Um adolescente comete algum tipo de autolesão ou tentativa de suicídio a cada dez minutos no Brasil. A estimativa alarmante é parte de um novo levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgado nesta segunda-feira, com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
De acordo com o estudo, só nos últimos dois anos, foram registrados, em média, 137 atendimentos diários de jovens entre 10 e 19 anos com quadros de autoagressão ou tentativa de suicídio. Os casos notificados são obrigatórios e devem ser comunicados por qualquer profissional de saúde que atenda adolescentes nessas condições.
Apesar disso, especialistas alertam que o cenário pode ser ainda mais grave devido à subnotificação, causada por falhas no preenchimento dos formulários ou na comunicação correta das ocorrências.
A presidente do Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento das Causas Externas na Infância e Adolescência da SBP, Renata Waksman, destaca que o suicídio é, na maioria das vezes, o resultado de um sofrimento psíquico prolongado. Ela enfatiza a importância da escuta ativa e da atenção às mudanças bruscas de comportamento, como irritabilidade, isolamento, queda no rendimento escolar, alterações no sono e alimentação, que podem ser sinais de alerta.
Além das tentativas, o levantamento aponta que cerca de mil adolescentes morrem por suicídio todos os anos no Brasil — número que acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de investimento urgente em saúde mental infantojuvenil.
A SBP reforça que o problema é multifatorial e exige a atuação conjunta de famílias, escolas, serviços de saúde e políticas sociais. Criar ambientes acolhedores e fortalecer redes de proteção são passos fundamentais para garantir que crianças e adolescentes em sofrimento encontrem apoio.
Onde buscar ajuda:
- CVV – Centro de Valorização da Vida: Atendimento voluntário e gratuito 24 horas por dia pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.
- CAPS – Centros de Atenção Psicossocial: Atendimento gratuito pelo SUS. Procure a unidade mais próxima da sua região.
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): Porta de entrada para atendimento psicológico no SUS.
- Conselhos Tutelares e escolas: Podem ajudar a encaminhar o adolescente para atendimento especializado.
Falar sobre saúde mental é um ato de cuidado e de prevenção. Não ignore os sinais.
Leia também
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________________
Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

______________________
Compartilhe:
