Chacina de Acari: resistência e justiça em nome das vítimas e suas mães

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Neste sábado, 26 de julho de 2025, o Coletivo Fala Akari e o Movimento Mães de Acari realizam uma jornada de memória, reflexão e denúncia para marcar os 35 anos da Chacina de Acari, um dos episódios mais trágicos e simbólicos da violência de Estado contra a juventude negra e periférica no Brasil.

Com o tema “Memória e luta”, o encontro tem o objetivo de manter vivo o legado das Mães de Acari, que há mais de três décadas enfrentam o silêncio institucional em busca de justiça para os 11 jovens sequestrados e assassinados por policiais civis em julho de 1990. Desde então, nenhuma condenação definitiva foi aplicada, e os corpos das vítimas nunca foram encontrados. As mães, entretanto, não deixaram de lutar — tornaram-se símbolo internacional da resistência contra o genocídio da juventude negra e da impunidade estatal.

A programação do evento inclui uma Roda de Poesia com Deley de Acari, seguida de rodas de conversa com temas profundos e provocativos:

  • “As Mães lutam, a Favela lembra – Chacina de Acari, rememorando a história”
  • “Estado condenado: o que está sendo feito na pós-sentença?”
  • “35 anos depois, Acari resiste: memória favelada denuncia quem fez da favela alvo do terrorismo do Estado”
  • “A potência da favela enfrenta o silêncio: aquelas que não se permitem calar”

Além das atividades de formação e denúncia, o evento oferecerá café da manhã, almoço e lanche da tarde gratuitos aos participantes. Também está sendo incentivada a presença de coletivos, movimentos sociais, artistas e cidadãos que desejem levar suas bandeiras de luta e solidariedade.

A ComCausa Defesa da Vida participará da atividade que terá início às 9h, no Espaço Cultural Mães de Acari, localizado na Rua União, nº 5c, em frente ao Gigantão de Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Chacina de Acari: crime impune há 35 anos

O caso ocorreu em 26 de julho de 1990, quando 11 jovens — entre 17 e 22 anos — foram sequestrados por policiais civis à paisana em diversas comunidades da Zona Norte e da Baixada Fluminense. As vítimas foram levadas sob a justificativa de vingança por um suposto furto cometido em um sítio frequentado por policiais. Apesar das provas e testemunhos, o caso foi marcado por fraudes processuais, ameaças às mães, e arquivamentos sucessivos. Até hoje, ninguém foi responsabilizado judicialmente.

As Mães de Acari tornaram-se um dos movimentos mais emblemáticos da luta contra a violência de Estado no Brasil, e sua trajetória influenciou diretamente a criação de outras redes de apoio e denúncia em todo o país, como as Mães de Maio (SP), as Mães da Maré (RJ) e os movimentos de familiares de vítimas de desaparecimentos forçados.

Serviço:

Local: Espaço Cultural Mães de Acari – Rua União, 5c, Acari (ao lado do Gigantão de Acari)
Data: Sábado, 26 de julho de 2025
Horário: A partir das 9h
Alimentação gratuita no local
Ato aberto a todas as bandeiras de luta

O evento é uma realização conjunta do Coletivo Fala Akari e do movimento Mães de Acari, com apoio de artistas, educadores, comunicadores populares e defensores dos direitos humanos.

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