CIEP 175 promove roda de conversa sobre Frantz Fanon e educação antirracista

CIEP

O CIEP 175 José Lins do Rego, em São João de Meriti, promove no dia 11 de novembro, às 10h, a roda de conversa “Frantz Fanon: revolucionário anticolonial e antirracista — um programa de desordem absoluta”. A atividade integra a programação “Sankofa e a construção de uma educação antirracista” e terá participação da professora e pesquisadora Silvia Capanema, da Universidade Sorbonne Paris Nord.

O encontro será realizado no auditório da unidade escolar e propõe aproximar estudantes e comunidade escolar do pensamento de um dos principais intelectuais anticoloniais do século XX.

O CIEP 175 José Lins do Rego está localizado na Rua Juparanã, s/n, em São João de Meriti, e atende turmas do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos. A própria instituição apresenta como parte de sua proposta pedagógica a construção de uma escola comprometida com dimensões sociais, culturais e políticas da educação.

Fanon e a crítica ao colonialismo

Nascido em 1925 na Martinica, Frantz Fanon foi médico psiquiatra, escritor e um dos principais pensadores das lutas anticoloniais do século XX.

Sua produção intelectual relacionou racismo, colonialismo, violência, identidade e os impactos psicológicos produzidos pela dominação colonial. Entre suas obras mais conhecidas estão “Pele negra máscaras brancas”, publicada em 1952, e “Os condenados da terra”, de 1961.

Fanon também teve participação direta na luta pela independência da Argélia. Depois de trabalhar como psiquiatra no país, integrou a Frente de Libertação Nacional argelina e passou a atuar politicamente contra o colonialismo francês. Seu pensamento permanece como referência para estudos sobre racismo, colonialismo, subjetividade, desigualdade e processos de libertação.

Educação antirracista como prática cotidiana

A proposta da atividade dialoga com a construção de uma educação que reconheça a história e a produção intelectual das populações negras como parte fundamental da formação dos estudantes. A educação antirracista não se limita ao combate às manifestações explícitas de preconceito. Ela também envolve rever currículos, ampliar referências, reconhecer autores negros e discutir como o racismo e o colonialismo influenciaram a formação das sociedades contemporâneas.

Nesse sentido, levar o pensamento de Frantz Fanon para o ambiente escolar cria a possibilidade de discutir como desigualdades raciais são construídas historicamente e de que maneira podem ser enfrentadas por meio da educação, do conhecimento e da participação social. A atividade também se relaciona ao princípio estabelecido pela Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas brasileiras.

Silvia Capanema participa do encontro

A roda de conversa será conduzida pela professora Silvia Capanema, pesquisadora da Université Sorbonne Paris Nord. Doutora em História e pesquisadora do laboratório Pléiade, Capanema desenvolve estudos relacionados à história social e popular brasileira, memória da escravidão e do período pós-abolição, periferias urbanas e produção cultural.

Entre seus trabalhos está o livro “João Cândido e os navegantes negros: a Revolta da Chibata e a segunda abolição”, dedicado à trajetória dos marinheiros que protagonizaram a Revolta da Chibata em 1910.

Registros acadêmicos recentes da Universidade Sorbonne Paris Nord também apontam sua produção dedicada ao pensamento de Fanon, incluindo o trabalho “Fanon hoje: ruptura anticolonial e um programa de desordem absoluta”.

Sankofa e memória negra

O nome da programação, Sankofa, remete a um princípio de origem africana associado à ideia de retornar ao passado para compreender o presente e construir o futuro. Dentro de uma proposta educacional antirracista, o conceito reforça a importância de recuperar histórias, experiências, intelectuais e conhecimentos que foram historicamente marginalizados.

Ao colocar Frantz Fanon no centro da discussão, a atividade promove também o reconhecimento da produção intelectual negra como parte essencial da formação política, cultural e acadêmica. Para estudantes, esse contato amplia referências e permite compreender que a história da população negra também é construída por filósofos, médicos, pesquisadores, escritores, educadores e pensadores que exerceram influência internacional.

Escola como espaço de reflexão

A realização da roda de conversa dentro de uma escola pública reforça a importância do ambiente escolar como espaço de diálogo sobre questões sociais contemporâneas. O próprio CIEP 175 afirma que sua proposta pedagógica busca fortalecer relações de respeito e solidariedade, além de estimular participação e trabalho coletivo.

Debater racismo e colonialismo nesse ambiente permite aproximar conceitos históricos de experiências presentes na sociedade brasileira. Mais do que conhecer a biografia de Fanon, a atividade propõe refletir sobre como estruturas de discriminação foram construídas e sobre o papel da educação na transformação dessas relações.

Serviço

Roda de conversa: “Frantz Fanon: revolucionário anticolonial e antirracista — um programa de desordem absoluta”
Convidada: Prof. Silvia Capanema — Universidade Sorbonne Paris Nord
Data: 11 de novembro de 2026
Horário: 10h
Local: Auditório do CIEP 175 José Lins do Rego
Endereço: Rua Juparanã, s/n, São João de Meriti – RJ.
Programação: Sankofa e a construção de uma educação antirracista

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