Neste sábado, 14 de junho de 2025, completa-se exatos 17 anos do desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro Franco, um dos casos mais emblemáticos de violência policial e impunidade no estado do Rio de Janeiro. Aos 24 anos, Patrícia foi vista pela última vez com vida quando voltava de uma festa no Morro da Urca em direção à sua casa, na Barra da Tijuca, na madrugada de 14 de junho de 2008. Desde então, seu corpo nunca foi encontrado.
Segundo as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil, Patrícia teve seu carro alvejado por policiais militares quando passava pela saída do Túnel do Joá, na Zona Oeste do Rio. Após ser atingido pelos disparos, o veículo — um Honda Fit — perdeu o controle, colidiu contra dois postes e uma mureta, sendo posteriormente encontrado às margens do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, com o vidro traseiro estilhaçado e o porta-malas aberto.
De acordo com a denúncia, os policiais envolvidos no caso teriam removido o corpo da jovem e lançado o carro no canal, numa tentativa de simular um acidente e ocultar o crime. A versão oficial da PM, à época, era de que Patrícia havia perdido o controle do carro. No entanto, inconsistências nos relatos e novas evidências apontaram para uma ação deliberada dos agentes de segurança, o que levou o Ministério Público a denunciar os envolvidos por tentativa de homicídio e fraude processual. Patrícia foi oficialmente declarada morta em 2011.
Novo júri popular está marcado para agosto de 2025
Após quase duas décadas de espera, o novo júri popular dos quatro policiais militares acusados no caso está marcado para o dia 5 de agosto de 2025. O julgamento contará com um elemento considerado decisivo: o depoimento de uma testemunha-chave, um taxista que afirma ter presenciado os policiais retirando Patrícia com vida de dentro do carro, ainda se movendo.
Essa testemunha havia sido excluída da fase anterior do processo, mas a Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio decidiu, em abril deste ano, que seu depoimento é essencial e deve ser incluído no novo júri. A relatora do caso, desembargadora Elizabete Alves de Aguiar, determinou a remarcação do júri já com a intimação formal do taxista.
Segundo relatos da família da engenheira, o taxista seguia logo atrás do carro de Patrícia naquela madrugada e viu, com “riqueza de detalhes”, a jovem sendo retirada pelos PMs ainda com sinais vitais — ela estaria mexendo os braços, o que reforça a acusação de que os policiais tinham consciência de que ela ainda estava viva no momento da ação.
Acusados e histórico do caso
No novo julgamento, os policiais Marcos Paulo Nogueira Maranhão e William Luís Nascimento serão julgados por tentativa de homicídio, sendo apontados como os autores dos disparos que atingiram o carro de Patrícia. Já os policiais Fábio Silveira Santana e Marcos Oliveira responderão por fraude processual, por supostamente alterarem a cena do crime para acobertar os colegas.
Em um julgamento anterior, realizado em 2019, Marcos Paulo e William Luís foram condenados a três anos de prisão por fraude processual. Já Fábio Santana e Marcos Oliveira foram absolvidos. No entanto, em 2020, com o surgimento da nova testemunha, o caso foi reaberto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e o julgamento anulado, abrindo caminho para o novo júri popular previsto para agosto deste ano.
São 17 anos de dor e espera por justiça
A família de Patrícia Amieiro nunca desistiu de buscar a responsabilização dos autores do crime. O irmão da engenheira, Adryano Franco, tem sido uma das vozes mais ativas nesse processo. Ele relembra que a irmã foi assassinada no mesmo dia do aniversário do pai e lamenta que o pai tenha falecido antes de ver qualquer justiça ser feita. Em outra ocasião, após o adiamento do júri que seria realizado em fevereiro de 2025, Adryano reiterou o sofrimento contínuo da família:
Um caso emblemático de violência de Estado
O caso Patrícia Amieiro tornou-se símbolo da luta contra a violência policial e a impunidade no Brasil, especialmente em crimes que envolvem agentes do Estado. A ausência do corpo, a simulação de acidente e as tentativas de deslegitimar testemunhas fizeram da investigação um processo marcado por entraves, lacunas e lentidão.
Agora, com o novo júri confirmado para o dia 5 de agosto de 2025, a expectativa é de que a Justiça finalmente seja capaz de ouvir, avaliar e responsabilizar os acusados pelo crime que, há 17 anos, dilacera a família de Patrícia e expõe falhas estruturais no sistema de segurança e justiça brasileiro.
Pai de Patrícia morre sem saber paradeiro da filha
Um ano após a imprensa revelar a existência de uma nova uma testemunha que viu a engenheira Patrícia Amieiro ainda viva após a batida do carro, pedindo socorro. Celso Amieiro, pai da vítima morreu sem saber a localização do corpo da filha. Celso faleceu na madrugada do dia 23 de setembro de 2021.
Leia também
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________
Compartilhe:
