No dia 26 de junho de 2025, a escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, voltou a ser palco de um grito coletivo por justiça. Famílias de pessoas desaparecidas ocuparam o centro político da cidade para mais uma edição do Encontro das Mães de Filhos e Filhas Desaparecidos, transformando a ausência em presença, a dor em luta e o silêncio institucional em voz pública.
Realizado com o apoio do mandato da vereadora Tânia Bastos e de diversas organizações da sociedade civil, o ato reafirmou o compromisso dessas famílias com a memória e a dignidade de seus entes queridos. Em meio a cartazes, retratos e palavras de ordem, mães, pais, irmãos e irmãs reivindicaram políticas públicas estruturadas, exigindo respostas do poder público frente a uma crise que já atinge milhares de famílias no estado do Rio de Janeiro.
Defensoria Pública garante atendimento gratuito e orientação jurídica especializada
Dando continuidade à programação, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro demonstrou, mais uma vez, seu compromisso com o acesso à justiça e a garantia de direitos das populações mais vulnerabilizadas. Por meio do Centro de Integração de Cidadania e Direitos (CICV), foi realizado um mutirão jurídico no período da tarde, das 14h às 16h, voltado especialmente às famílias de pessoas desaparecidas.
O atendimento gratuito ofereceu informações sobre o procedimento de Declaração de Ausência — previsto nos artigos 22 a 39 do Código Civil —, um instrumento legal essencial para que famílias possam acessar pensões, administrar bens, movimentar contas bancárias e tomar decisões sobre a guarda de filhos e netos. A medida é particularmente relevante em casos de desaparecimento prolongado, nos quais a incerteza se transforma também em entrave financeiro e social.
Além da escuta acolhedora, o mutirão contou com auxílio-transporte para facilitar o deslocamento de famílias com dificuldades de locomoção. A iniciativa foi amplamente elogiada por participantes e entidades parceiras, que reconheceram a Defensoria como uma das poucas instituições a manter um compromisso contínuo com os dramas reais de quem sofre com a ausência não resolvida de um ente querido.
Um chamado à ação coletiva
O Encontro das Mães de Filhos e Filhas Desaparecidos reafirma-se, ano após ano, como um ato de resistência e mobilização. Mais do que denunciar a omissão do Estado, a iniciativa evidencia a força de uma rede solidária que se recusa a desistir de seus filhos e filhas. A presença da Defensoria Pública, com um atendimento jurídico especializado, demonstra que é possível — e necessário — construir pontes entre o sistema de justiça e a sociedade civil.
Enquanto não houver políticas públicas estruturadas e eficazes, encontros como este seguirão sendo espaços fundamentais de escuta, apoio mútuo e visibilidade. Porque cada desaparecimento não resolvido é uma ferida aberta na democracia. E porque lutar pelo paradeiro de alguém é também lutar por justiça, dignidade e pela própria vida.
Imagem de capa ilustrativa.
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