Em uma das maiores articulações já realizadas entre ciência, território e movimentos sociais no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) consolida o projeto “Saúde da Favela” como uma política pública de cuidado, cidadania e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a iniciativa conta com 146 instituições, coletivos e movimentos parceiros, que atuam em diversas regiões do estado do Rio de Janeiro — das favelas da capital às comunidades periféricas da Baixada Fluminense e do interior.
Essa rede plural e capilarizada constitui a base do Plano Integrado de Saúde nas Favelas, estratégia lançada durante a pandemia de Covid-19, que se projeta hoje como um legado permanente para a promoção da saúde como direito fundamental nos territórios vulnerabilizados.
Histórico: da pandemia à política pública permanente
O projeto teve origem em meio ao agravamento da crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, quando a Fiocruz compreendeu que não bastava apenas produzir vacinas e dados científicos — era fundamental atuar diretamente nos territórios, onde o colapso dos serviços públicos e a ausência do Estado impactavam com mais força. Dessa necessidade emergiu um plano integrado que unia saúde, comunicação e atuação territorial, em articulação com lideranças comunitárias, escolas de samba, ONGs, coletivos periféricos e organizações de base. O sucesso da iniciativa levou à consolidação de uma política pública permanente, estruturada a partir do diálogo, da escuta ativa e do protagonismo comunitário.
A construção institucional do plano contou com o papel decisivo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), presidida na época pelo deputado André Ceciliano. A proposta foi lançada oficialmente no dia 1º de maio de 2020, com um aporte de R$ 20 milhões da Alerj, destinados a ações emergenciais voltadas às favelas do estado. Desde então, a atuação do plano já alcançou 33 municípios do Rio de Janeiro, impactando diretamente mais de 650 mil pessoas.
O avanço da iniciativa ocorreu por fases: inicialmente com o “54x Favelas”, seguido pelo “90x Favelas”, e atualmente com o “146x Favelas”, consolidando uma das maiores redes territoriais do país voltadas à promoção da saúde popular.
Capilaridade, diversidade e potência
Hoje, a rede “Saúde da Favela” articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, base social e identidade territorial. Essa capilaridade é um dos grandes diferenciais do projeto, permitindo que o debate sobre o direito à saúde alcance os espaços onde o Estado historicamente é ausente — em vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
A diversidade dos parceiros é outro pilar do projeto: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e muitos outros. É essa riqueza de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, fazendo dela um instrumento concreto de democratização da saúde.
ComCausa: nova interlocução institucional para fortalecimento da rede
Entre as organizações que se somam à construção dessa agenda está a ComCausa – Comunicação e Direitos Humanos, que assume um papel de interlocução e apoio ao fortalecimento institucional da rede. Com mais de duas décadas de atuação na Baixada Fluminense, a ComCausa articula ações com movimentos sociais, juventudes, mulheres, famílias vítimas de violência e instituições públicas, promovendo a defesa de direitos nos territórios.
A partir deste mês de junho de 2025, a ComCausa passará a intensificar articulações locais, com início das ações junto à Associação da Vila Mimosa, e iniciará a divulgação das 146 iniciativas em seus canais institucionais. A proposta é potencializar a visibilidade dessas ações, promover formação, mobilização e apoio técnico, e ampliar o alcance territorial do projeto.
“Para nós, é uma honra integrar esse projeto da Fiocruz. A Saúde da Favela não é só sobre saúde no sentido biomédico, mas sobre dignidade, pertencimento, escuta, respeito e cidadania. Nossa missão será potencializar as vozes desses territórios e contribuir com a estruturação das ações locais junto à sociedade”, destacou Adriano Dias, fundador da ComCausa.
Um novo modelo de política pública
Com essa construção coletiva e contínua, o projeto “Saúde da Favela” se firma como um novo modelo de política pública no Brasil — baseado na ciência, na escuta popular, nos direitos humanos e no protagonismo dos territórios. Mais que uma resposta à pandemia, é uma aposta na construção de um país onde a saúde não seja privilégio, mas um direito garantido com equidade, justiça social e respeito às diversidades.
ComuniSaúde nas favelas
O ComuniSaúde é um projeto que promove o direito à saúde, valorizando o SUS e fortalecendo redes comunitárias em territórios periféricos e favelas. Atua com ações educativas, apoio à saúde mental, e aproxima moradores dos serviços públicos. Por meio de formações, comunicação cidadã e articulação local, o projeto facilita o acesso à informação e oferece canal direto para orientação e mediação de conflitos em casos de omissão no atendimento.
ComCausa ComuniSaúde Baixada: (21) 96942-1505
Site: comunisaude.org.br
Plano de Saúde nas Favelas do RJ Desde 2021, com recursos da Lei 8.972/20 e apoio da ALERJ, mais de R$ 22 milhões foram investidos em saúde nas favelas. A iniciativa reúne instituições como Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro promovendo o acesso universal à saúde e o combate às desigualdades históricas.

Leia também
Associação da Vila Mimosa sedia oficina de comunicação comunitária
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________
Compartilhe:
