Dia Internacional das Trabalhadoras Sexuais será celebrado na Vila Mimosa

trabalho sexual e dignidade ComCausa Vila Mimosa

No cenário das lutas globais pelo reconhecimento e pela garantia dos direitos humanos das trabalhadoras sexuais, o mês de junho assume um papel simbólico e político de profunda relevância. Isso se deve, em especial, à lembrança da ocupação da Igreja de Saint-Nizier, ocorrida em 2 de junho de 1975, na cidade de Lyon, na França. Naquele dia, cerca de cem mulheres em situação de prostituição reuniram-se de forma pacífica e organizada para denunciar publicamente os abusos policiais, os assassinatos de colegas e as condições precárias de vida resultantes da criminalização e da exclusão social sistemática.

Com duração de oito dias e repercussão internacional, a ocupação tornou-se um marco histórico da resistência organizada das prostitutas, lançando as bases para uma mobilização global em defesa da dignidade, da autonomia e do reconhecimento dessas mulheres como cidadãs de pleno direito. Desde então, o episódio é lembrado mundialmente como o Dia Internacional das Trabalhadoras Sexuais — uma data que, ao longo das décadas, vem sendo celebrada por movimentos sociais, redes internacionais e organizações que lutam pela visibilidade, pelos direitos e pelo protagonismo das mulheres que exercem o trabalho sexual.

No Brasil, essa memória ganha novos contornos com a realização do Puta Day – Internacional da Cor de Puta, que ocorrerá na sexta-feira, 6 de junho de 2025, na Rua Sotero de Reis, 51, na Vila Mimosa, bairro da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro. Reconhecida como um dos principais territórios da prostituição urbana na capital fluminense, a Vila Mimosa é também um espaço de resistência e articulação política de mulheres historicamente marginalizadas e invisibilizadas pelas estruturas de poder.

A iniciativa é promovida conjuntamente pela Associação da Vila Mimosa e pela Casa Nem, esta última amplamente reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente mulheres, travestis e transexuais. A programação do evento estabelece um elo potente entre arte, política, memória e afetividade, propondo um espaço de celebração e denúncia que valoriza as vivências das prostitutas e denuncia os mecanismos sociais que insistem em negar sua humanidade e seus direitos.

Entre as atrações confirmadas estão a DJ Vivi Castelo, que comanda a pista com um set vibrante e libertador, e a cantora Zula, cuja voz expressa a afetividade e a resistência que atravessam os corpos das mulheres em luta. A irreverência e o brilho das Formosa Drag Queenn acrescentam ainda mais potência à experiência coletiva proposta.

Um dos destaques da programação será a exposição “A Cor de Puta”, mostra visual que homenageia as estéticas, trajetórias e existências das trabalhadoras sexuais. A exposição propõe um olhar sensível sobre o apagamento histórico e simbólico ao qual essas mulheres foram submetidas, ao mesmo tempo em que enaltece sua força, sabedoria e protagonismo enquanto produtoras de cultura e transformações sociais.

Mais do que uma festividade, o Puta Day configura-se como um ato insurgente, um levante político e poético que reafirma a legitimidade das prostitutas enquanto trabalhadoras e cidadãs. É uma convocação à escuta, à empatia e à construção de uma sociedade que abrace a pluralidade de vivências humanas com dignidade e justiça. O evento contará ainda com a presença de coletivos e organizações oriundas de diferentes territórios do Brasil e da América Latina, entre eles: Associação das Divas de Copacabana (Rio de Janeiro – RJ); Clã das Lobas (Minas Gerais – MG); GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Belém – PA); Grupo pela Vidda-RJ (Rio de Janeiro – RJ); Associação das Mulheres Guerreiras (Campinas – SP) e terá a paricipação da ComCausa Defesa da Vida por meio do projeto ComuniSaúde que integra o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro coordenado pela Fiocruz e Fiotec, em parceir com a ALERJIFFUENFUFRJUERJPUCRJSBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do  com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.

Ao relembrar a ocupação de Lyon e atualizar essa luta em solo brasileiro, o evento reafirma a centralidade do ativismo das prostitutas na defesa da vida, da liberdade e da justiça social. Em tempos marcados pela criminalização da pobreza, pelo moralismo punitivista e pela erosão de direitos civis e neste 6 de junho, a cor que ilumina a cidade é a cor de puta – símbolo de resistência inapagável.

ComuniSaúde ComCausa Fiocruz

SERVIÇO

Puta Day – Internacional da Cor de Puta
Data: 06 de junho de 2025
Horário: A partir das 18h
Local: Rua Sotero de Reis, 51 – Vila Mimosa, Rio de Janeiro – RJ
Entrada gratuita
Atrações confirmadas: DJ Vivi Castelo, cantora Zula, Formosa Drag Queenn
Exposição: “A Cor de Puta”
Realização: Associação da Vila Mimosa e Casa Nem

Leia também

Justiça Itinerante leva cidadania à Vila Mimosa com apoio de instituições parceiras

Editoria Virtuo Comunicação

Projeto Comunicando ComCausa

Portal C3 | Instagram C3 Oficial

______________

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *