as autoridades, alterando a cena do crime. O MPRS afirma que ele agiu de forma premeditada e impediu qualquer chance de defesa da vítima.
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O processo e o julgamento
O réu responde por homicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel e com o objetivo de ocultar outro crime — e por estupro de vulnerável. Está atualmente em liberdade. No júri, serão ouvidas cinco testemunhas de acusação, enquanto a defesa não apresentou nenhuma. O caso ganhou notoriedade pela lentidão do processo e pela mobilização de familiares e organizações de direitos humanos, que há anos lutam para que o crime não seja esquecido e que haja justiça para Andrei.
Transmissão ao vivo
A transmissão pública do júri — inédita em casos desse tipo — tem como objetivo assegurar transparência e controle social sobre o processo, permitindo que a sociedade acompanhe o desfecho do caso. O julgamento será exibido ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul no YouTube, com cobertura completa dos dois dias de sessão.
Um símbolo de persistência
Nove anos após o crime, o julgamento de 2025 marca uma conquista para a família e para os movimentos que lutam por justiça em casos de violência contra crianças. Movida pela dor e pela determinação, Cátia Goulart, mãe de Andrei, recusou o silêncio e, após anos de resistência, conseguiu levar o caso a julgamento
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