A madrasta de Myrella Venceslau Freire, de 12 anos, foi presa temporariamente suspeita de envolvimento na morte da adolescente, encontrada com sinais de violência nos fundos da casa onde morava, no Morro do Pau Branco, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O crime ocorreu na quinta-feira, 8 de maio, e é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.
A adolescente foi levada por familiares ao Hospital Municipal de Meriti, mas já chegou sem vida à unidade. Ela apresentava múltiplos traumas pelo corpo. Myrella completaria 13 anos no mês seguinte.
A investigação apontou inicialmente a hipótese de invasão da residência por um homem, que teria cometido violência sexual contra a menina. No entanto, o laudo de necropsia não identificou sinais de estupro, o que mudou a linha de apuração.
A Polícia Civil passou a considerar a madrasta como principal suspeita após identificar contradições no depoimento dela. Segundo a investigação, a mulher esteve com a adolescente no período em que o crime teria ocorrido e apresentou uma versão incompatível com os elementos reunidos até agora, em uma tentativa de criar um álibi.
A prisão temporária foi autorizada pela Justiça e cumprida por policiais civis. A suspeita foi identificada como Bianca Martins da Silva Oliveira. As investigações seguem para esclarecer a dinâmica da morte e verificar se outras pessoas tiveram participação no crime.
Segundo relatos reunidos no início da apuração, a mãe de Myrella estava trabalhando quando o crime ocorreu. A versão apresentada indicava que a madrasta teria saído para uma entrevista de emprego e deixado a adolescente e o irmão, de 4 anos, sozinhos na residência. Essa versão, porém, foi descartada após os depoimentos e a análise dos elementos da investigação.
O irmão da vítima teria relatado a familiares que “um tio entrou na casa” e o fez dormir. A fala passou a ser analisada pelos investigadores no contexto da apuração.
A morte de Myrella provocou comoção em São João de Meriti e reacendeu o alerta sobre a violência contra crianças e adolescentes no ambiente doméstico. Casos desse tipo expõem falhas na proteção de menores e reforçam a necessidade de atuação integrada entre escola, saúde, assistência social, Conselho Tutelar, segurança pública e sistema de Justiça.
A legislação brasileira prevê proteção integral a crianças e adolescentes e estabelece prioridade absoluta para a garantia do direito à vida, à dignidade e à convivência segura. Quando a violência ocorre dentro de casa, a denúncia costuma ser mais difícil, porque a vítima depende diretamente dos adultos responsáveis pelo cuidado.
A Polícia Civil ainda não informou a conclusão do inquérito. Até o momento, a prisão da madrasta é temporária, e a suspeita deve responder à investigação conforme o avanço das apurações.
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