O Rio de Janeiro recebe, no dia 28 de abril, às 9h, o lançamento regional do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. O encontro será realizado no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua (CIPOP-RUA/RJ), localizado na Rua Senador Pompeu, s/n, no Centro do Rio de Janeiro.
A iniciativa é organizada pelo IBGE, com realização do Ministério do Planejamento e Orçamento e do Governo Federal, e apoio do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), da CIAMP-Rua Nacional e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Um marco histórico para as políticas públicas
O levantamento é considerado inédito por ser a primeira pesquisa nacional voltada exclusivamente à população em situação de rua. A proposta é identificar quantas são essas pessoas, onde estão, qual é seu perfil e quais são suas principais necessidades.
A ausência de dados oficiais nacionais sempre foi apontada como um dos maiores obstáculos para a construção de políticas públicas eficazes. Sem números precisos, a população em situação de rua permaneceu por décadas marcada pela invisibilidade, pela subnotificação e pela ausência de respostas estruturais do poder público.
Para Adriano Dias, da ComCausa, o censo representa um passo fundamental para tirar essa população da invisibilidade:
“A população em situação de rua sempre esteve presente nas cidades, mas muitas vezes foi tratada como se fosse invisível. A realização de um censo nacional específico é um avanço importante porque permite que o Estado reconheça oficialmente essa realidade e planeje políticas públicas com base em dados concretos. Sem dados, não há prioridade; sem prioridade, não há política pública efetiva.”
Números mostram urgência da pauta
Os dados disponíveis apontam a gravidade do problema. Em dezembro de 2024, o Brasil registrava cerca de 327.925 pessoas em situação de rua. No primeiro trimestre de 2025, esse número passou de 335 mil pessoas.
Outro levantamento, com base em dados do Cadastro Único, mostra que a população em situação de rua passou de 21.934 pessoas em 2013 para 227.087 em agosto de 2024, crescimento superior a 1.000% no período.
Esses números revelam que a situação não é isolada, mas parte de uma crise social profunda, relacionada à pobreza extrema, desemprego, falta de moradia, insegurança alimentar, violência, racismo estrutural e dificuldade de acesso a direitos básicos.
Participação dos movimentos sociais
Para os movimentos sociais, o censo representa uma conquista histórica. O Movimento Nacional da População de Rua destaca que a realização do levantamento é uma demanda antiga de quem vive ou já viveu nas ruas, além de organizações que atuam na defesa dos direitos humanos.
O lançamento no Rio de Janeiro também tem forte simbolismo por acontecer no CIPOP-RUA/RJ, espaço de atendimento integrado voltado a esse público e escolhido com participação do próprio movimento social.
ComCausa participará do lançamento
A ComCausa também participará do lançamento regional no Rio de Janeiro, acompanhando este momento histórico de produção de dados oficiais e reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da cidadania e da visibilidade das populações historicamente invisibilizadas. Adriano também destaca que o levantamento precisa ser acompanhado de ações concretas:
“O censo não pode ser apenas um número. Ele precisa servir para garantir acesso à moradia, saúde, alimentação, documentação, trabalho, renda e proteção social. Estamos falando de vidas, de pessoas com histórias, direitos e dignidade.”
Serviço
Evento: Lançamento regional do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua
Data: 28 de abril
Horário: 9h
Local: CIPOP-RUA/RJ
Endereço: Rua Senador Pompeu, s/n – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Realização: IBGE, Ministério do Planejamento e Orçamento e Governo Federal
Apoio: MNPR, CIAMP-Rua Nacional e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
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