O roubo de celulares se consolida como um dos crimes mais recorrentes e preocupantes no estado do Rio de Janeiro em 2025. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) apontam que, entre janeiro e maio, foram registrados 38.742 casos de roubo de celulares — uma média de quase 260 ocorrências por dia. O crime, marcado por ações rápidas e violentas, tornou-se rotina em centros urbanos, afetando o cotidiano de milhares de pessoas.
A Baixada Fluminense desponta como uma das regiões mais afetadas. Com 11.870 ocorrências registradas nos cinco primeiros meses do ano, a região teve um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2024, superando o crescimento observado na capital. Os municípios de Duque de Caxias (3.102), Nova Iguaçu (2.675), São João de Meriti (1.928), Belford Roxo (1.624) e Mesquita (784) concentram os maiores índices. A maioria dos crimes ocorre em pontos de ônibus, estações de trem e áreas comerciais com pouca presença policial.
Capital e demais regiões
Na cidade do Rio de Janeiro, foram registrados 15.309 roubos de celulares, representando 39% do total estadual. Os bairros do Centro, Copacabana, Méier, Tijuca, Barra da Tijuca e Santa Cruz são os mais críticos, principalmente nos horários de pico. A Zona Oeste da capital, que engloba Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, soma 3.214 ocorrências.
Outras regiões também preocupam. Niterói e São Gonçalo, no Leste Metropolitano, totalizam 2.980 casos (sendo 1.195 em Niterói e 1.785 em São Gonçalo). No interior e na Região Serrana, cidades como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo registraram 2.645 ocorrências, com crescimento de 8% em relação ao ano anterior.
O ciclo da criminalidade e o mercado ilegal
O roubo de celulares vai muito além da simples subtração de um bem material. Para além do prejuízo financeiro — que pode ultrapassar os R$ 3 mil por aparelho —, esse tipo de crime representa uma grave violação da privacidade, expondo dados sensíveis das vítimas como fotos, senhas, mensagens pessoais e informações bancárias. Em muitos casos, os aparelhos roubados são imediatamente desviados para o mercado clandestino, onde são reconfigurados, desmontados ou enviados para fora do país, dificultando qualquer tentativa de rastreamento ou recuperação.
Esse circuito ilegal não apenas sustenta o roubo de celulares, como também alimenta golpes digitais, fraudes bancárias e esquemas de estelionato, ampliando os danos à sociedade. Por isso, é fundamental desarticular o elo mais lucrativo dessa engrenagem: a receptação. Enquanto houver estabelecimentos e atravessadores dispostos a comprar e revender aparelhos de procedência duvidosa, o roubo continuará sendo um negócio atrativo. Romper esse ciclo exige ações de repressão qualificada, fiscalização contínua e políticas públicas que combatam frontalmente o comércio ilegal de eletrônicos.
| Região | Casos | Detalhamento |
| Capital (Rio de Janeiro) | 15.309 | 39 % do total estadual |
| Baixada Fluminense | 11.870 | +17 % vs 2024; destaque para Duque de Caxias (3.102), Nova Iguaçu (2.675), São João de Meriti (1.928), Belford Roxo (1.624), Mesquita (784) |
| Zona Oeste (RJ capital) | 3.214 | Inclui Bangu, Campo Grande, Santa Cruz |
| Niterói + São Gonçalo | 2.980 | 1.195 e 1.785, respectivamente |
| Interior + Região Serrana | 2.645 | Petrópolis, Teresópolis, Friburgo (+8 % vs 2024) |
Para reduzir os riscos e facilitar a recuperação de aparelhos, especialistas recomendam:
- Não utilizar o celular em via pública ou no transporte, especialmente próximo a janelas;
- Ativar bloqueios por senha, biometria e autenticação de dois fatores em aplicativos bancários e redes sociais;
- Registrar o IMEI e manter o backup atualizado de dados;
- Baixar e configurar o app 190RJ e/ou o Celular Seguro (gov.br);
- Evitar comprar celulares ou peças sem nota fiscal ou procedência confiável.
Governo Federal aposta em tecnologia como forma de prevenção ao roubo de celulares
Como forma de prevenção ao crescente número de roubos de celulares no país, o governo federal investe em tecnologia e integração de dados para ampliar a resposta ao crime. Uma das principais ferramentas disponíveis é o programa Celular Seguro, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que permite ao cidadão bloquear de forma remota e imediata o aparelho, contas bancárias e aplicativos em caso de roubo.
O sistema funciona a partir do número IMEI, um código único que identifica cada celular. O usuário pode descobrir seu IMEI digitando *#06# no teclado do telefone ou consultando a embalagem do aparelho. Em caso de roubo, basta registrar o boletim de ocorrência e acessar o site ou aplicativo do Celular Seguro (gov.br) para ativar o modo bloqueio total (que inutiliza o aparelho e impede o acesso a serviços) ou o modo recuperação (que permite restaurar o uso posteriormente com segurança). A medida já bloqueou mais de 60 mil celulares no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça.
App 190RJ: ferramenta de proteção rápida no estado do Rio
No estado do Rio de Janeiro, a população conta ainda com o aplicativo 190RJ, desenvolvido pela Polícia Militar. A plataforma permite que qualquer pessoa cadastre previamente o IMEI de seu celular. Em caso de roubo, é possível emitir um alerta diretamente pelo app, inclusive utilizando outro dispositivo. Esse alerta tem validade temporária, mas o aparelho passa a constar como roubado no sistema da PM, facilitando sua identificação e recuperação durante abordagens policiais.
Além disso, o aplicativo foi recentemente ampliado para incluir o cadastro de bicicletas, utilizando o número de chassi como identificador. O objetivo é ampliar a rastreabilidade de bens de uso pessoal e dificultar o funcionamento do mercado ilegal de revenda.
Ao utilizar essas ferramentas e manter os dados do aparelho atualizados, o cidadão contribui para enfraquecer a cadeia criminosa e aumentar suas chances de recuperar o bem em caso de roubo. A tecnologia, aliada à ação coordenada das forças de segurança, se torna um instrumento fundamental na defesa da vida e da segurança pública.
Imagem de capa ilustrativa.
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