O primeiro dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, terminou sem o depoimento de testemunhas após mais de oito horas de sessão no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro. O julgamento foi suspenso pela juíza Elizabeth Machado Louro e será retomado nesta terça-feira (26), às 9h.
A sessão começou com cerca de duas horas de atraso devido a impasses envolvendo a defesa de Jairinho. O principal motivo foi o afastamento do advogado Fabiano Lopes, que sofreu um infarto no fim de semana. Durante o julgamento, Jairinho alegou não ter condições de seguir sem o defensor e chegou a destituir sua equipe jurídica. Posteriormente, voltou atrás e reconstituiu os advogados.
A movimentação ocorreu após o Ministério Público solicitar a transferência do ex-vereador da unidade prisional Bangu 8 para Bangu 1. Ainda durante a sessão, Jairinho informou que pretende incluir o próprio filho, Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, de 28 anos, na equipe de defesa. O advogado sustenta a tese de que Henry teria sido vítima de erro médico, e não de agressões.
Por volta das 12h30, a juíza realizou o sorteio do Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres. Em seguida, foi feita a leitura da denúncia apresentada pelo Ministério Público contra os réus.
No período da tarde, os advogados de Jairinho apresentaram 23 requerimentos pedindo a anulação parcial ou integral do julgamento. Todos os pedidos foram negados pela magistrada, que criticou as sucessivas tentativas de adiamento do processo. Segundo Elizabeth Machado Louro, os envolvidos no julgamento e a própria sociedade estariam se tornando “reféns” das manobras que buscavam atrasar o andamento da ação.
Do lado da acusação, o pai de Henry, Leniel Borel, afirmou que pretende apresentar aos jurados um novo relato envolvendo Jairinho e outra criança. Sem revelar detalhes, ele declarou que a informação não havia sido investigada anteriormente e que será apresentada ao longo do júri.
Na saída do tribunal, a defesa negou que os pedidos apresentados tivessem objetivo protelatório. “Não existe protelar quando alguém está preso. A única coisa pela qual estamos insistindo é que seja um julgamento justo”, afirmou o advogado Rodrigo Faucz Pereira e Silva.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca. A perícia apontou múltiplas lesões internas, hemorragia e sinais de tortura, descartando morte acidental. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique Medeiros é acusada de homicídio qualificado por omissão, além de tortura e coação no curso do processo.
Linha do tempo – Caso Henry Borel
8 de março de 2021 – Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morre no Rio de Janeiro. Laudos apontaram lesões incompatíveis com acidente, incluindo hemorragia interna e laceração hepática.
24 de setembro de 2023 – Aplicação da Lei Henry Borel pelo Conselho Tutelar de Niterói em caso de maus-tratos contra criança.
3 de agosto de 2024 – Novo depoimento da babá Thayna de Oliveira, afirmando que a avó materna teria sido informada sobre agressões de Dr. Jairinho.
8 de março de 2025 – Quatro anos após a morte: justiça e a dor da família diante da demora no julgamento.
10 de setembro de 2025 – Justiça aceita testemunhas do Ministério Público e garante o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry, no júri.
22 de janeiro de 2026 – Novo laudo pericial em 3D descarta queda acidental e reforça a tese de agressões físicas como causa da morte.
23 de março de 2026 – Começa o julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no II Tribunal do Júri da Capital.
26 de março de 2026 – Leniel Borel recorre contra decisão que concedeu liberdade provisória a Monique Medeiros.
10 de abril de 2026 – Ministério Público do Rio recorre da soltura de Monique Medeiros.
Abril de 2026 – Ministro Gilmar Mendes restabelece a prisão preventiva de Monique Medeiros, recolocando o caso no centro do debate público.
25 de maio de 2026 – Retomada do julgamento do Caso Henry Borel
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