Garantir que jovens negros e negras vivam com dignidade, segurança e oportunidades é um compromisso de toda a sociedade. Por meio do projeto Jovem Fica Vivo, a ComCausa – Cultura de Direitos reforça a importância do Plano Juventude Negra Viva, iniciativa do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência, à redução das desigualdades raciais e à ampliação de direitos para a juventude negra brasileira.
A juventude negra tem sonhos, talentos, ideias e vontade de transformar a realidade ao seu redor. Entretanto, muitos jovens ainda enfrentam desafios relacionados ao racismo, à desigualdade social, à violência e à falta de oportunidades. Essas dificuldades demonstram a necessidade de políticas públicas que garantam direitos, valorizem trajetórias e contribuam para a construção de um futuro mais justo.
Nesse contexto, o Plano Juventude Negra Viva (PJNV), instituído pelo Governo Federal em 21 de março de 2024, reúne ações voltadas à prevenção da violência letal e ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais que atingem adolescentes e jovens negros. Coordenado pelo Ministério da Igualdade Racial e pela Secretaria-Geral da Presidência da República, o plano foi estruturado com 217 ações, 43 metas e 11 eixos de atuação, envolvendo 18 ministérios.
Entre as áreas contempladas estão educação, saúde, cultura, esporte, trabalho, geração de renda, segurança pública, assistência social, ciência e tecnologia, segurança alimentar e participação democrática.
Para o projeto Jovem Fica Vivo, desenvolvido pela ComCausa, discutir essas políticas significa fortalecer a compreensão de que proteger a juventude negra não se resume ao enfrentamento da violência, mas também envolve garantir oportunidades para que cada jovem desenvolva suas capacidades e construa seus projetos de vida.
Direitos que precisam sair do papel
Falar sobre direitos significa reconhecer que todos os jovens devem ter acesso à educação de qualidade, aos serviços de saúde, à cultura, ao lazer, ao trabalho digno e à proteção contra qualquer forma de violência ou discriminação.
Entretanto, esses direitos nem sempre são garantidos da mesma maneira para todos. Em muitos territórios periféricos, jovens negros convivem com dificuldades de acesso aos serviços públicos, poucas oportunidades de inserção profissional e situações de preconceito que afetam suas experiências e perspectivas de futuro.
Por isso, o Plano Juventude Negra Viva busca fortalecer políticas públicas capazes de enfrentar essas desigualdades. Mais do que reconhecer os problemas, é necessário construir respostas concretas, ampliar o acesso aos serviços e garantir que os jovens sejam tratados com respeito em todos os espaços.
O Decreto nº 11.956/2024, que instituiu o plano, estabelece diretrizes relacionadas ao combate ao racismo, à garantia do direito à cidade, à valorização da cultura afro-brasileira, à promoção da saúde e ao fortalecimento dos direitos democráticos.
Essas medidas dialogam com a proposta do Jovem Fica Vivo de valorizar a vida, estimular a participação juvenil e contribuir para a construção de territórios mais seguros e inclusivos.
Educação, cultura e trabalho: caminhos para novas oportunidades
A construção de um futuro com mais igualdade depende de oportunidades reais. Ter acesso à educação, participar de atividades culturais, praticar esportes e encontrar caminhos para a formação profissional são experiências que contribuem para o desenvolvimento pessoal e coletivo.
A valorização da cultura negra também é fundamental nesse processo. O samba, o hip-hop, o funk, a dança, a literatura e outras expressões culturais representam histórias, identidades e formas de resistência. Reconhecer essas manifestações é valorizar a contribuição da população negra para a sociedade brasileira.
Nas periferias, a cultura também funciona como instrumento de mobilização social, fortalecimento de vínculos comunitários e expressão das juventudes. Coletivos culturais, movimentos juvenis, batalhas de rima e iniciativas artísticas ampliam espaços de participação e permitem que os jovens expressem suas experiências e reivindicações.
No campo do trabalho, ampliar oportunidades de qualificação profissional, acesso ao primeiro emprego e geração de renda pode ajudar os jovens a desenvolver sua autonomia e realizar seus projetos de vida. Essas iniciativas precisam considerar a realidade de cada território e reconhecer que os jovens negros não devem ser definidos pelas dificuldades que enfrentam, mas por suas capacidades, potencialidades e possibilidades de transformação.
Segurança e enfrentamento ao racismo
A proteção da vida é um dos pontos centrais do Plano Juventude Negra Viva. Enfrentar a violência contra a juventude negra exige ações integradas, políticas de prevenção e instituições comprometidas com os direitos humanos. O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que, em 2023, o Brasil registrou 35.213 homicídios de pessoas negras, considerando pretos e pardos.
Segundo o levantamento, naquele ano, uma pessoa negra tinha aproximadamente 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que uma pessoa não negra. Os números demonstram a persistência das desigualdades raciais na violência letal e reforçam a necessidade de políticas de prevenção, proteção social e enfrentamento ao racismo. Também é necessário combater o racismo em suas diferentes formas, incluindo práticas discriminatórias presentes nas instituições, nos espaços públicos e nas relações cotidianas.
Isso significa promover uma sociedade em que jovens negros possam circular livremente, estudar, trabalhar, participar de atividades culturais e construir seus sonhos sem serem tratados como suspeitos por causa da cor da pele ou do lugar onde vivem. A segurança precisa estar associada à proteção da vida, ao respeito e à garantia de direitos. Nenhum jovem deve ter suas oportunidades limitadas pelo racismo ou pela violência.
A juventude negra precisa ser ouvida
Outro aspecto importante é a participação social. Os jovens negros precisam ter espaço para expressar suas opiniões, apresentar propostas e participar das decisões que afetam suas vidas e comunidades. A construção do Plano Juventude Negra Viva contou com um processo de escuta realizado por meio de caravanas participativas nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.
De acordo com o Ministério da Igualdade Racial, aproximadamente 6 mil jovens participaram desse processo, contribuindo com demandas, experiências e propostas para a elaboração das ações. A participação demonstra a importância de reconhecer a juventude negra como protagonista das políticas públicas.
Projetos sociais, escolas, coletivos juvenis e organizações comunitárias também podem contribuir para esse processo, criando espaços de diálogo e incentivando a participação dos jovens na construção de soluções para os desafios de seus territórios. Quando a juventude é ouvida, suas experiências passam a fazer parte das respostas construídas para a realidade local. Isso fortalece o protagonismo juvenil e contribui para que as políticas públicas estejam mais próximas das necessidades da população.
Os jovens negros não são apenas destinatários dessas políticas: são agentes de transformação, produtores de cultura, lideranças comunitárias e participantes fundamentais na construção de uma sociedade mais igualitária.
Como podemos contribuir?
O enfrentamento ao racismo e à desigualdade não depende apenas do poder público. Toda a sociedade pode contribuir por meio de atitudes cotidianas e ações coletivas.
Combater comentários racistas, valorizar a cultura negra, compartilhar informações sobre direitos, apoiar iniciativas comunitárias e denunciar situações de discriminação são algumas formas de participar dessa transformação. Também é importante divulgar oportunidades de estudo, formação profissional, cultura e participação social, ajudando a aproximar os jovens das políticas e dos serviços disponíveis.
A escola, a família, os movimentos sociais e as organizações comunitárias desempenham papéis importantes na construção de ambientes de respeito, diálogo e valorização da diversidade. Pequenas atitudes podem fortalecer uma cultura de respeito, mas mudanças duradouras também exigem compromisso institucional, investimentos e políticas públicas efetivas.
Um futuro em que a juventude negra possa viver e sonhar
O Plano Juventude Negra Viva representa um esforço para enfrentar desigualdades e ampliar as possibilidades de futuro para jovens negros e negras em todo o Brasil. Sua importância está em reconhecer que proteger vidas também significa garantir direitos, combater o racismo e criar condições para que cada jovem desenvolva seu potencial.
Construir esse futuro exige participação, diálogo e responsabilidade coletiva. É preciso transformar direitos em realidade e fazer com que as oportunidades cheguem a quem historicamente enfrentou barreiras para acessá-las.
A juventude negra tem direito à vida, à liberdade, ao respeito e às oportunidades. Valorizar suas histórias, ouvir suas vozes e fortalecer seus projetos de vida é contribuir para uma sociedade em que ninguém tenha seu futuro limitado pela cor da pele ou pelo território onde nasceu.
O projeto Jovem Fica Vivo reforça essa perspectiva ao relacionar a prevenção das violências à valorização da cultura, à participação comunitária e à defesa dos direitos humanos, reconhecendo o protagonismo das juventudes na transformação de seus territórios.
Juventude negra viva é juventude com direitos, oportunidades, voz e futuro!
Sobre o projeto Jovem Fica Vivo
O Jovem Fica Vivo é uma iniciativa da ComCausa – Cultura de Direitos, desenvolvida no âmbito do Núcleo Juventudes.ComCausa, com foco na promoção dos direitos humanos, na prevenção das violências, na valorização da vida e no fortalecimento do protagonismo juvenil.
O projeto articula cultura, comunicação, educação em direitos, participação comunitária e mobilização social, reconhecendo as juventudes como protagonistas na construção de alternativas para os desafios enfrentados em seus territórios.
Com atuação vinculada às experiências comunitárias da Baixada Fluminense, incluindo a parceria com o Street Legends, em Nova Iguaçu, o Jovem Fica Vivo valoriza manifestações culturais e espaços de diálogo como instrumentos de fortalecimento de vínculos, promoção da cidadania e enfrentamento das desigualdades.
A iniciativa também busca ampliar o debate sobre racismo, violência, discriminação, acesso às políticas públicas e oportunidades para os jovens, defendendo que a proteção da vida deve estar acompanhada da garantia de direitos e da possibilidade de construir projetos de futuro.
Sobre o Programa Juventude Solidária
O Programa Juventude Solidária é uma iniciativa voltada à participação social, ao voluntariado e à formação cidadã de jovens, articulada com a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República.
No âmbito da ComCausa – Cultura de Direitos, a iniciativa é desenvolvida por meio do Núcleo Juventudes.ComCausa, reunindo diferentes projetos e atividades protagonizados por jovens nos territórios.
As ações envolvem comunicação, cultura, direitos humanos, prevenção das violências, inclusão digital, participação comunitária e mobilização social. O objetivo é fortalecer a autonomia, a formação cidadã, o protagonismo juvenil e a participação das juventudes na construção de uma sociedade mais justa, democrática e solidária.
Nesse contexto, o Jovem Fica Vivo contribui para fortalecer a cultura de direitos, a prevenção das violências e a valorização da juventude negra, reconhecendo que garantir a vida também significa ampliar oportunidades, combater o racismo e assegurar condições para que adolescentes e jovens possam construir seus projetos de futuro.
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