Nesta semana, foi realizada uma reunião na Associação de Moradores e Amigos da Vila Mimosa (AMOCAVIM), reunindo produtores culturais, comerciantes, representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, empresários locais e microempreendedores, com o objetivo de fortalecer o processo de reconhecimento da Rua Ceará e seu entorno como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Durante o encontro, foi definido que haverá uma mobilização coordenada até o dia 12 de outubro, quando será apresentado um documento-base com o pedido formal de abertura de processo de reconhecimento legislativo e técnico da Rua Ceará como bem cultural imaterial. Esse documento está sendo elaborado de forma colaborativa até essa data e poderá ser aditado por contribuições de coletivos, artistas, estudiosos, motoclubes, produtores e casas culturais.
Coleta de apoios e assinaturas em curso
Além da elaboração do ofício, também foi deliberada a coleta de apoios formais de artistas, bandas, produtores, casas de cultura, comerciantes e agentes culturais que participaram das movimentações culturais da Rua Ceará nos últimos anos. Será reforçada, também, a campanha de assinaturas eletrônicas de apoio ao reconhecimento, em andamento por meio de plataformas online.
Esses apoios servirão para dar legitimidade e robustez à proposta junto à Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), órgão responsável pela abertura do processo de salvaguarda.
Comunicação constante e mobilização nas redes
Outro ponto acordado no encontro foi a intensificação da comunicação pública nas redes sociais e em canais parceiros da iniciativa, como o Rock ComCausa e Portal C3. A proposta é que, até o dia 12 de outubro, sejam realizadas pelo menos duas publicações semanais, com materiais de divulgação, conteúdos históricos e chamadas para a assinatura da campanha.
A ideia é reforçar a memória coletiva e afetiva em torno da Rua Ceará e seu entorno, ao mesmo tempo em que se estimula a participação ativa da população na agenda de salvaguarda. As publicações também convidarão a população a participar das atividades culturais da região, promovendo o engajamento comunitário e a valorização do território.
Um ato cultural em defesa do território
A mobilização deverá culminar em um grande ato cultural no dia 12 de outubro, data escolhida por unir dois marcos simbólicos importantes: o Dia do Rock Nacional (instituído em 8 de outubro no calendário oficial do Estado do Rio de Janeiro, em homenagem a Renato Russo) e o Dia das Crianças. A proposta é que essa data reúna gerações em uma celebração pública da cultura alternativa, da convivência comunitária e da criatividade popular, com apresentações musicais, atividades culturais, rodas de conversa e ações voltadas à infância.
Após o evento, está prevista a entrega oficial do ofício à Alerj, reforçando a legitimidade da proposta e a força social por trás do pedido de reconhecimento. A expectativa é que a mobilização não apenas resulte na salvaguarda oficial da Rua Ceará como Patrimônio Cultural Imaterial, mas que também consolide uma política pública permanente de valorização do território, com fomento à cultura, apoio aos agentes locais e promoção da diversidade cultural carioca.
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Um território vivo, pulsante e simbólico
A Rua Ceará é há décadas reconhecida como um dos principais polos da música alternativa e da contracultura no Rio de Janeiro. Palco de bandas, feiras, encontros de motoclubes e coletivos culturais, o território se consolidou como espaço de criação, resistência e memória viva, abrigando casas icônicas como o Garage Grindhouse, Heavy Beer, Duck Walk Pub, O Pecado Mora ao Lado e Oasis Bar.
Mais do que um espaço de entretenimento, a Rua Ceará é um território de pertencimento coletivo, onde se desenvolvem práticas de autogestão, comunicação alternativa, fomento à economia criativa, e onde jovens de diversas regiões encontraram palco, voz e identidade.
A Rua Ceará, na Praça da Bandeira, será novamente tomada por guitarras distorcidas, vozes libertárias e celebração cultural no próximo domingo, 13 de julho de 2025, com a segunda edição do Dia do Rock na Rua Ceará — evento que já é considerado o maior festival de rock underground do Brasil.
Como apoiar
A campanha pelo tombamento segue aberta ao público e visa alcançar o máximo de assinaturas até o dia 12 de outubro. A adesão pode ser feita digitalmente aqui para assinar.
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