ComCausa repudia tratamento dado ao Bar Amarelinho

ComCausa repudia tratamento dado ao Bar Amarelinho

 A ComCausa – Defesa da Vida divulgou nesta quinta-feira (1º) uma nota de repúdio sobre a situação envolvendo o Bar Amarelinho, espaço ligado à cena rock e à cultura independente de Nilópolis, na Baixada Fluminense. A organização afirma que a atuação do poder público no caso foi marcada por “brutalidade, preconceito e ausência de diálogo” e defende que eventuais irregularidades sejam apuradas de forma individualizada e com respeito aos direitos das pessoas envolvidas.

A entidade não contesta a atribuição do Estado de fiscalizar estabelecimentos, manter a ordem pública e investigar possíveis irregularidades. A crítica está concentrada, segundo a nota, na forma como o episódio teria sido conduzido e na possibilidade de problemas registrados no entorno serem associados de maneira generalizada ao estabelecimento e ao público que frequenta o local.

“Contra a brutalidade e o preconceito. Em defesa do Bar Amarelinho. Em defesa da cultura, das juventudes e da cena rock. Não à criminalização dos espaços culturais”, afirma a manifestação da organização.

Espaço ligado à cena independente

O Bar Amarelinho mantém atividades associadas ao rock e à produção cultural independente na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo informações apresentadas pela ComCausa.

Em setembro de 2026, o local recebeu diferentes programações musicais. No dia 11, foi anunciada uma apresentação com Vinhos e Flores, Banda Torment e Chapter Dezenove. Em 19 de setembro, o espaço recebeu o Desordem Fest, com Cara de Porco, Disola, Desordem S.A. e Not Dead.

Durante o Desordem Fest, a ComCausa também participou com uma atividade do projeto Juventude Rock ComCausa pela Paz. Segundo a organização, a iniciativa reuniu cultura, participação juvenil, defesa da vida e memória do punk, além de uma homenagem a Redson Pozzi e aos 40 anos do álbum “Pela Paz em Todo Mundo”, da banda Cólera.

Entidade rejeita associação automática com ilegalidades

A ComCausa reconhece que situações relacionadas ao uso de substâncias e outros problemas de ordem pública nas proximidades de estabelecimentos precisam ser acompanhadas pelos órgãos responsáveis. A entidade argumenta, porém, que ocorrências registradas no entorno não devem resultar automaticamente na responsabilização do bar nem na associação entre cultura rock, juventude e práticas ilegais.

Segundo a organização, nas atividades que realizou ou acompanhou dentro do Bar Amarelinho, seus integrantes não presenciaram as práticas ilegais que estariam sendo atribuídas ao estabelecimento. Esse relato representa a experiência institucional da ComCausa e não substitui investigações policiais, fiscalizações administrativas ou outras apurações oficiais que eventualmente estejam em andamento. A própria entidade afirma defender a investigação de fatos concretos pelos órgãos competentes, com análise individualizada das responsabilidades e garantia do contraditório e do devido processo.

Fiscalização com direitos e diálogo

Na nota, a ComCausa sustenta que fiscalização, segurança pública e ordenamento urbano são responsabilidades legítimas do Estado, mas afirma que essas ações não devem resultar em humilhação, violência institucional ou estigmatização de trabalhadores, artistas, produtores e frequentadores. A organização também defende uma atuação articulada entre políticas de segurança, saúde, assistência social, cultura, juventude, prevenção e redução de danos. Para a entidade, estabelecimentos culturais também devem participar do diálogo quando problemas existentes no território exigirem responsabilidades compartilhadas.

Tentativa de mediação

Segundo a ComCausa, a organização se colocou à disposição para contribuir com uma interlocução entre as partes envolvidas no episódio. A entidade afirma que a tentativa de mediação não avançou diante da forma como a situação foi conduzida.  A ComCausa argumenta que conflitos envolvendo poder público, estabelecimentos comerciais e territórios podem ser tratados com maior transparência quando existem canais de diálogo, definição de responsabilidades e possibilidade de mediação.

Preocupação com exposição pública

A nota também registra preocupação com o que a organização chama de possível “uso midiático e eleitoreiro” do episódio.

A ComCausa não identifica candidatos, partidos ou campanhas específicos nem apresenta, no material divulgado, elementos que permitam comprovar eventual motivação eleitoral. Por isso, essa afirmação deve ser entendida como uma avaliação da própria entidade, e não como conclusão independente sobre a atuação de agentes públicos. A organização defende que o debate público sobre o caso seja baseado em fatos documentados e evite a exposição ou estigmatização de proprietários, trabalhadores, frequentadores e jovens.

Cultura também é território de direitos

Para a ComCausa, espaços independentes como bares, casas de shows e centros culturais podem ter papel relevante na circulação de artistas, formação de público, convivência entre gerações e criação de oportunidades para jovens. A entidade ressalta que isso não coloca esses espaços acima das normas ou da fiscalização. A defesa é de que eventuais irregularidades sejam identificadas de forma concreta e tratadas sem que problemas específicos resultem na criminalização de toda uma cena cultural.

Ao final da nota, a ComCausa manifesta solidariedade aos proprietários, trabalhadores, artistas, produtores, frequentadores e jovens ligados ao Bar Amarelinho. A organização afirma ainda que continua favorável à construção de soluções que conciliem fiscalização, segurança pública, responsabilidade dos estabelecimentos, políticas de cuidado e preservação dos direitos culturais.

“Cultura, direitos e juventudes se defendem”, encerra a nota.

Nota da reportagem: esta matéria apresenta a posição divulgada pela ComCausa – Defesa da Vida. As afirmações sobre brutalidade, preconceito, ausência de diálogo e eventual exploração eleitoral são avaliações da organização e não conclusões independentes sobre a atuação do poder público. A matéria poderá ser atualizada para incorporar manifestações formais dos órgãos públicos e demais partes envolvidas.

Imagem ilustrativa.

Matéria por: Adriano Dias

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