No domingo, 3 de agosto, a comunidade de Nova Iguaçu se reuniu na Estrada Zumbi dos Palmares, próximo ao cruzamento com Vila de Cava, para um ato público em memória de Júlio César Fernandes da Costa, morto há uma semana.
A manifestação foi organizada por familiares, amigos, entregadores, lideranças locais e movimentos sociais, com apoio do Vila da Cava On, Tinguá Oficial e da ONG ComCausa – Defesa da Vida, que acompanhou os casos e atuou no apoio às vítimas da violência estrutural que marca a Baixada Fluminense. O projeto Acolher da ComCausa orientou os familiares de Júlio César sobre seus direitos e enviou as informações do acidente aos órgãos competentes, reforçando o compromisso com a busca por justiça.
Além dos familiares de Júlio César, os parentes de Gabriel Pereira dos Santos também estiveram presentes no ato, unindo suas vozes no clamor coletivo por justiça. As duas histórias, ainda que distintas, expuseram a mesma lógica de violência, descaso e impunidade.
Júlio César: vítima da imprudência e do abandono
Júlio César, pai de sete filhos, foi atropelado no dia 27 de julho de 2025, enquanto realizava uma entrega. Testemunhas afirmaram que o motorista envolvido participava de um racha e fugiu do local sem prestar socorro. Mesmo com vídeos e relatos que indicavam a dinâmica do crime, nenhuma medida efetiva havia sido adotada até o momento do ato.
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Gabriel: um ano sem justiça
O assassinato de Gabriel Pereira dos Santos ocorreu em 16 de agosto de 2024. Na manhã daquele dia, ele havia deixado sua noiva no trabalho, em Vila de Cava, e retornava para casa em Tinguá, quando foi abordado por dois policiais militares. Um deles, o terceiro-sargento Allan Mendes Rocha, posicionado com arma em punho no meio da estrada, disparou contra Gabriel pelas costas. A vítima, que usava fones de ouvido, caiu cerca de 20 metros à frente e morreu no local. Mesmo com testemunhas e indícios de uso desproporcional da força, o caso seguia sem responsabilizações.
Mais do que um protesto: um grito por memória, verdade e dignidade
A ação foi mais do que um protesto: representou uma denúncia concreta das estruturas de impunidade que continuam a produzir mortes e silenciamentos. “Trata-se de lutar por memória, verdade e dignidade em um território que já carrega muitas marcas de violência”, afirmou Adriano Dias, da ComCausa, destacando o compromisso com as famílias.
Para os organizadores, a manifestação também foi um grito coletivo de sobrevivência e esperança. “Em um país onde vidas negras e periféricas são constantemente tratadas como descartáveis, a mobilização por justiça é um ato de afirmação da vida”, reforçou a ComCausa.
A concentração começou às 15h30, e os participantes esperavam que a mobilização pressionasse as autoridades por respostas concretas e efetivas. O ato marcou ainda o início de uma nova etapa da campanha pública por justiça para Gabriel, às vésperas do primeiro ano de seu assassinato.
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