Mais de cinco anos após a morte das primas Emily Vitória da Silva, de 4 anos, e Rebecca dos Santos, de 7, a Justiça condenou o Estado do Rio de Janeiro a indenizar os familiares das crianças e reconheceu falhas na investigação do caso ocorrido na Favela do Sapinho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As meninas foram atingidas por um disparo de fuzil durante uma ação policial realizada em dezembro de 2020 e, até hoje, a autoria do tiro não foi esclarecida.
A decisão determina o pagamento de indenização por danos morais e pensão aos familiares das vítimas. O julgamento também responsabiliza o Estado pelas falhas na condução das investigações, apontando que erros na preservação da cena do crime comprometeram a apuração e dificultaram a identificação de quem efetuou o disparo.
Emily e Rebecca brincavam na porta de casa quando foram atingidas por um único tiro. O caso teve ampla repercussão e passou a simbolizar o debate sobre os impactos da violência armada em comunidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente sobre crianças e adolescentes.
Desde o início das investigações, versões divergentes marcaram o caso. Testemunhas afirmaram que o disparo teria partido de policiais militares que circulavam pela comunidade. A investigação oficial, no entanto, concluiu que o tiro teria sido efetuado por criminosos durante um confronto com agentes de segurança. Apesar dessa conclusão, nenhum responsável foi identificado.
Em um dos desdobramentos do processo, dois homens apontados como lideranças do tráfico local chegaram a ser denunciados sob a acusação de terem ordenado um ataque contra policiais militares. A ação judicial, entretanto, foi arquivada posteriormente por insuficiência de provas.
A sentença destaca que houve falhas graves nos procedimentos adotados logo após o crime. Entre os problemas apontados estão a falta de isolamento adequado da área onde as crianças foram atingidas e a perda de vestígios que poderiam ter contribuído para a elucidação dos fatos. Para a Justiça, a própria atuação estatal contribuiu para a impossibilidade de se chegar a uma conclusão definitiva sobre a autoria do disparo.
Durante a tramitação da ação, estudos técnicos independentes analisaram documentos, realizaram medições e reconstruíram a dinâmica do episódio por meio de modelagem tridimensional. O material foi utilizado para questionar aspectos da investigação oficial e subsidiar os pedidos apresentados em favor da família.
Familiares das meninas afirmam que a condenação representa um passo importante na busca por responsabilização e memória. Para eles, o reconhecimento das falhas investigativas reforça a necessidade de respostas mais efetivas do poder público diante de casos que envolvem mortes de crianças em operações de segurança.
O governo estadual informou que ainda aguarda a conclusão de etapas processuais antes de decidir se apresentará recurso contra a decisão. O processo segue em tramitação e ainda pode ter novos desdobramentos nas instâncias superiores.
O caso de Emily e Rebecca permanece como um dos episódios mais emblemáticos da discussão sobre segurança pública, responsabilização estatal e proteção da infância em áreas afetadas pela violência armada no estado do Rio de Janeiro.
Leia também
Caso das primas Emily de 4 anos e Rebeca de 7 anos assassinadas na porta de casa
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________________
______________________
Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

______________________
Compartilhe:

