Circo Voador transforma a Lapa em quilombo urbano na Semana da Consciência Negra

Circo Voador

Entre os dias 19 e 22 de novembro, o Circo Voador, na Lapa, confirma mais uma vez sua vocação como casa da arte preta e da diversidade. Em pleno mês da Consciência Negra, a lona histórica acende as luzes com uma programação que costura metal, punk, rap, samba, jazz, cultura urbana e ancestralidade em quatro noites (e uma tarde) de memória, celebração e luta antirracista.

No palco e no pátio, nomes como Black Pantera, Punho de Mahin, o Negro é Lindo Festival e Duquesa transformam o espaço em um grande encontro de corpos, ideias e sons, reafirmando a presença negra que sempre atravessou a história da casa.

Travessia de sons, ideias e corpos

A curadoria da Semana da Consciência Negra no Circo parte de um princípio simples e potente: reconhecer que a música brasileira – do hardcore ao jazz, do hip hop ao samba – é profundamente marcada pela criação e pela resistência negra. Assim, o que se vê no roteiro destes quatro dias é uma verdadeira travessia: shows, performances, debates, feira, exposição, capoeira, roda de samba, desfile e DJs ocupando todos os cantos do espaço, em clima de quilombo urbano, onde crítica social, celebração e memória caminham juntas.

19/11 – Abre Alas: Black Pantera grava primeiro registro ao vivo

A abertura da semana chega pesada e histórica. No dia 19 de novembro, quem abre alas é a banda mineira Black Pantera, um dos nomes mais importantes do metal brasileiro contemporâneo. O trio sobe ao palco do Circo para gravar seu primeiro registro ao vivo, justamente na véspera do Dia da Consciência Negra – gesto simbólico que coloca o rock negro ocupando o lugar que sempre foi seu, com letras que falam de racismo, violência, desigualdade e orgulho de origem.

Antes do Black Pantera, quem esquenta o público é a Punho de Mahin, estreando no Circo e reafirmando que o punk também é território de insurgência preta. As composições da banda revisitam a ancestralidade de Luiza Mahin e denunciam o racismo estrutural, o machismo e a violência policial, mostrando como a música agressiva pode ser a forma mais honesta de traduzir a urgência do presente.

Os ingressos para essa noite seguem disponíveis pelo link.

20/11 – Negro é Lindo Festival ocupa o Circo do terreiro ao palco

No próprio Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, o Circo Voador vira terreiro, sala de aula, galeria, roda e palco. É quando acontece o Negro é Lindo Festival, totalmente gratuito, diverso e atravessado por múltiplas linguagens da cultura negra no Brasil. A programação começa às 15h, com retirada antecipada de ingressos, e espalha atividades por diferentes espaços da casa:

  • Feira Preta, reunindo marcas, coletivos e empreendedores negros;
  • Exposição da Galeria Ocupá, aproximando arte contemporânea e estética periférica;
  • Capoeira Angola, afirmando o corpo como arquivo de memória e resistência;
  • Roda de samba do Canto do Batuqueiro, trazendo o samba de raiz para o centro da festa;
  • Desfile Beleza Negra, celebrando estética, identidade e autoestima;
  • Aula pública, conectando conhecimento acadêmico, tradição e ativismo;
  • Shows de Josiel Konrad e Carol Dal Farra, costurando música, poesia e discurso político.

O festival reforça que a beleza preta é múltipla: política, estética, ancestral e presente. É um convite para viver a Consciência Negra como prática cotidiana, e não apenas como uma data no calendário.

21 e 22/11 – Duquesa encerra a semana com duas noites esgotadas

Encerrando a programação, nos dias 21 e 22 de novembro, quem toma conta do palco é a cantora e rapper baiana Duquesa, em duas noites de ingressos esgotados. Indicada ao BET Awards e celebrada pelos discos “Taurus” e “Taurus Vol. 2”, Duquesa retorna ao Circo Voador – onde já fez história – com um show descrito como catártico, íntimo e altamente narrativo. Em cena, ela mistura rap, canto, espiritualidade, empoderamento feminino e liberdade estética, reafirmando o protagonismo das mulheres negras na música contemporânea.

Nos dois dias, a experiência se completa com uma escala de DJs que mantém a pista quente e negra como deve ser:

  • Sexta-feira: Talie, IAMLOPES$ e Afrodite BXD;
  • Sábado: Jacquelone, IAMLOPES$ e Maru2D.

Circo Voador como casa da arte preta e da diversidade

A Semana da Consciência Negra reforça o papel do Circo Voador como palco histórico da produção cultural negra no Rio de Janeiro. Ao reunir metal, punk, rap, samba, artes visuais, moda, educação e religiosidade de matriz africana numa mesma programação, a casa reafirma que a luta antirracista também se faz pela arte, pela ocupação de espaços simbólicos e pela construção de memória coletiva.

De Black Pantera a Duquesa, passando pela atmosfera comunitária do Negro é Lindo Festival, o Circo transforma quatro dias em um grande manifesto de negritude viva: um lugar onde corpos pretos criam, dançam, estudam, questionam e celebram – e onde o público é convidado a reconhecer que consciência negra é todo dia.

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