A Maré se prepara para receber, entre os dias 5 e 14 de dezembro, o espetáculo Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas, uma obra coletiva que transforma memória, dor e resistência em cena. As apresentações acontecem no Museu da Maré, sempre às 19h30, de sexta a domingo, com entrada gratuita e sujeita à lotação.
Escrita por Frazao Luz e inspirada no livro Militarização e Censura, da jornalista e comunicadora Gizele Martins, a peça dá vida a episódios que marcaram o território durante a Copa do Mundo no Rio de Janeiro. Na narrativa, a Maré está militarizada: soldados ocupam as ruas, corpos são controlados, vozes são censuradas e a favela vive uma guerra não declarada — mas sentida diariamente pelos moradores.
O espetáculo mostra como, mesmo sob medo, tensão e violações constantes, o samba se transforma em respiro e arma simbólica. Ele vira força coletiva, memória pulsante e instrumento de luta contra o silenciamento que recai historicamente sobre as favelas do Rio.
A trama ecoa a realidade atual: operações policiais que paralisam a vida, violência de Estado que interrompe trajetórias e tentativas permanentes de apagar vozes da periferia. Ao colocar essas experiências no centro do palco, o espetáculo reafirma o direito da favela de narrar suas próprias histórias.
Com elenco formado por artistas e criadores conectados ao território, Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas transforma o Museu da Maré em palco de reflexão e afirmação identitária. A obra convida o público a sentir, pensar e caminhar junto com a Maré — um território que cria, dança, denuncia e resiste.
O projeto foi contemplado no Edital PRÓ-CARIOCA (Linguagens), do Programa de Fomento à Cultura Carioca — Edição PNAB, e também por meio da Lei ISS/LAMSA.
Imagem de capa ilustrativa
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