Família de Evelyn Cristina Serrano realiza ato por justiça em São João de Meriti

Evelyn Cristina Serrano

Na manhã desta segunda-feira (10), familiares e amigos de Evelyn Cristina Serrano, de 18 anos, realizaram um protesto em frente ao Cemitério Jardim do Éden, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O ato ocorreu momentos antes do sepultamento da jovem, que foi assassinada pelo ex-namorado na noite do último sábado (8), no Dia Internacional da Mulher. Com cartazes e palavras de ordem, os presentes clamavam por justiça e pediam a prisão do suspeito, que fugiu após cometer o crime.

O corpo de Evelyn foi encontrado na casa do ex-companheiro, com uma ferida no pescoço. Segundo familiares, o homem não aceitava o fim do relacionamento e já havia demonstrado comportamento possessivo. A avó da vítima, profundamente abalada, lamentou a perda da neta e cobrou providências. “Esse covarde tirou a vida da minha neta. Eu quero justiça!”, declarou.

Testemunhas relataram que, no dia do crime, gritos foram ouvidos vindos da residência do suspeito. Vizinhos chegaram a acionar a polícia, mas ao chegarem ao local, encontraram Evelyn já sem vida e o homem havia fugido. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso e busca informações sobre o paradeiro do suspeito.

O assassinato de Evelyn Cristina Serrano é mais um caso que evidencia o feminicídio como uma triste realidade no Brasil. A luta por justiça e pelo fim da violência contra as mulheres mobiliza organizações e movimentos sociais. Familiares da jovem reforçam o apelo para que o autor do crime seja localizado e responsabilizado, enquanto a sociedade segue exigindo medidas mais eficazes no combate à violência de gênero.

Aumento alarmante de feminicídios na Baixada Fluminense

A Baixada Fluminense tem enfrentado um aumento preocupante nos casos de feminicídio nos últimos anos. Em 2022, foram registrados 110 feminicídios no estado do Rio de Janeiro, dos quais aproximadamente 24% ocorreram na Baixada Fluminense, representando um aumento de 67% nas mortes de mulheres em comparação ao ano anterior.

Entre janeiro e outubro de 2024, a Baixada Fluminense registrou 20 casos de feminicídio, um aumento de 42,9% em relação ao mesmo período de 2023, quando houve 14 casos. As tentativas de feminicídio também cresceram 7%, totalizando 76 registros.

Historicamente, municípios como Duque de Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu concentram a maioria dos casos de feminicídio na região. Fatores como o domínio de milícias em determinados territórios dificultam o registro e a investigação desses crimes, contribuindo para a subnotificação e a impunidade.

Esses dados ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas eficazes e investimentos em campanhas preventivas e educativas para combater a violência de gênero na Baixada Fluminense. Além da punição dos agressores, é fundamental garantir acesso a serviços de acolhimento e proteção para mulheres em situação de violência.

Pensando nisso, a ComCausa assinou o Termo de Adesão ao Brasil Sem Misoginia, uma iniciativa que visa combater a misoginia em todas as suas formas, desde o preconceito até a violência contra as mulheres. O compromisso reforça a importância de enfrentar a cultura de ódio e discriminação que resulta em feminicídios e outras violações de direitos.

Além de aderir ao programa, a ComCausa segue promovendo ações de conscientização, debates e mobilizações na Baixada Fluminense para fortalecer redes de apoio às mulheres e cobrar políticas públicas mais eficazes no combate à violência de gênero. O objetivo é garantir que mais mulheres tenham acesso à proteção e que a sociedade avance na luta contra a misoginia e o feminicídio.

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