Caso Enzo Gabriel: Menino de 5 anos baleado na porta de casa em Nova Iguaçu tem morte cerebral confirmada

Enzo Gabriel - Foto Reprodução

O Hospital Geral de Nova Iguaçu confirmou, na noite de segunda-feira, 18 de agosto, que o menino Enzo Gabriel Assis, de 5 anos, teve morte cerebral após ser baleado durante uma tentativa de homicídio registrada na última sexta-feira, 15 de agosto, na Rua Gama, bairro Santa Rita, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A criança estava em frente à sua casa no momento do crime.

Enzo foi atingido por um disparo durante uma ação criminosa voltada contra um homem de 27 anos, que também ficou ferido, mas sobreviveu. O alvo da tentativa de execução foi socorrido, atendido na mesma unidade hospitalar, e recebeu alta após exames. Já a criança chegou ao hospital em estado gravíssimo, sendo encaminhada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI).

De acordo com o boletim médico, o protocolo para verificação de morte encefálica teve início no sábado, 16 de agosto, com a realização de exames clínicos específicos. A equipe médica identificou ausência de atividade cerebral em todas as etapas do procedimento, incluindo o exame conclusivo, realizado na noite da última segunda-feira. A direção do hospital informou que a família de Enzo foi acompanhada por equipes de assistência social e psicológica durante todo o processo, sendo informada com clareza sobre cada etapa.

Disparos ocorreram em plena luz do dia

Segundo relatos de moradores, um homem desceu de um Fiat Mobi branco e efetuou diversos disparos de arma de fogo contra o homem de 27 anos. A troca de tiros ocorreu em plena luz do dia, na calçada, com pessoas circulando pelo local. Enzo Gabriel estava brincando em frente à sua residência e acabou atingido por um dos tiros, sem qualquer relação com o alvo do ataque. O crime gerou pânico entre os moradores da região.

Após os disparos, vizinhos correram para socorrer o menino e o homem baleado, que foram levados às pressas ao Hospital Geral de Nova Iguaçu. O caso mobilizou a comunidade e despertou revolta e comoção nas redes sociais, diante de mais uma tragédia envolvendo uma criança vítima da violência armada que atinge a Baixada Fluminense com frequência alarmante.

Investigação em andamento

A 58ª Delegacia de Polícia (Posse), responsável pela área, instaurou inquérito e já iniciou a análise de imagens de câmeras de segurança instaladas na região. Policiais também colhem depoimentos de testemunhas que estavam próximas ao local dos disparos. Até o momento, não há confirmação da identidade do autor dos tiros, nem informações sobre prisão de suspeitos.

Investigadores trabalham com a hipótese de acerto de contas ou tentativa de execução relacionada ao tráfico local, mas não descartam outras motivações. O carro utilizado no crime, um Fiat Mobi branco, está sendo rastreado pela polícia com base em imagens de câmeras e registros de circulação na região.

Violência que atinge a infância

A morte cerebral de Enzo Gabriel expõe mais uma vez a fragilidade da infância diante da escalada da violência armada no estado do Rio de Janeiro. A Baixada Fluminense, em especial, tem registrado altos índices de letalidade, afetando crianças e adolescentes em situações de bala perdida, confrontos armados e disputas territoriais entre facções criminosas.

O caso também acende o alerta para a falta de políticas públicas efetivas de proteção à infância em territórios de vulnerabilidade, onde o cotidiano de muitas famílias é atravessado pela insegurança, pela ausência do Estado e pela banalização da morte.

Pedido de Justiça

Enquanto familiares aguardam os trâmites legais para definição do futuro do corpo da criança, a comunidade cobra respostas imediatas das autoridades. O assassinato de Enzo, mesmo que indireto, representa mais uma ferida aberta no tecido social de uma região marcada pela impunidade. O clamor é por justiça, responsabilização e medidas concretas para que casos como este não se repitam.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) deve assumir o caso nos próximos dias, ampliando a investigação e cruzando informações com bases criminais da região.

Informações sobre suspeitos ou movimentações suspeitas podem ser repassadas ao Disque Denúncia, pelo número (21) 2253-1177. O anonimato é garantido.

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