Puta Day na Vila Mimosa integra ações de combate à tuberculose e reforça cuidado em saúde no território

Puta Day na Vila Mimosa

Em comemoração ao Dia Internacional da Prostituta, celebrado mundialmente em 2 de junho, a Vila Mimosa realizou, no dia 12 de junho, uma edição especial do Puta Day, reunindo ações de saúde, mobilização social, cultura e afirmação de direitos. A programação, realizada no território da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, colocou o combate à tuberculose no centro das atividades, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da circulação de informações qualificadas entre trabalhadoras sexuais, moradoras, frequentadores e demais pessoas que vivem ou trabalham na região.

A iniciativa integrou as ações do Projeto Fortalecer a Sociedade Civil no Enfrentamento da Tuberculose, desenvolvido pelo Fórum de Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro em parceria com a AMOCAVIM. O projeto tem como objetivo fortalecer a capacidade de atuação de coletivos, instituições, grupos, iniciativas da sociedade civil e conselhos de direitos na ampliação das estratégias de enfrentamento da tuberculose, especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, circulação intensa de pessoas e dificuldades históricas de acesso a políticas públicas.

Ao longo do dia, a programação foi organizada em três momentos. Na parte da manhã, na sede da associação, foi realizada uma ação de testagem rápida para HIV, hepatites e sífilis, em parceria com o Grupo Pela Vidda. A atividade possibilitou o acesso a exames, orientações e acolhimento, ampliando o cuidado integral em saúde no território. Durante a testagem, também houve diálogo com as participantes sobre tuberculose, seus sintomas, formas de transmissão e a importância de buscar atendimento médico diante de sinais persistentes.

Na parte da tarde, a AMOCAVIM promoveu uma roda de conversa sobre tuberculose, na Rua Ceará, como parte das atividades do projeto desenvolvido junto ao Fórum de TB do Rio de Janeiro. O encontro reuniu trabalhadoras sexuais e pessoas da comunidade em um espaço de escuta, troca de experiências e orientação. Foram abordados sintomas como tosse persistente, febre, suores noturnos, mal-estar, perda de apetite e dores de cabeça, além da necessidade de diagnóstico precoce e encaminhamento para a unidade de saúde.

A conversa também destacou que a tuberculose tem cura, desde que o tratamento seja iniciado e seguido até o fim. Outro ponto trabalhado foi a transmissão da doença em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, realidade presente em muitos territórios urbanos. Nesse sentido, a atividade reforçou medidas de proteção individual e coletiva, como o uso de máscaras em situações de risco e a orientação para que pessoas com tosse persistente procurem atendimento médico.

Mais do que uma ação informativa, a roda de conversa evidenciou a potência das trabalhadoras sexuais como multiplicadoras de cuidado. Relatos compartilhados durante a atividade mostraram que a tuberculose é percebida como um risco real e próximo no território. Algumas participantes mencionaram experiências familiares com a doença e relataram práticas de prevenção já incorporadas ao cotidiano, como carregar máscaras na bolsa e orientar clientes com sintomas respiratórios a buscar atendimento.

À noite, a programação seguiu com a festividade do Puta Day, celebrando o Dia Internacional da Prostituta em um ambiente de encontro, afirmação política e valorização da organização coletiva das trabalhadoras sexuais. A atividade contou com a presença da pesquisadora Indianara, referência nacional na luta pelos direitos das trabalhadoras sexuais, além de apresentações de três grupos musicais e seus convidados.

A celebração reafirmou o Puta Day como um momento de visibilidade, resistência e reivindicação de direitos, mas também como uma oportunidade estratégica para aproximar políticas públicas de saúde de um território historicamente atravessado por estigmas e desigualdades. Ao integrar testagem, educação em saúde, escuta comunitária e cultura, a ação demonstrou que o enfrentamento da tuberculose exige presença territorial, linguagem acessível, articulação com lideranças locais e reconhecimento dos saberes das próprias comunidades.

Como resultado, a mobilização contribuiu para ampliar o debate sobre tuberculose na Vila Mimosa, fortalecer vínculos entre sociedade civil e serviços de saúde e identificar trabalhadoras com potencial para atuar como referências comunitárias em futuras ações de prevenção. A experiência também apontou a importância de dar continuidade às atividades educativas, produzir materiais de apoio voltados às trabalhadoras sexuais e articular fluxos de encaminhamento de casos suspeitos para unidades de saúde de referência.

Com a realização do Puta Day, a Vila Mimosa reafirmou seu papel como espaço de organização, cuidado e defesa da vida. A ação mostrou que saúde, cultura e direitos caminham juntos quando construídos a partir do território e do protagonismo das pessoas que nele vivem e trabalham.

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