Ilê Axé Omiojuarô recebe Governo Federal em tributo a Mãe Beata de Yemanjá

Presidente Lula e a ministra Anielle Franco

Em uma ocasião carregada de simbolismo e profundo significado histórico, o Ilê Axé Omiojuarô, localizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi palco, nesta quarta-feira (3), de uma importante cerimônia que reafirma a centralidade das tradições de matriz africana na construção da identidade cultural e política do Brasil. O terreiro, fundado por Mãe Beata de Yemanjá — uma das mais respeitadas e influentes ialorixás do país — recebeu uma comitiva do Governo Federal para um ato solene em homenagem à sua memória e legado.

A cerimônia contou com a presença de figuras de destaque da esfera pública nacional, entre elas a Primeira-Dama Janja Lula da Silva, a Ministra da Cultura Margareth Menezes, a Ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, Também estiveram presentes representantes de movimentos sociais, lideranças religiosas de diversas tradições afro-brasileiras, militantes dos direitos humanos e membros de comunidades de terreiro vindos de diferentes estados do país, demonstrando a força e a capilaridade dessa rede de resistência e fé.

Durante o evento, foi descerrada uma placa que confere a Mãe Beata de Yemanjá o título póstumo de Promotora da Igualdade Racial, reconhecimento simbólico e institucional que consolida sua trajetória como referência na luta por direitos humanos, pela equidade racial e pela valorização das religiões de matriz africana no Brasil. Essa homenagem não apenas consagra sua relevância histórica, como também sinaliza um movimento mais amplo de reparação e inclusão por parte do Estado brasileiro.

A solenidade marcou ainda o lançamento do Prêmio Mãe Beata de Yemanjá – Terreiros pela Justiça Ambiental, uma iniciativa do Governo Federal que irá destinar o valor de R$ 15 mil a 54 terreiros espalhados por todo o território nacional. O objetivo do edital é fortalecer essas casas sagradas como espaços de proteção ambiental, transmissão de saberes ancestrais e promoção da justiça socioambiental, reconhecendo nelas não apenas centros de fé, mas também núcleos vivos de sustentabilidade, cultura e resistência popular.

O ato foi celebrado por lideranças religiosas e ativistas como um verdadeiro marco no processo de reconhecimento das religiões afro-brasileiras como patrimônio imaterial da nação, contribuindo para uma narrativa mais justa, plural e antirracista da história brasileira.

“Trata-se de um gesto de memória, de reparação histórica e de projeção de futuro”, declarou uma das ialorixás presentes. “Mãe Beata foi semeadora de axé, consciência e dignidade. Hoje, colhemos os frutos de sua luta: respeito institucional, visibilidade pública e políticas que valorizam nossa espiritualidade e nosso papel na sociedade.”

Mais do que um tributo individual, o evento foi entendido como um passo fundamental na institucionalização de políticas públicas voltadas ao reconhecimento das tradições de matriz africana, afirmando os terreiros como espaços de cidadania, resistência cultural e construção coletiva de um Brasil mais inclusivo e democrático.

Imagem de capa ilustrativa

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