No Dia de Luta Contra a Gordofobia, celebrado em 10 de setembro, campanha chama atenção para o preconceito relacionado ao peso corporal, as barreiras enfrentadas nos serviços de saúde e a importância do acolhimento, da dignidade e do respeito às diferenças.
O Dia de Luta Contra a Gordofobia, celebrado em 10 de setembro, representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre discriminação, direitos humanos e acesso igualitário aos serviços de saúde. A data chama atenção para situações de preconceito enfrentadas por pessoas gordas em diferentes espaços da sociedade, incluindo ambientes de trabalho, instituições de ensino, serviços públicos e unidades de atendimento médico.
Como parte de sua campanha de promoção de direitos, o CAIS ComCausa destaca a importância de combater práticas discriminatórias, fortalecer o acolhimento humanizado e garantir que todas as pessoas sejam respeitadas, independentemente de suas características físicas ou condições de saúde.
Na cidade do Rio de Janeiro, o Dia de Luta Contra a Gordofobia foi incorporado ao calendário oficial pela Lei Municipal nº 7.512/2022, reforçando o reconhecimento institucional da necessidade de enfrentar o preconceito relacionado ao peso corporal.
Gordofobia: uma forma de discriminação que ultrapassa a aparência
A gordofobia pode se manifestar por meio de comentários ofensivos, constrangimentos, exclusão social, estereótipos e tratamentos desiguais direcionados às pessoas em razão de seu peso corporal. Essas situações frequentemente estão associadas à ideia equivocada de que a aparência física determina o comportamento, a capacidade, a disciplina ou o estado de saúde de alguém.
O preconceito também pode aparecer de maneira institucional, quando espaços, equipamentos, procedimentos ou práticas de atendimento não consideram a diversidade dos corpos. A ausência de mobiliário adequado, a exposição desnecessária de pacientes e as atitudes desrespeitosas de profissionais são exemplos de barreiras que comprometem o exercício de direitos.
Além das consequências sociais, a discriminação pode provocar sofrimento emocional, constrangimento, isolamento e afastamento de ambientes que deveriam oferecer proteção e acolhimento.
O enfrentamento da gordofobia exige reconhecer que o respeito à dignidade humana não depende do peso corporal e que nenhuma característica física justifica humilhações, exclusões ou a negação de direitos.
Preconceito nos serviços de saúde pode afastar pessoas do atendimento
Uma das questões centrais relacionadas à gordofobia é sua presença nos serviços de saúde. Pessoas gordas podem enfrentar dificuldades para conseguir atendimento adequado, desde a falta de equipamentos compatíveis com diferentes tamanhos corporais até situações em que suas queixas são atribuídas exclusivamente ao peso, sem investigação clínica suficiente.
Uma pesquisa publicada na revista Saúde e Sociedade, em 2025, analisou experiências relatadas por 515 pessoas gordas ou ex-gordas de diferentes regiões do Brasil. Entre os participantes, 82,9% afirmaram já ter vivenciado gordofobia em serviços de saúde, enquanto 64,9% relataram ter evitado esses serviços. Os resultados dizem respeito ao grupo pesquisado, mas evidenciam como experiências discriminatórias podem comprometer a procura por atendimento.
Esse cenário reforça a necessidade de formação permanente das equipes, adequação dos espaços físicos, disponibilidade de equipamentos acessíveis e adoção de práticas de comunicação que respeitem a autonomia e a dignidade dos pacientes.
A avaliação das condições de saúde deve considerar as necessidades específicas de cada pessoa, seu histórico clínico e os diferentes fatores relacionados ao bem-estar, sem reduzir o atendimento a julgamentos sobre a aparência corporal.
Direito à saúde exige acolhimento, respeito e cuidado integral
No Brasil, a Constituição Federal estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Esse princípio fundamenta a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS), que deve oferecer atendimento orientado pela universalidade, integralidade e equidade.
O Ministério da Saúde reconhece que o cuidado às pessoas com sobrepeso e obesidade deve considerar fatores biológicos, sociais, culturais e ambientais, evitando práticas de culpabilização, estigmatização e discriminação.
Em 2026, o Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, publicou o material Gordofobia e estigma do peso: reconstruindo narrativas e práticas de cuidado em saúde, dedicado à reflexão sobre preconceitos e à construção de abordagens mais acolhedoras nos serviços de saúde.
O cuidado humanizado envolve escuta qualificada, respeito à privacidade, informações claras, avaliação individualizada e participação das pessoas nas decisões relacionadas à própria saúde.
Também é necessário assegurar que as estruturas de atendimento estejam preparadas para receber corpos diversos, com equipamentos adequados, condições de acessibilidade e procedimentos que não exponham pacientes a situações humilhantes.
Combater a gordofobia não significa desconsiderar questões clínicas relacionadas ao peso, mas assegurar que qualquer avaliação ou tratamento seja realizado com responsabilidade técnica, respeito e ausência de discriminação.
CAIS ComCausa reforça a importância do enfrentamento à discriminação
Ao incorporar o Dia de Luta Contra a Gordofobia à sua campanha de promoção de direitos, o CAIS ComCausa amplia a reflexão sobre os diferentes obstáculos que podem dificultar o acesso das pessoas às políticas públicas e aos serviços de proteção social.
A iniciativa parte do entendimento de que o cuidado precisa reconhecer a diversidade das experiências humanas e considerar os fatores sociais que produzem vulnerabilidades, exclusões e desigualdades.
Nesse contexto, a informação e a sensibilização da sociedade são instrumentos importantes para enfrentar preconceitos, fortalecer a autonomia das pessoas e estimular relações baseadas no respeito.
A promoção de direitos também envolve o reconhecimento de que as diferentes formas de discriminação podem se sobrepor, atingindo com maior intensidade pessoas que já enfrentam barreiras relacionadas à renda, ao território, ao gênero, à raça ou a outras condições sociais.
O enfrentamento dessas desigualdades exige políticas públicas acessíveis, profissionais preparados e redes de atendimento comprometidas com a proteção da dignidade humana.
Respeitar a diversidade dos corpos também é defender a vida
O Dia de Luta Contra a Gordofobia convida a sociedade a rever comportamentos, questionar estereótipos e reconhecer que todas as pessoas possuem direito ao respeito, à autonomia e ao cuidado.
A construção de ambientes mais inclusivos depende de mudanças nas relações sociais, nas práticas institucionais e na maneira como os serviços públicos recebem e atendem a população.
Ao destacar a data, o CAIS ComCausa reafirma a importância de uma cultura de direitos humanos na qual o acesso à saúde, à proteção e à participação social não seja condicionado à aparência física.
Combater a gordofobia é defender o direito de cada pessoa existir, circular, trabalhar, estudar e receber atendimento com dignidade, sem constrangimentos, humilhações ou discriminação.
Campanha de promoção de direitos do CAIS ComCausa
Este conteúdo integra uma campanha de promoção de direitos do CAIS ComCausa, desenvolvida pela ComCausa em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD). A campanha busca ampliar o acesso à informação, fortalecer a prevenção das violências, incentivar o conhecimento sobre direitos e aproximar pessoas e comunidades das redes de cuidado, proteção e garantia de direitos. Nesta edição, o foco é o direito de todas as pessoas ao atendimento digno e humanizado, livre de preconceitos relacionados ao peso corporal, com respeito à diversidade dos corpos e garantia de acesso aos serviços de saúde.
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