O ex-prefeito de Mesquita, Artur Messias, utilizou suas redes sociais para comentar sobre a atuação da concessionária Águas do Rio. Em seu texto, ele destaca que, na última semana, a empresa anunciou, por meio de diversos canais de comunicação, que a conta de água dos moradores de Mesquita deverá dobrar nos próximos quatro meses. Segundo a concessionária, o aumento se deve a um investimento de R$ 22 milhões em obras destinadas à coleta de esgoto que, até então, era despejado diretamente nos rios Sarapuí e Dona Eugênia, beneficiando cerca de 65 mil habitantes.
A empresa afirma ter reativado duas elevatórias de esgoto nos bairros Edson Passos e Chatuba — estruturas originalmente construídas pela CEDAE — além de ter implementado um sistema conhecido como Coleta em Tempo Seco. Como resultado, a concessionária alega um crescimento significativo no volume de esgoto tratado na estação de Sarapuí, em Belford Roxo.
Entretanto, moradores e especialistas questionam a falta de transparência e a ausência de comprovações técnicas sobre os reais impactos dessas medidas. Até o momento, não há registros de obras visíveis nas ruas e avenidas da cidade, nem pareceres técnicos da AGENERSA (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro) ou comunicados oficiais da Prefeitura de Mesquita que validem os resultados divulgados pela Águas do Rio.
Aumento na Conta e Questionamentos
O fato é que, em quatro meses, uma parcela significativa dos moradores de Mesquita começará a receber contas de água com valores dobrados, devido à cobrança pelo serviço de esgotamento sanitário. A pergunta que fica é: a população conseguirá arcar com esse aumento?
Além disso, há dúvidas sobre a eficácia do serviço prestado. A Águas do Rio utiliza uma equação que pressupõe que o volume de água consumida é equivalente à quantidade de esgoto gerado, ignorando usos da água que não resultam em esgoto, como o preparo de alimentos ou a irrigação de plantas. Essa metodologia tem sido criticada por especialistas, que apontam falhas na base de cálculo para a nova tarifa.
Outro questionamento levantado é: se a solução era tão simples, econômica e rápida, por que a CEDAE não implementou o sistema de Coleta em Tempo Seco durante sua gestão?
Falta de Respostas e Possíveis Consequências
Diante do silêncio das autoridades competentes, a população se vê sem respostas claras sobre a qualidade do serviço prestado e a justificativa para o aumento tarifário. Muitos temem que, com a impossibilidade de pagar contas exorbitantes, sejam obrigados a recorrer à Justiça para buscar seus direitos.
Nesse contexto, é fundamental que o Ministério Público e a Defensoria Pública se manifestem sobre o caso, garantindo que os interesses da população sejam protegidos e que a concessionária cumpra seu papel de forma transparente e eficiente.
Enquanto isso, os moradores de Mesquita aguardam explicações e soluções que não pesem ainda mais em seus já apertados orçamentos. A cidade precisa de investimentos reais e comprovados, não apenas de promessas e aumentos abusivos.
Texto baseado na publicação do ex-prefeito de Mesquita, Artur Messias, em sua rede social.
Foto capa e matéria ilustrativa.
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