A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira, 13, uma operação interestadual em São Paulo, Minas Gerais e Pará contra suspeitos de ameaçar, ofender e debochar de familiares de Nicolly Fernanda Pogere, adolescente de 15 anos assassinada em 2025 em Hortolândia, no interior paulista. A ofensiva apura ataques virtuais enviados cerca de um mês após o crime e teve como alvos investigados em cidades como Presidente Prudente, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Bicas, Ibirité e Ananindeua.
A ação foi coordenada pelo Núcleo de Observação e Análise Digital da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que investiga mensagens de ódio disparadas por redes sociais, e-mails e outras plataformas. Os mandados buscaram identificar os autores e preservar provas para o avanço do inquérito.
Entre os alvos, há um adulto e adolescentes. Durante o cumprimento das buscas em Minas Gerais, um homem foi preso em flagrante por posse de material de abuso sexual infantil encontrado pelos policiais. A investigação sobre as ameaças segue para apurar se há ligação direta entre os envolvidos e os ataques dirigidos à família da vítima.
O caso Nicolly provocou forte comoção desde julho de 2025. A adolescente foi morta com extrema violência em Hortolândia, e a apuração policial apontou como autores o namorado dela, de 17 anos, e uma adolescente de 14 anos. Os dois foram apreendidos e encaminhados ao sistema socioeducativo. A investigação concluiu que o crime teve motivação passional e foi seguido de ocultação do corpo.
A nova operação expõe um desdobramento que amplia a gravidade do caso: mesmo após o feminicídio, parentes da adolescente passaram a sofrer perseguição virtual. Esse tipo de conduta pode enquadrar crimes como ameaça, perseguição e incitação, a depender do conteúdo das mensagens e da participação de cada investigado. No centro da apuração está a tentativa de frear a revitimização da família e responsabilizar autores que usaram o ambiente digital para prolongar a violência.
O episódio também reacende o debate sobre proteção de familiares de vítimas em casos de grande repercussão, especialmente quando ataques migram para redes sociais e aplicativos. A investigação agora avança sobre autoria, conexão entre os perfis usados nas ofensas e eventual participação de outras pessoas. Até o momento, as autoridades não detalharam publicamente o teor completo das mensagens nem informaram se haverá novos mandados.
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