No último encontro do território, todos concordaram que seria muito valioso promover uma oficina de cartografia. Essa atividade ajudaria a melhorar a compreensão do nosso espaço, fortalecer a cidadania ativa e impulsionar a organização da comunidade. A ideia ganhou força com o apoio coletivo e agora já tem data marcada: vai acontecer nessa terça-feira, 24 de março, à tarde, no Instituto Golfinhos da Baixada, em Queimados.
A atividade será conduzida pelo Pedro Cláudio Cunca Brando Bocayuva Cunha, Mestre em Relações Internacionais pela IRI/PUC-Rio, Doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ, cuja participação representa um passo importante na aproximação entre o conhecimento acadêmico e a experiência concreta dos territórios populares. Mais do que uma técnica voltada à produção de mapas, a cartografia aparece, nesse contexto, como uma ferramenta estratégica para compreender o espaço vivido, suas dinâmicas, seus desafios e suas potencialidades.
Cartografia como instrumento de leitura e transformação do território
A realização da oficina é vista como uma iniciativa de grande relevância porque contribui para que moradores, lideranças e organizações ampliem sua capacidade de observar, interpretar e sistematizar informações sobre o próprio território. Em regiões historicamente marcadas por desigualdades, violência e invisibilização, cartografar também significa afirmar existências, reconhecer fluxos, identificar desafios e fortalecer caminhos coletivos de transformação.
Mais do que uma atividade pontual, a oficina representa um investimento em formação crítica e em inteligência territorial. Ao estimular uma leitura mais aprofundada da realidade local, a cartografia contribui para a construção de estratégias mais consistentes de atuação social, incidência pública e defesa de direitos.
Instituto Golfinhos da Baixada reafirma papel de referência comunitária
A escolha do Instituto Golfinhos da Baixada para sediar a oficina também reforça o reconhecimento de sua importância no território. Com atuação comprometida com crianças, adolescentes, famílias e ações comunitárias, a instituição vem se consolidando como uma referência de acolhimento, mobilização e fortalecimento social em Queimados.
Receber uma atividade com esse perfil reafirma o papel do Instituto como ponto de encontro entre formação, participação social e construção de alternativas concretas para a população. Em um cenário em que os territórios periféricos frequentemente enfrentam a ausência de políticas públicas estruturadas, iniciativas como essa ganham ainda mais relevância.
Rede fortalece atuação coletiva na Baixada Fluminense
A oficina também evidencia a importância da atuação em rede entre organizações comprometidas com as periferias da Baixada Fluminense. O Instituto Golfinhos da Baixada integra, ao lado da ComCausa, a Rede 146xFavela da Fiocruz, em uma construção coletiva que soma esforços em ações voltadas à comunicação comunitária, à defesa de direitos e ao fortalecimento das iniciativas territoriais.
A articulação entre as organizações reforça a importância de construir respostas a partir da escuta, da presença e do compromisso com a realidade vivida pelas comunidades. Nesse contexto, a oficina de cartografia se soma a um conjunto de ações que valorizam o território como espaço de produção de conhecimento, mobilização e transformação social.
Para Adriano Dias, da ComCausa, a realização da oficina representa um movimento importante de valorização do território e de fortalecimento das articulações locais.
“Essa oficina tem uma importância muito grande porque ajuda o território a se enxergar melhor, a reconhecer seus caminhos, seus desafios e também suas potências. Quando a universidade se aproxima da comunidade e encontra organizações comprometidas com a transformação social, como o Instituto Golfinhos da Baixada, a gente fortalece a luta por direitos e amplia a capacidade de construir respostas coletivas a partir da realidade do nosso povo”, destaca Adriano Dias.
Encontro reafirma compromisso com a Baixada Fluminense
A oficina de cartografia marcada para o dia 24 de março reafirma, portanto, um compromisso com a formação crítica, com a leitura qualificada do território e com o fortalecimento das redes comunitárias na Baixada Fluminense. Ao transformar uma demanda surgida no encontro territorial em ação concreta, a iniciativa demonstra a força das construções coletivas e a importância de apostar em processos formativos conectados com a vida real das comunidades.
Em Queimados, a atividade tende a ser mais do que um encontro de aprendizagem. Deve se afirmar como um momento de escuta, troca e produção de conhecimento a partir do território, reforçando que a periferia não é apenas objeto de análise, mas sujeito central na construção de soluções, narrativas e caminhos de transformação social.
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