Encontro no dia 31 de agosto reunirá representação cabo-verdiana, memória oral e juventudes em um Café no Ponto de Memória da ComCausa
A ComCausa – Defesa da Vida realizará, no dia 31 de agosto de 2026, às 14h, em sua sede no Rio de Janeiro, um Café no Ponto de Memória – Cabo Verde, África, Diáspora e Memória, em referência ao Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes. O encontro marca uma iniciativa de aproximação institucional com a Representação da República de Cabo Verde no Rio de Janeiro, abrindo diálogo sobre memória, cultura, juventudes, diáspora e possíveis caminhos de cooperação entre Cabo Verde e Brasil.
O convite foi dirigido ao representante cabo-verdiano Pedro António dos Santos, a quem a ComCausa agradece pela atenção, interlocução e abertura ao diálogo institucional. A proposta busca reconhecer e valorizar vínculos históricos e contemporâneos entre Cabo Verde e o Brasil, especialmente aqueles presentes na Baixada Fluminense.
Cabo Verde como ponto central da aproximação
A relação com Cabo Verde ocupa o centro da proposta apresentada pela ComCausa. A organização identificou, a partir de pesquisas realizadas na Baixada Fluminense, elementos históricos e territoriais que podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre a presença cabo-verdiana no Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer relações contemporâneas entre os dois países.
Um desses elementos está no Morro do Embaixador, em São João de Meriti, onde se encontra o Museu Marinheiro João Cândido. O casarão associado ao museu aparece em registros relacionados à trajetória de Martinho Nobre de Melo, nascido na ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, em 1891. Sua trajetória passou por organizações formadas por africanos em Lisboa e posteriormente pela vida acadêmica, política e diplomática, incluindo atuação no Brasil.
Para a ComCausa, essa história pode contribuir para apresentar ao público diferentes períodos das relações entre África, Portugal, Cabo Verde e Brasil, sempre com rigor histórico e sem confundir momentos distintos da história política cabo-verdiana.
Baixada Fluminense e a memória viva da diáspora cabo-verdiana
A dimensão territorial amplia a importância dessa aproximação. São João de Meriti é vizinho de Mesquita e de áreas onde existe uma tradicional e expressiva presença de famílias cabo-verdianas e seus descendentes.
Essa proximidade permite aproximar dois campos de memória: de um lado, o patrimônio histórico ligado ao Morro do Embaixador; de outro, as histórias de homens e mulheres cabo-verdianos que construíram suas vidas no Brasil e transmitiram às novas gerações suas referências culturais, familiares e afetivas.
A proposta da ComCausa é que essas famílias e seus descendentes sejam reconhecidos como protagonistas dessa construção, contribuindo com relatos sobre as ilhas de origem, chegada ao Brasil, cotidiano na Baixada Fluminense, música, gastronomia, festas, tradições e vínculos mantidos com Cabo Verde.
Um encontro entre memória e novas gerações
O Café no Ponto de Memória contará também com a participação de Macedo Griot e do grupo Street Legends, reforçando a proposta de integrar diferentes gerações na discussão sobre memória, pertencimento e identidade.
A presença de Macedo Griot traz para o encontro a dimensão da oralidade, da experiência e da transmissão de memória, enquanto o Street Legends contribui com a perspectiva das juventudes, das culturas urbanas e das novas formas de expressão presentes nos territórios.
Essa combinação pretende demonstrar que a memória não é apenas preservação do passado, mas também transmissão, recriação e construção coletiva de futuro.
Do Morro do Embaixador a Cabo Verde
O território do Morro do Embaixador também guarda a memória de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, liderança da Revolta da Chibata e referência da resistência negra brasileira.
A ComCausa ressalta que as pesquisas reunidas até o momento não indicam relação pessoal entre João Cândido e Martinho Nobre de Melo. A aproximação ocorre posteriormente por intermédio do território e do casarão, e essa distinção deverá ser preservada em qualquer futura iniciativa.
Entre as possibilidades apresentadas está a avaliação futura de um conteúdo interpretativo complementar sobre a história do próprio casarão, a trajetória de Martinho Nobre de Melo e as relações históricas entre Cabo Verde e Brasil, mantendo João Cândido como referência central do museu.
Juventudes podem ajudar a construir essa nova ponte
A aproximação também dialoga com o Projeto Farol João Cândido, estruturado pela ComCausa em parceria com o Projeto Jovem Embaixador e em diálogo com a comunidade do Morro do Embaixador.
O projeto articula memória, juventude, cultura, comunicação, esporte, igualdade racial, direitos humanos e participação comunitária. Uma das possibilidades apresentadas é incorporar futuramente aos processos formativos um eixo Cabo Verde–África–Brasil, permitindo que jovens tenham contato com a história cabo-verdiana, Santo Antão, a diáspora, Amílcar Cabral, o processo de independência e o Cabo Verde contemporâneo.
Acervo Vivo Cabo Verde–Brasil
Outro caminho proposto é estudar futuramente a constituição de um Acervo Vivo Cabo Verde–Brasil, articulado ao Ponto de Memória ComCausa.
A iniciativa poderia reunir depoimentos, fotografias de famílias, documentos, registros audiovisuais, pesquisas e produções realizadas pelas próprias juventudes, ajudando a preservar a história da presença cabo-verdiana no Brasil e a transmiti-la para as próximas gerações.
A perspectiva é que a memória também possa abrir portas para ações nas áreas de cultura, comunicação, juventude, audiovisual, intercâmbio acadêmico, patrimônio, economia criativa e turismo cultural, permitindo que brasileiros conheçam mais profundamente o Cabo Verde contemporâneo, suas ilhas, cultura, música, literatura, cinema, gastronomia e juventudes.
“Memória também pode construir futuro”
Para Adriano Dias, da ComCausa, o encontro representa uma oportunidade de transformar vínculos históricos em novas relações entre pessoas, territórios e gerações.
“Cabo Verde está no centro dessa construção. Há uma memória cabo-verdiana viva na Baixada Fluminense e, ao mesmo tempo, elementos históricos que nos permitem olhar para uma relação muito mais ampla entre África, Brasil e diáspora. Agradecemos especialmente ao Pedro António dos Santos pela atenção e pela abertura ao diálogo. Queremos reunir a experiência de Macedo Griot, a energia e a linguagem das juventudes do Street Legends e essa história que atravessa gerações. Memória não é somente olhar para trás. Ela também pode construir pertencimento, intercâmbio e futuro entre Cabo Verde e Brasil”, afirma Adriano Dias.
Primeiro passo de uma relação a ser construída
A ComCausa destaca que não apresenta, neste momento, um programa fechado de cooperação. O objetivo inicial é promover diálogo, conhecimento mútuo e escuta institucional para que eventuais etapas posteriores sejam construídas conjuntamente com as instituições e comunidades envolvidas.
O Café no Ponto de Memória pretende, dessa forma, ser mais do que uma atividade comemorativa. A proposta é criar um espaço no qual Cabo Verde, Brasil, África, diáspora, memória e juventudes possam se encontrar, aproximando gerações e transformando histórias já presentes nos territórios em novas possibilidades de conhecimento, cultura e cooperação.
Imagem de capa ilustrativa
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