Depois de meses de comentários perguntando “Cadê o RJ?”, a resposta finalmente chegou — e não veio tímida. O Cólera, um dos pilares mais longevos e influentes do punk brasileiro, desembarca no estado do Rio de Janeiro para dois encontros seguidos neste sábado, 6 de dezembro de 2025, e domingo, 7 de dezembro de 2025. A promessa é de catarse coletiva: veteranos que atravessaram os anos 1980 com a banda no sangue e uma nova geração que descobriu o grupo pelas trilhas da resistência, da ecologia e do pacifismo.
A mobilização do público foi visível. Prints e comentários repetiam a mesma ansiedade: “Aguardando e sonhando com data no Rio”, “Rio de Janeiro esquecido”, “E o RJ???”. A cobrança virou convocação — e a banda atendeu com dois palcos que conversam diretamente com a tradição do circuito independente.
No sábado (06/12), o encontro acontece no Barmazem 22. No domingo (07/12), a celebração segue no Skull Beer Bar, em Itaipuaçu, Maricá, a partir do meio da tarde, com bandas convidadas antes da atração principal. É a rota perfeita para o espírito do Cólera: perto da rua, da cena, dos coletivos, dos fanzines, dos produtores autônomos e das novas bandas que ainda enxergam no punk uma forma de organização afetiva e política.
Se o punk brasileiro tem monumentos vivos, o Cólera é um deles. E neste fim de semana, o estado do Rio vira território de reencontro, memória e faísca. Não é só show: é uma linha direta com uma história que insiste em lembrar que resistir também pode significar cuidar da vida, da Terra e uns dos outros.
Resposta à cobrança dos fãs cariocas
Os prints que aparecem na arte de divulgação não deixam dúvidas: há tempos o público carioca vinha pedindo a volta da banda. Comentários do tipo “Aguardando e sonhando com data no Rio”, “Rio de Janeiro esquecido” e “E o RJ???” se repetiam nas publicações.
Anos de Cólera
Formado em 1979, em São Paulo, o Cólera é parte fundadora da primeira onda do punk nacional. A banda ajudou a consolidar uma linguagem que misturava urgência social e velocidade musical, dividindo o berço histórico do movimento com nomes como Inocentes e Olho Seco e dialogando com a mesma era que projetou o punk pesado de Ratos de Porão. Desde cedo, o grupo se destacou por um discurso que fugia do niilismo puro e simples: em vez de apenas gritar contra o mundo, o Cólera também gritava pelo mundo — e por uma ética de vida.
Essa virada fica cristalina em Pela Paz em Todo Mundo (1986), álbum que não só virou clássico como também se tornou um marco de independência no Brasil: cerca de 85 mil cópias vendidas, um feito gigantesco para o underground da época. Décadas depois, a importância histórica do disco foi reafirmada quando a Rolling Stone Brasil o colocou entre os maiores do punk nacional.
O Cólera também entrou para a história por abrir portas fora do país. Em 1987, tornou-se a primeira banda brasileira de punk rock a excursionar pela Europa, fortalecendo uma ponte internacional para o punk latino-americano quando isso parecia quase impossível para grupos independentes brasileiros.
Ao longo das décadas, o repertório do grupo seguiu expresso em palavras-chave que ainda soam necessárias: direitos humanos, anti-violência, antimilitarismo, ecologia, crítica às opressões e defesa da dignidade cotidiana. Em um mundo marcado por guerras transmitidas ao vivo e por uma cultura de brutalização crescente, o Cólera segue atual não por nostalgia, mas por coerência.
Programação: duas noites de punk, hardcore e pogo
SÁBADO – 06/12 – Barmazem 22
No primeiro dia, o Cólera assume a posição de atração principal em uma noite que ainda traz:
O show acontece no Barmazem 22, espaço já reconhecido por receber bandas autorais de rock e punk. A proposta é de clima intimista, com apenas 150 ingressos, o que deve garantir a proximidade entre banda e público – marca registrada dos bons shows de punk.
Os ingressos custam R$ 30 (antecipado) e R$ 40 (no dia). Informações e reservas são feitas diretamente pelo WhatsApp: (21) 97001-2275.
DOMINGO – 07/12 – Skull Beer Bar
No dia seguinte, a celebração continua no Skull Beer Bar, com o Cólera dividindo a noite com três forças da cena local: Os ingressos para este dia estão disponíveis pela plataforma @articketonline, acessível pelo link na bio das casas e bandas envolvidas.
Memória, resistência e “Defesa da Vida” no palco
A presença do Cólera no Rio de Janeiro dialoga com uma trajetória em que o punk sempre foi mais do que música. Desde os anos 1980, a banda associa sua obra a campanhas pela paz, contra a violência de Estado e pela preservação ambiental, aproximando-se de uma visão de cultura como instrumento de direitos humanos e Defesa da Vida.
No Rio e na Baixada Fluminense, essa passagem se conecta a iniciativas como o Rock ComCausa, eixo de ação da organização ComCausa – Defesa da Vida, que usa a música e a memória do rock como ferramenta de mobilização social, formação crítica de juventudes e combate às diversas formas de violência.
Serviço
CÓLERA NO RIO DE JANEIRO – DOIS SHOWS
06/12 (sábado)
- Local: Barmazem 22
- Atrações: Cólera, Sob Cerco, Joint Vision Band, 77 Idols
- Ingressos: R$ 30 (antecipado) / R$ 40 (no dia)
- Vagas: 150 ingressos
- Informações/Reservas: WhatsApp (21) 97001-2275
07/12 (domingo)
- Local: Skull Beer Bar
- Atrações: Cólera, Chaos HC RJ, Força e Honra HC, Resmungo
- Ingressos: vendas pela plataforma Articket Online (link na bio das casas e bandas)
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