ComCausa é recebida pelo professor Alex Podrão das bandas Detrito Federal e BSB-H em Brasília

ComCausa é recebida pelo professor Alex Podrão das bandas Detrito Federal e BSB-H em Brasília
Encontro com Alexandre Veiga dos Santos, referência histórica do punk rock brasileiro, foi registrado em vídeo e reuniu reflexões sobre cultura, juventude, memória, resistência e defesa da vida. A ComCausa – Associação Com Causa Cultura de Direitos foi recebida em Brasília pelo professor, historiador, escritor e músico Alexandre Veiga dos Santos, conhecido como Alex Podrão, fundador e ex-vocalista do Detrito Federal e fundador do BSB-H, bandas que marcaram a história do punk rock brasileiro. A visita contou com a participação do jornalista e produtor cultural Adriano Dias, representante da organização, e foi registrada em vídeo, reunindo lembranças, experiências pessoais e reflexões sobre a influência da música na formação de gerações.

O encontro integrou a agenda de articulação institucional da ComCausa na capital federal e proporcionou um diálogo entre duas trajetórias ligadas à cultura independente e à resistência cultural. Juntos, Adriano e Alex representam 115 anos de histórias de vida atravessadas pelo punk rock, pelas periferias, pela educação, pela comunicação e pelas experiências de superação construídas ao longo de décadas.

Uma referência histórica do punk rock brasileiro

Alex Podrão integra a geração de músicos que ajudou a consolidar a cena punk de Brasília nos anos 1980. Sua trajetória começou a ganhar projeção com o Detrito Federal, formado em 1983, e ganhou novos caminhos com o BSB-H, criado em 1986. As bandas se destacaram pela sonoridade direta, pelas letras críticas e pela participação na construção de uma cena independente que influenciou músicos de diferentes regiões do país. Além da atuação musical, Alexandre desenvolveu uma carreira dedicada à educação, à pesquisa histórica e à literatura. Professor de História e Geografia, também trabalha com produção de conteúdo e comunicação, preservando experiências de uma geração que encontrou no rock uma forma de expressão social.

Em maio de 2026, participou do programa Capítulo Rock, da Rádio Senado, no qual apresentou seu livro Crônicas e Mitos do Rock Brasília 1982–1994, dedicado às histórias e aos bastidores da cena musical brasiliense. Sua presença na história do rock nacional também foi lembrada pelo Portal C3, em matéria sobre o encontro de músicos e integrantes da cena punk realizado no Garage Grindhouse, no Rio de Janeiro, em junho de 2026.

Das referências da juventude ao encontro em Brasília

Para Adriano Dias, a visita teve um significado pessoal. Durante a década de 1980, quando participou da banda punk FDK, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o jornalista acompanhava o trabalho do Detrito Federal e do BSB-H, que estavam entre suas principais influências musicais. Na época, a FDK buscava desenvolver uma sonoridade próxima à proposta do BSB-H, reconhecendo na banda brasiliense uma referência para sua própria identidade.

Alex Podrão era um daqueles músicos que, mesmo à distância, contribuíam para a formação de jovens envolvidos com o movimento punk. Suas músicas e atitudes ajudavam a demonstrar que era possível produzir cultura de maneira independente, questionar padrões e construir espaços próprios de expressão. Décadas depois, a oportunidade de conversar pessoalmente com um dos artistas que marcaram sua juventude representou mais do que o encontro entre músicos de diferentes gerações. Foi também um momento de reconhecimento da influência que a cultura exerce sobre escolhas, valores e trajetórias de vida.

Para Adriano, reencontrar essas referências significa olhar para o passado e compreender como experiências culturais contribuíram para sua atuação posterior no jornalismo, na produção cultural e na defesa dos direitos humanos.

Vídeo registra memórias e experiências de vida

Durante a visita, a ComCausa produziu um registro audiovisual da conversa entre Adriano Dias e Alex Podrão, abordando lembranças da cena punk, histórias pessoais e reflexões sobre a importância da cultura independente. A gravação percorre experiências relacionadas à música, às periferias, à resistência e às transformações vividas pelos dois ao longo de suas trajetórias.

Um dos pontos centrais da conversa foi o papel das manifestações culturais na criação de vínculos, no fortalecimento da identidade e na abertura de perspectivas para jovens que enfrentam desigualdades e dificuldades de acesso às oportunidades. O registro também destaca a importância de preservar histórias que nem sempre aparecem nos relatos mais conhecidos sobre a música brasileira, especialmente aquelas construídas por artistas independentes e movimentos culturais de base comunitária.

Cultura e defesa da vida aproximam trajetórias

A visita dialoga diretamente com o trabalho desenvolvido pela ComCausa, organização reconhecida como Ponto de Cultura, Ponto de Mídia Livre e Ponto de Memória, que atua na promoção dos direitos humanos e na valorização das expressões culturais dos territórios. Por meio de iniciativas como o Rock ComCausa, Juventudes.ComCausa e Comunicando ComCausa, a instituição desenvolve atividades que relacionam cultura, comunicação popular, protagonismo juvenil e prevenção das violências.

A experiência do punk rock ocupa um lugar importante nessa perspectiva. Mais do que um gênero musical, o movimento representou, para muitos jovens, uma oportunidade de organização coletiva, questionamento social e participação cultural. Ao estabelecer diálogos com artistas e educadores que participaram dessa história, a ComCausa procura aproximar a memória de gerações anteriores dos desafios enfrentados pelas juventudes atuais. A proposta é reconhecer a cultura como uma ferramenta de pertencimento, expressão e construção de alternativas, especialmente em territórios onde o acesso aos espaços culturais permanece limitado.

Reconhecimento ao professor Alex Podrão

A ComCausa agradeceu ao professor Alexandre Veiga dos Santos pela recepção em Brasília, pela disponibilidade para a conversa e pela oportunidade de registrar parte de sua trajetória. O encontro também valorizou a contribuição de artistas que, além de sua participação na história da música brasileira, continuam atuando na educação, na produção cultural e na preservação da memória. Para Adriano Dias, a experiência reuniu a admiração construída na juventude e o compromisso atual de fortalecer iniciativas que reconheçam a cultura como instrumento de transformação social.

O vídeo produzido durante a visita registra essa aproximação e simboliza o encontro de 115 anos de experiências de vida, marcadas por diferentes caminhos, mas conectadas pela música e pela resistência cultural. Mais do que recordar bandas e acontecimentos da década de 1980, a conversa demonstra como referências artísticas podem atravessar gerações e permanecer presentes nas escolhas e nos projetos desenvolvidos ao longo da vida.

A ComCausa pretende manter o diálogo com Alex Podrão e com outros artistas, professores e produtores culturais comprometidos com a preservação dessas histórias, reafirmando que a cultura pode ser muito mais do que entretenimento: pode representar pertencimento, resistência, superação e construção de futuro.

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