WhatsApp lança novos controles parentais para adolescentes no Brasil

Criança, celular - Influenciadores mirins e “sharenting”

Ferramentas permitem que responsáveis ajustem privacidade, participação em grupos, uso de canais, status e acesso à Meta AI; mensagens e ligações pessoais permanecem protegidas por criptografia de ponta a ponta

O WhatsApp anunciou novos recursos de controle parental voltados ao uso do aplicativo por adolescentes no Brasil. Apresentadas pela Meta na quarta-feira, 30 de setembro, as ferramentas permitem que pais, mães e responsáveis definam determinadas configurações de privacidade e acompanhem aspectos da atividade dos jovens sem ter acesso ao conteúdo de suas conversas.

Segundo a empresa, os novos controles são opcionais e foram desenvolvidos para permitir diferentes níveis de acompanhamento conforme as necessidades de cada família. Entre as possibilidades estão definir quem pode visualizar a foto de perfil do adolescente, limitar quem pode adicioná-lo a grupos e estabelecer regras para o uso de canais e das atualizações de status.

A novidade chega em meio à implementação, no Brasil, do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), legislação que estabelece novas responsabilidades para empresas de tecnologia e medidas destinadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Responsáveis poderão controlar configurações de privacidade

Com os novos recursos, pais, mães ou responsáveis poderão estabelecer determinadas configurações para a conta do adolescente. Entre elas estão as regras sobre quem pode visualizar a foto do perfil e quem tem autorização para adicioná-lo a grupos.

Caso o adolescente tente reduzir o nível de proteção de algumas dessas configurações, será necessária a autorização do responsável por meio de um PIN, segundo a Meta.

Os responsáveis também poderão receber notificações quando o adolescente entrar ou sair de um grupo e quando um grupo do qual ele participa apresentar crescimento significativo no número de integrantes.

Outra possibilidade será definir como o jovem utiliza os canais do WhatsApp, quais atualizações de status poderá visualizar e quem terá acesso às publicações feitas por ele. As funcionalidades fazem parte do novo conjunto de controles anunciado pela empresa.

Controle também alcança recursos de inteligência artificial

Os novos controles incluem ainda a utilização da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada aos serviços da empresa.

Os responsáveis poderão optar entre a configuração padrão disponibilizada para usuários com mais de 13 anos ou uma modalidade mais restritiva, chamada pela Meta de “Conteúdo limitado”, conforme detalhado no anúncio oficial.

A medida amplia a discussão sobre a participação de responsáveis no acompanhamento do contato de crianças e adolescentes com sistemas de inteligência artificial, especialmente diante da expansão dessas tecnologias em aplicativos utilizados cotidianamente.

O próprio ECA Digital estabelece que ferramentas de inteligência artificial disponíveis em produtos acessados por crianças e adolescentes devem passar por revisões regulares considerando critérios de segurança e adequação à faixa etária. A legislação também prevê a possibilidade de desabilitar funcionalidades não essenciais.

Responsáveis não poderão ler as conversas

O controle parental não significa acesso dos responsáveis ao conteúdo das mensagens ou ligações dos adolescentes.

A Meta afirma que conversas e chamadas pessoais continuam protegidas pela criptografia de ponta a ponta. Dessa forma, os responsáveis não recebem acesso ao texto das mensagens, aos áudios ou ao conteúdo das ligações.

Segundo a empresa, nem mesmo o WhatsApp consegue ler ou ouvir essas comunicações. A manutenção da criptografia de ponta a ponta foi destacada no anúncio dos novos recursos.

Essa diferenciação é importante porque o acompanhamento das configurações da conta não equivale à vigilância integral das comunicações pessoais do adolescente.

O ECA Digital também estabelece limites para a supervisão e determina que sua regulamentação não pode resultar em sistemas de vigilância massiva, genérica ou indiscriminada que comprometam direitos fundamentais, como privacidade e liberdade de expressão.

Como configurar o controle parental no WhatsApp

O procedimento de vinculação das contas começa pelo aparelho utilizado pela criança ou adolescente. Segundo as orientações divulgadas pelo próprio WhatsApp, é necessário utilizar versões atualizadas do aplicativo. A disponibilidade das modalidades de conta e das funções pode variar conforme idade, região e etapa de liberação do recurso. As orientações completas estão disponíveis no Centro de Ajuda do WhatsApp.

No aparelho que será gerenciado, o usuário deve abrir o WhatsApp, selecionar o idioma, tocar em “Concordar e continuar” e acessar “Mais opções”. Quando disponível para aquela conta, aparecerá a alternativa “Criar uma conta gerenciada por pai, mãe ou responsável”.

Em seguida, é necessário cadastrar e confirmar o número de telefone, informar a data de nascimento e continuar o processo para vincular a conta à do responsável. O passo a passo oficial detalha as etapas de configuração.

No celular do responsável, a câmera deve ser utilizada para escanear o QR Code exibido no outro aparelho. Depois de abrir o WhatsApp e confirmar que é adulto, o responsável deverá criar um PIN de seis dígitos.

Esse código será utilizado para acessar e modificar determinadas configurações de privacidade. A orientação do WhatsApp é que o PIN não seja compartilhado com a pessoa cuja conta está sendo gerenciada.

ECA Digital amplia proteção de crianças e adolescentes na internet

As mudanças no WhatsApp acontecem cerca de um ano após a sanção da Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A legislação entrou em vigor em 17 de março de 2026.

O texto estabelece regras para produtos e serviços digitais destinados ou provavelmente acessados por crianças e adolescentes, incluindo aplicativos, redes sociais, jogos eletrônicos e outros serviços de tecnologia.

Entre as determinações estão medidas de proteção da privacidade e dos dados pessoais, mecanismos de aferição de idade e ferramentas de supervisão parental. As plataformas também devem adotar medidas de prevenção e segurança considerando o melhor interesse de crianças e adolescentes. O Governo Federal reúne informações sobre a legislação em sua página dedicada ao ECA Digital.

A legislação determina, ainda, que as ferramentas de supervisão permitam aos responsáveis gerenciar opções de conta e privacidade, restringir determinadas transações e acompanhar informações relacionadas ao uso do serviço.

No campo da publicidade, o ECA Digital proíbe a criação de perfis comportamentais de crianças e adolescentes a partir de seus dados pessoais para direcionamento de publicidade comercial.

Segurança digital também depende de diálogo e educação

Ferramentas tecnológicas podem contribuir para reduzir riscos, mas a proteção no ambiente digital também envolve educação, informação e diálogo entre crianças, adolescentes, famílias, escolas e comunidades.

Privacidade, golpes, assédio, cyberbullying, discurso de ódio, desinformação, exposição de dados pessoais e contato com desconhecidos são questões que fazem parte da experiência de jovens conectados à internet.

O próprio Estatuto Digital da Criança e do Adolescente estabelece entre seus fundamentos a promoção da educação digital e midiática, com atenção ao desenvolvimento do senso crítico e ao uso seguro e responsável das tecnologias.

A chegada dos novos controles ao WhatsApp amplia, portanto, as ferramentas disponíveis para famílias acompanharem a presença de adolescentes no ambiente digital, ao mesmo tempo em que mantém a necessidade de preservar a privacidade, a autonomia progressiva e os direitos das pessoas em desenvolvimento.

Imagem Ilustrativa

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