Pesquisa da UFRRJ revela resistência da Diocese de Nova Iguaçu na ditadura

Dom Adriano Páscoa e Baixada Fluminense

Uma pesquisa da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) traz à tona um capítulo decisivo da história da Baixada Fluminense: a resistência política e social liderada pela Diocese de Nova Iguaçu durante a ditadura civil-militar-empresarial (1964-1985). O estudo foi desenvolvido pelo professor Clinio Amaral, em parceria com o historiador Pedro Reis e o pesquisador Fábio Py.

O trabalho resultou no artigo “The Subterranean Memory and the Criticism of Capitalism of the Diocese of Nova Iguaçu in the Newspaper ‘A Folha’ (1972–1981)”, publicado na revista internacional Religions, referência global nos estudos sobre religião, segundo o Google Scholar Metrics. A pesquisa analisa a atuação do jornal diocesano A Folha como instrumento de denúncia social e preservação da memória histórica.

Sob a liderança do bispo Dom Adriano Hipitólo, o periódico se consolidou como voz ativa contra a repressão, a censura e as desigualdades aprofundadas pelo regime. Em contraste com a narrativa oficial do “milagre econômico”, o jornal expôs a pobreza, a violência estatal e a exclusão social vividas pela população da Baixada Fluminense.

Os autores utilizam o conceito de “memória subterrânea”, do sociólogo Michael Pollak, para explicar como A Folha construiu uma contramemória ao discurso hegemônico da ditadura. A publicação denunciou abusos, criticou o modelo capitalista excludente e defendeu a dignidade humana em um período de silenciamento forçado.

A pesquisa só foi possível graças ao trabalho de preservação e digitalização do acervo da Diocese, realizado pelo Centro de Documentação e Imagem (Cedim), ligado ao . Para o pesquisador Pedro Reis, a iniciativa amplia o acesso à memória regional e fortalece a reparação histórica: “A UFRRJ cumpre um compromisso social com a formação e a história da Baixada Fluminense”.

O estudo também destaca a influência do Cristianismo de Libertação e da Teologia da Libertação na atuação da Diocese, que assumiu o papel de “Igreja dos pobres”. Na prática pastoral e na linha editorial do jornal, essa opção se traduziu em proteção simbólica e política para comunidades vulneráveis, transformando a comunicação em ferramenta de resistência e defesa da vida.

Leia o artigo completo

Artigo: A memória subterrânea e a crítica ao capitalismo da Diocese de Nova Iguaçu no jornal A Folha (1972–1981)

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