O que se sabe até agora sobre o caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos

Câmeras de segurança do prédio registraram o momento da chegada e saída dos jovens ao prédio. • Reprodução

Um caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos veio à tona no último sábado (28 de fevereiro), quando a Polícia Civil indiciou quatro jovens adultos e identificou um menor como participante. Veja o que se sabe até o momento sobre o crime.

O que aconteceu?

De acordo com o inquérito conduzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima, que estuda na mesma escola que um dos suspeitos, foi convidada por esse adolescente (menor de idade, apontado como ex-namorado dela) para um encontro no apartamento de um amigo, na noite de 31 de janeiro, localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

O adolescente havia pedido que ela levasse uma amiga, mas, como isso não foi possível, a jovem compareceu sozinha.

Ainda no elevador, ele informou que outros amigos estariam presentes e sugeriu algo “diferente”, proposta que a vítima rejeitou, segundo seu relato.

Ao chegarem ao apartamento, ela foi levada para um quarto. Enquanto mantinha relação sexual consentida com o adolescente que a convidou, outros quatro jovens entraram no local.

A adolescente relatou que, após insistência, concordou apenas que os amigos ficassem no quarto observando, desde que não a tocassem.

No entanto, de acordo com o depoimento dela, os rapazes se despiram, passaram a beijá-la e apalpá-la à força, obrigando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração vaginal por todos eles. Ela também afirmou ter sido agredida com tapas, socos e um chute na região abdominal. Ao tentar deixar o quarto, foi impedida.

O delegado responsável pela investigação classificou o episódio como uma “emboscada planejada”. Os quatro jovens adultos (entre 18 e 19 anos) foram indiciados por estupro com concurso de pessoas e são considerados foragidos, com mandados de prisão expedidos. O menor também é alvo de medidas judiciais, como busca e apreensão.

O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com as agressões relatadas, incluindo hematomas e sangramento genital.

A investigação segue em andamento.

Quatro jovens maiores de idade foram indiciados por estupro com concurso de pessoas em caso ocorrido em Copacabana. Veja o que se sabe sobre os envolvidos e as repercussões.

Os indiciados são:

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos;
  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos;
  • Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos;
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos.

Todos respondem pelo crime de estupro com concurso de pessoas (art. 213, §1º do Código Penal), com agravante pela vítima ser menor de 18 anos. A Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra os quatro, que seguem considerados foragidos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Buscas continuam em andamento, com apoio do Disque Denúncia.

O adolescente de 17 anos que convidou a vítima (apontado como seu ex-namorado e colega de escola) também é investigado por ato infracional análogo ao estupro coletivo. Seu procedimento foi desmembrado e encaminhado à Vara da Infância e Juventude, por isso sua identidade permanece preservada.

Medidas institucionais tomadas:

  • O Serrano FC anunciou o afastamento imediato e a suspensão do contrato do jogador João Gabriel Xavier Bertho após a expedição do mandado de prisão. Em nota, o clube afirmou que acompanha o caso e manteve a decisão diante da gravidade das acusações.
  • A Reitoria do Colégio Pedro II (campus Humaitá II, onde a vítima e alguns dos suspeitos estudam) iniciou processo administrativo para o desligamento dos quatro estudantes maiores de idade denunciados. A instituição repudiou o episódio e reforçou o compromisso com a proteção e o respeito aos direitos dos alunos.

O que mostram as imagens de segurança:

Câmeras do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, na noite de 31 de janeiro, seguida da entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As gravações também capturaram o momento em que a vítima deixou o imóvel.

De acordo com o relatório da 12ª DP (Copacabana), após escoltá-la até a saída do edifício, o adolescente retornou ao apartamento e fez gestos interpretados pelos investigadores como de comemoração. Há ainda registros da saída dos suspeitos em horários próximos ao crime.

O laudo de exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com as agressões relatadas pela vítima, incluindo hematomas, sangramento genital e sinais de violência física.

A investigação, conduzida pelo delegado Ângelo Lages, classifica o episódio como uma “emboscada planejada”, com indícios de violência sexual, física e psicológica. A polícia recebeu relatos informais (inclusive via redes sociais) sobre possíveis outras vítimas do mesmo grupo, o que pode levar a novos desdobramentos.

Troca de mensagens no WhatsApp

Conversas extraídas do celular da vítima e incluídas no inquérito da 12ª DP (Copacabana) mostram o convite feito pelo adolescente de 17 anos (ex-namorado dela e colega de escola). Ele a convidou para ir ao apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, na noite de 31 de janeiro, e perguntou se ela poderia levar uma amiga. A jovem respondeu que não tinha quem convidar, e ele afirmou que “não haveria problema” em ela ir sozinha.

As mensagens também registram a combinação do encontro na portaria do prédio e os horários em que ela avisou que estava chegando. Segundo a polícia, esses diálogos reforçam a tese de que o convite foi premeditado para atrair a vítima ao local.

O que diz o laudo de exame de corpo de delito

O exame pericial, realizado no Instituto Médico-Legal, confirmou lesões compatíveis com violência física e sexual. Foram identificados:

  • Infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital;
  • Presença de sangue no canal vaginal;
  • Grupos de equimoses (manchas roxas) nas regiões dorsal e glúteas.

Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA, que podem ajudar a identificar vestígios dos envolvidos. O laudo corrobora o relato da vítima sobre agressões físicas (tapas, socos e chute abdominal) e penetração forçada, além de indicar relação sexual violenta.

Situação atual da investigação

A Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra os quatro indiciados maiores de idade — Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos), João Gabriel Xavier Bertho (19 anos), Mattheus Verissimo Zoel Martins (19 anos) e Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos) — pelo crime de estupro com concurso de pessoas (art. 213, §1º do Código Penal), com agravante pela vítima ser menor de 18 anos.

Todos são considerados foragidos, pois não foram localizados nos endereços informados durante as diligências da operação “Não é Não”, deflagrada pela Polícia Civil. Buscas continuam, com apoio do Disque Denúncia. O adolescente de 17 anos, que convidou a vítima, é alvo de mandado de busca e apreensão por ato infracional análogo ao estupro coletivo; seu caso tramita na Vara da Infância e Juventude.

O delegado Ângelo Lages classificou o episódio como uma “emboscada planejada”, com indícios de violência sexual, física e psicológica. A pena pode chegar a quase 20 anos de prisão para cada um dos maiores.

O que diz a defesa de João Gabriel Xavier Bertho

A defesa do jovem de 19 anos divulgou nota oficial negando veementemente a ocorrência de estupro. A nota afirma:

“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu.

A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação.”

A investigação segue em andamento, com possibilidade de novos desdobramentos, inclusive a partir de relatos informais sobre outras possíveis vítimas do mesmo grupo.

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