A Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro indiciou dois policiais pelo assassinato de Herus Guimarães Mendes, de 26 anos, durante uma operação no dia 7 de junho, na favela Santo Amaro, Zona Sul da capital. A ação ocorreu em meio a uma tradicional festa junina, deixando outras cinco pessoas feridas.
Entre os indiciados está o sargento Daniel Sousa Silva, do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que admitiu em depoimento ter efetuado 13 disparos após, segundo ele, sua equipe ser atacada por criminosos armados. A versão contrasta com a primeira nota oficial da PM, que alegava que nenhum policial havia atirado na ocasião.
Avanço das investigações
O inquérito policial militar (IPM) já foi encaminhado à promotoria do Ministério Público junto à Auditoria de Justiça Militar. Paralelamente, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz uma apuração criminal, com apoio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MP).
Segundo o Ministério Público, cerca de 12 pessoas já foram ouvidas, incluindo testemunhas, familiares e investigados. A Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT/MPRJ) finaliza uma reconstrução digital tridimensional da cena, com uso de alta tecnologia para entender a dinâmica dos fatos.
Repercussão e exonerações
No dia seguinte à morte de Herus, o governador Cláudio Castro (PL) exonerou os comandantes do Bope e do Comando de Operações Especiais (COE), além de afastar outros 12 policiais envolvidos. No entanto, três meses depois, o então comandante do Bope, coronel Aristheu de Goes Lopes, foi nomeado para um novo cargo na estrutura da PM: superintendente de Gestão Integrada.
A nomeação gerou críticas de movimentos sociais e familiares da vítima, que enxergam contradição entre a exoneração inicial e o novo cargo conferido ao oficial.
Jovem era trabalhador e pai
Herus Mendes era pai de uma criança e trabalhava com carteira assinada. No velório, os pais levaram uma foto do filho ao lado do neto e o crachá da empresa onde Herus trabalhava, em um gesto de dor e denúncia.
O caso reacende o debate sobre o uso desproporcional da força em comunidades, sobretudo durante eventos comunitários. Denúncias de abuso policial podem ser feitas ao Ministério Público ou pelo canal da Ouvidoria das Polícias: 127 ou 181 (anônimo).
Relembre o caso
Na madrugada de 7 de junho de 2025, uma operação do Bope interrompeu uma festa junina comunitária no Morro Santo Amaro, Zona Sul do Rio de Janeiro, resultando na morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 24 anos, e deixando ao menos cinco feridos, incluindo um adolescente. Moradores relataram que os policiais entraram atirando sem aviso, provocando pânico durante o evento cultural. A Polícia Militar alegou que a ação respondeu a denúncias de criminosos armados e que houve confronto, registrando tudo em câmeras corporais. A repercussão levou à exoneração de comandantes do Bope e do COE, ao afastamento dos agentes envolvidos e à abertura de inquérito pela Delegacia de Homicídios da Capital.
Operação policial durante festa junina no Santo Amaro termina com jovem morto e cinco feridos
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